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Blog do Dr. Alexandre Faisal

06/11/2009

Evite comparações com as mulheres dos seriados de TV

Aquelas belíssimas mulheres dos comerciais de televisão ajudam a vender produtos e podem deixar algumas mulheres insatisfeitas consigo mesmas. Segundo uma pesquisa recente, isto também ocorre se a mulher for a Jennifer Aniston, a "Rachel", do seriado "Friends" 

O que você acha da beleza das mulheres dos comerciais de televisão ?  Clique aqui para votar

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Como você se sente ao se comparar com aquelas belíssimas mulheres, altas e magras dos comerciais de televisão? Se você fica meio mal, não se preocupe. Muitas mulheres se sentem assim e talvez seja esse mesmo o objetivo das propagandas: fazer com que você se compare com elas e se transforme em uma delas, obviamente comprando os produtos anunciados. Shampoos, “shakes” e aparelhos de ginástica. Até aí tudo bem. Mas e se a comparação for com uma mulher bonita e magra de um seriado cômico de TV como, por exemplo, a Jennifer Aniston, a “Rachel” do seriado “Friends”. Os episódios do dito programa não estão ali para vender nada, mas apenas para entreter. Daí que, em tese, você não deveria se sentir desvalorizada, dando umas gargalhadas, dos encontros e desencontros amorosos, de um bando de adultos americanos. Mas, infelizmente, foi isso que ocorreu com as 76 mulheres canadenses, com idade média de 20 anos que participaram de uma pesquisa sobre o impacto do seriado “Friends” sobre o grau de satisfação com a própria aparência. A explicação para o fato reside no chamado processo de comparação social, cuja dinâmica é basicamente inconsciente. A idéia é que diante de uma imagem de uma imagem de uma mulher muito atraente, a pessoa faz automaticamente uma comparação, digamos, para cima ou num nível, além do habitual. Resultado, ela se desaponta consigo mesma. Obviamente, que se ela já estava desapontada com o seu corpo, valoriza muito a questão estética e passa o dia na frente da TV se comparando, isso é ainda pior. Ou seja, mais decepção com a própria aparência. Mas apesar de inconsciente, este processo pode ser minimizado por processos conscientes incluindo aí o uso de intervenções criadas para esta finalidade. Nesta pesquisa, uma intervenção se baseava na discussão dos esforços irreais dos produtores e atrizes para obtenção daquele padrão pouco comum de beleza foi efetiva e ajudou as participantes a se sentirem melhor. Ou para ser mais preciso, “menos mal”. É possível que o tema apesar de curioso, seja irrelevante para muitas mulheres que não tem tempo de ver TV. Mas se este não é o seu caso, e você anda se sentindo feia e gorda ao assistir “Friends” ou comerciais com mulheres maravilhosas, vai aí a minha dica: mude de canal ou desligue a televisão. (Want et al, 2009.  Sex Roles)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h09

04/11/2009

Plástica em jovens: o que leva a adolescente a se submeter à cirurgia plástica?

As cirurgias plásticas estão se tornando cada vez mais comuns em adolescentes, principalmente entre as meninas. Conhecer os motivos deste fenômeno  é importante para os pais e para as próprias adolescentes

Você aceitaria com naturalidade um pedido de cirurgia plástica da sua filha(filho)?  Clique aqui para votar

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Há algum tempo, a cirurgia plástica deixou de ser prerrogativa de pessoas abonadas e mais velhas. Há atualmente um crescente interesse de mulheres jovens em se submeterem a algum tipo de cirurgia plástica. No USA, em 2007, mais de 200 mil jovens entre 13 e 19 anos, realizaram algum tipo de plástica. No Brasil, o mesmo tipo de fenômeno está ocorrendo. Conhecer os fatores que se associam ao interesse na realização da cirurgia plástica em mulheres jovens foi o objetivo de um estudo realizado na Filadélfia. Para isso, 101 mulheres com idade média de 20 anos, estudantes, responderam a questionários e declararam seu interesse em sete tipos diferentes de plástica, tais como, lipoaspiração, elevação das nádegas, aumento ou redução das mamas. 43% das participantes desejavam fazer uma plástica, sendo que lipoaspiração e plástica abdominal eram as mais citadas. Mas e quanto os fatores que influenciam este desejo por plástica? Bem, ai o estudo traz interessantes revelações. Primeiro, o nível de insatisfação com o próprio corpo é mais importante do que o peso corporal, ou em outros termos, é fundamental entender como a mulher se sente mais do que saber quanto ela pesa. Segundo, outras variáveis exercem forte influencia na decisão de fazer uma plástica, entre elas, a suscetibilidade às mensagens da mídia e histórico de ter sofrido chacotas no âmbito social. Isso mesmo, quanto mais influenciado pelos tipos de mídia e quanto mais frequente receber “gozações” sobre o corpo, maior a expectativa da jovem realizar uma cirurgia plástica. A hipótese da pesquisa é que as variáveis, peso corporal, suscetibilidade às mensagens midiáticas e sofrer com chacotas sobre o corpo, se articulam com o nível de insatisfação com o próprio corpo e consequentemente, com o desejo de fazer uma cirurgia plástica. O artigo termina com um alerta. Se para algumas jovens a cirurgia estética pode ter benefícios, é possível que para muitas outras o efeito seja exatamente o oposto, ou seja, mais insatisfação com a imagem corporal, e novas tentativas de alcançar um ideal de beleza que é inalcançável. Elas podem continuar tentando, mas deste jeito elas jamais vão chegar lá. (Markey & Markey, 2009. Sex Roles 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h33

29/10/2009

Gripe na gravidez aumenta o risco de esquizofrenia?

Um estudo americano mostra que existe associação entre gripe (influenza B) na gravidez e esquizofrenia na  vida  adulta. Mas estas conclusões não são definitivas e as gestantes, que já estão atentas à gripe suína, não precisam ficar ainda mais preocupadas.  

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Um estudo realizado nos Estados Unidos vai atrapalhar o sono de algumas gestantes. Principalmente, se elas estiveram gripadas. É isso mesmo: gripadas. A pesquisa, um estudo do tipo caso-controle, avaliou 111 casos de adultos com diagnósticos psiquiátricos de esquizofrenia e psicose que foram comparados a 333 controles, adultos saudáveis que apresentavam as mesmas características de faixa etária, etnia, sexo e hospital ao nascer. Para todos os participantes foi avaliada a exposição ao vírus da gripe influenza B, por meio da análise do soro materno que estava estocado. Resultado: A exposição ao vírus da gripe durante a gestação se associou com aumento de 70% na chance de receber diagnóstico de esquizofrenia na idade adulta. Mais ainda, o contato intra-uterino com o vírus também se associou com redução da capacidade cognitiva dos indivíduos que foram selecionados como casos aos sete anos de idade. A hipótese da pesquisa é que fatores genéticos e/ou ambientais associados com psicose podem tornar o cérebro fetal mais vulnerável aos efeitos do vírus influenza. Em tempos de gripe suína, muita gente pode ficar alarmada. Mas esse não é o caso. Os próprios autores admitem a necessidade de novos estudos para entender o impacto do vírus no surgimento da esquizofrenia e de outras seqüelas neurológicas e psicológicas. Que alívio para as gestantes que porventura fiquem gripadas, ao longo da gravidez. Elas podem continuar falando: “não é nada, é só uma gripezinha” (Ellman et al, Biological Psychiatry 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h52

26/10/2009

Crenças sobre quimioterapia

A quimioterapia evoluiu enormemente em todas especialidades médicas, mas algumas crendices sobre este tratamento persistem

O que você acha da expressão "o que não mata, cura" usada para explicar os efeitos benéficos de muitos tratamentos médicos?  Clique aqui para votar

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Aposto que você já escutou a expressão “o que não mata, cura”. Na língua inglesa, sua variante é “aquilo que quase mata, funciona”. Pois bem, um estudo qualitativo canadense observou que este tipo de crença está presente em pacientes que fazem quimioterapia para tratamento de câncer. E isto não traz nenhum benefício para os pacientes. Durante 8 meses os pesquisadores acompanharam um grupo de suporte aos pacientes para entender os múltiplos sentidos e significados atribuídos ao câncer e seu tratamento. Como todos sabem, o câncer é uma doença carregada de significações culturais. Já a percepção dos pacientes quanto ao tratamento é bem menos conhecida. Neste caso o tratamento em questão foi a quimioterapia, que em todas as especialidades médicas evoluiu enormemente ao longo dos anos, resultando em maior eficácia e menos efeitos colaterais. No entanto, ela ainda está associada, no imaginário popular, ao sofrimento e danos quase irreversíveis. É aquela velha idéia de que “o que é bom tem que quase matar” ou que “se não mata, cura”. É evidente que isto causa grande ansiedade nas pessoas que precisam se submeter ao tratamento. Ou seja, um prejuízo emocional para quem já tem que enfrentar a dura tarefa de vencer o câncer. Isto sem contar a possibilidade da pessoa, que não apresenta efeitos colaterais, acreditar que o tratamento não está funcionando. Um dos aspectos negativos desta história é que, infelizmente, nem sempre os profissionais de saúde e suas equipes estão atentos às questões culturais e simbólicos envolvidos com o adoecimento, seja ele por câncer ou não. Deste modo, os profissionais ajudam a manter vivas crenças e crendices, que, estas sim, deveriam morrer.  (Bell, 2009. Social Science & Medicine)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h25

24/10/2009

A vivência da menopausa em executivas é diferente

Existem diversos fatores biológicos e psicosociais que influenciam a experiência da menopausa

Você acha que as mulheres executivas vivenciam a menopausa de um jeito diferente? 

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Como a menopausa afeta a vida das mulheres executivas? Será que os sintomas decorrentes do fim das regras diferem em função do tipo de trabalho das mulheres?. Esta intrigante questão foi, parcialmente, respondida por um estudo americano que avaliou mais de 900 mulheres, todas executivas, com idade igual ou superior a 35 anos. Mais de 50% delas estavam passando ou haviam passado pela menopausa. Vamos aos resultados: a maioria das mulheres estava vivenciando as alterações decorrentes da menopausa, sendo que 95% apresentavam sintomas físicos, como ondas de calor e ressecamento vaginal. Sintomas emocionais tais como irritação, nervosismo e perda de concentração foram bastante comuns. Dentre as mulheres que apresentavam sintomas, muitas os referiam como bastante intensos a ponto de prejudicarem suas atividades profissionais, sociais e familiares. Um dado muito interessante foi a observação de que mulheres executivas também tem dúvidas sobre os benefícios e riscos da TRH, a terapia de reposição hormonal. Este tratamento para os sintomas menopáusicos suscita várias dúvidas e temores, mesmo em mulheres que podem se beneficiar do seu uso Elas não sabem, por exemplo, a diferença entre os esquemas e doses hormonais dos diferentes regimes de tratamento. O fato é que desde que resultados de pesquisas destacaram os riscos da TRH houve declínio no número de usuárias de reposição hormonal. E assim muitas delas continuam sofrendo. Desnecessariamente. Já que um tratamento cauteloso e bem indicado funciona muito bem. Isto não quer dizer que todas as mulheres menopausadas devam iniciar já sua reposição hormonal. Sejam elas executivas ou donas de casa.  (Simon & Reape, 2009. Menopause)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 08h53

23/10/2009

Apego entre mãe e filho: quando ele começa?

 O apego entre mães e seus filhos é fundamental para o bom desenvolvimento deles

 Você acha que o apego entre mãe e filhos é automático? Clique aqui para votar   

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O tema desta pesquisa vai interessar muito as mulheres. Principalmente se elas estão grávidas ou pensam em ter filhos: o apego entre a mãe e seu bebê. Pois bem, uma metanálise, que é uma revisão de diversos artigos científicos similares, abordou esta questão, que é fundamental para mãe e para a criança. O objetivo dos autores foi estudar os fatores que influenciam a aproximação, o apego entre a gestante e seu futuro bebe. Os pesquisadores de diversas localidades americanas descobriram que existem diversos preditores do apego, com diferentes graus de importância. Vamos então conhecer este curioso ranking, começando pelos fatores que tem menor importância. São eles: ansiedade, auto-estima, planejamento da gravidez, estado civil, renda, etnia e educação. Todos estes aspectos foram citados, mas eles, de fato, influenciam pouco o estabelecimento do apego entre mãe e feto. Já, numa posição intermediária está o grau de suporte social. Ou seja, apoio dos parentes e do parceiro é muito importante, mas nem tanto quanto se imaginava. Até então, suporte social era o fator mais estudado neste campo de pesquisa. Finalmente, em primeiro lugar, isolado, está o tempo de gestação. Quanto mais adiantada a gestação maior a proximidade que a mãe sente em relação ao bebe. Ótima notícia para as mães que, logo no início da gravidez, se sentem culpadas por não estarem escutando sinos tocando, nem vendo anjinhos entrando pela janela. Também, convenhamos, é estranho imaginar que só porque o teste de gravidez deu positivo, a mulher já se sinta a mãe do ano. Quem sabe fosse melhor pensar no apego entre a mãe e seu futuro bebê como um “test drive”, em que algumas mulheres já se encantam por seu bebe assim que saem do laboratório enquanto outras vão precisar rodar com ele por um tempo, quem sabe, 9 meses ou mais, até ficarem definitivamente apaixonadas. ( International Journal of Nursing Studies 2009;46:708-15)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h21

Cólicas menstruais

 O último boletim sobre cólicas menstruais provocou uma série de comentários polêmicos. Possivelmente devido a chamada "algumas mulheres merecem", postada erroneamente. Desde já peço desculpas pelo mal entendido. A frase final do texto "algumas mulheres fazem por merecer ?" deveria ter sido o título. O texto fala de pesquisa recentemente publicada num periódico de renome na área de Ginecologia e Obstetrícia que ressalta o papel nefasto do tabagismo e uso do abusivo do acúcar na gênese das cólicas menstruais. Trata-se de uma hipótese, não de uma afirmação de causalidade. Daí que mulheres que não fumam e não abusam do acúcar podem ter cólicas, e vice-versa. O objetivo do post é alertar as mulheres tabagistas e com dieta inadequada, que sofrem de dores durante as regras, sobre estas novas evidências. Já que quando se trata de dor "ninguém merece".

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h26

17/10/2009

Intervenção psicológica não previne estresse pós-traumático

Muitas pessoas continuam sofrendo com um evento traumático acontecido há tempos atrás. É o transtorno do estresse pós-traumático. Uma revisão diz que não adianta fazer psicoterapia para prevenir este problema 

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Má notícia para quem passou por um evento traumático recente e pensa iniciar tratamento psicoterápico. Um estudo publicado pela fundação Cochrane conclui que intervenções psicológicas – tanto em sessão única quanto em sessões múltiplas – não devem ser utilizadas após eventos traumáticos para prevenir o transtorno do estresse pós-traumático. Pessoas com este tipo de problema revivem um evento grave intensamente como se estivesse vivendo novamente a tragédia. O sofrimento desencadeia várias alterações neurofisiológicas e mentais, tais como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e respostas exageradas a coisas banais. Neste artigo os autores do Reino Unido agruparam dados de 11 estudos que avaliaram diversas formas de intervenções psicológicas, especialmente terapias cognitivo-comportamentais, iniciadas no máximo até três meses após o evento traumático. Os ensaios incluíram um total de 941 pacientes. Os eventos traumáticos variaram de acidentes de carros e assaltos à mão armada, a complicações de parto e diagnóstico de câncer. Os autores não encontraram diferenças significantes entre as taxas de sintomas de estresse pós-traumático dos pacientes submetidos às intervenções psicológicas e dos que não as receberam. Pelo contrário, foi detectada uma tendência de aumento dos sintomas de estresse pós-traumático nos seis meses subseqüentes. Os resultados sugerem que nenhuma intervenção psicológica pode ser recomendada para uso rotineiro, com finalidades preventivas, após um evento traumático. No entanto, os próprios autores alertam que há intervenções psicológicas eficientes para o tratamento do estresse pós-traumático crônico, ou seja, quando o problema já existe há algum tempo. Ao que parece, a recomendação para quem passou um grande susto e está com medo de ficar encucada é, esqueça o “é melhor prevenir do que remediar”. Neste caso, desista de prevenir e fique com o remediar, que é o que funciona. (Roberts et al. Cochrane 2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h54

13/10/2009

Adolescentes obesos: "diga-me com quem voce anda eu lhe direi com que peso está"

 Obesidade entre adolescentes é cada vez mais comum. E muitos pais estão preocupados com isto.  

 O que você faria se soubesse que ter amigos obesos ajuda o seu filho/filha adolescente a se tornar obeso/obesa? Clique aqui para votar   

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Atualmente, a obesidade é um problema seríssimo entre os adolescentes. Nos Estados Unidos cerca de 15% dos teenagers são obesos e não há nada que nos faça acreditar que isto posso vir a cair. Nem mesmo os conhecidos riscos da obesidade: doenças cardio-vasculares, diabetes, hipertensão, baixa auto-estima e menor expectativa de vida. E para as mulheres obesas vale citar  os muitos problemas ginecológicos e obstétricos. Muita televisão e fast food com pouca atividade física estão entre as principais causas da obesidade em adolescentes. Mas um estudo realizado nos Estados Unidos com mais de 7 mil adolescentes descobriu um novo vilão: os amigos obesos. É isso mesmo. Adolescentes gordos andam com adolescentes gordos. Para chegar a esta conclusão os pesquisadores avaliaram peso, altura e outros parâmetros de saúde dos participantes da pesquisa, em visitas domiciliares. Também avaliaram os mesmos indicadores em amigos indicados por els espontaneamente. Na média foram indicados 2 amigos, em geral colegas de escola, por participante. A conclusão muito interessante do estudo é que adolescentes obesos tendem a se agrupar com seus pares igualmente obesos. Nas meninas esta relação era ainda mais evidente. Mais impressionante ainda é que esta associação se manteve mesmo após os autores terem avaliado simultaneamente outros fatores, tais como idade e etnia. Os pesquisadores chegam a afirmar que apesar das limitações inerentes a este tipo de estudo, como, por exemplo, o controle de fatores endógenos relacionados à obesidade, adolescentes obesos influenciam seus amigos a também se tornarem obesos. Deste jeito, no caso dos adolescentes gordinhos, o ditado popular vai ter que ser modificado: “dize-me com quem tu andas e eu direi com que peso estás”. (Halliday & Kwak, 2009. Econ Hum Biol).  

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h53

08/10/2009

Que tal hipnose para parar de fumar?

 Muitas mulheres fumantes querem parar de fumar, mas simplesmente não conseguem...

 Você tentaria o uso da hipnose como tratamento para abandonar o tabagismo? Clique aqui para votar   

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Se você é fumante e está tentando parar de fumar, vem aí um resultado animador de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. Mas que vai fazer você torcer o nariz e ficar meio desconfiada. Vamos direto ao resultado: hipnose ajuda se você quer parar de fumar. Isso mesmo: hipnose. Nesta pesquisa 286 pessoas fumantes que desejavam parar de fumar foram submetidas a um dos seguintes tipos de tratamento: sessões de hipnose ou de aconselhamento psicológico, além do uso de adesivos de nicotina por 2 meses. Nos 2 grupos foram realizadas duas sessões de 60 minutos. Seis meses após o início do estudo, maior número de pessoas no grupo da hipnose afirmou ter interrompido, pelo período de uma semana, o uso do cigarro. Confirmações bioquímicas validaram as afirmações, já que as pessoas, fumantes ou não, podem mentir. 12 meses depois, um repetição dos resultados: 20% das pessoas submetidos à hipnose haviam parado, enquanto no grupo do aconselhamento este número foi de 14%. Ou seja, houve redução do risco de fumar de 40%. Para os participantes que tinham história de depressão, os resultados foram ainda melhores. Neste grupo específico de pacientes, a hipnose foi estatisticamente mais eficaz. A conclusão dos autores é que hipnose associada aos adesivos de nicotina pode ser uma excelente estratégia para enfrentar este fantasma que é o tabagismo. Portanto se você é fumante e deseja parar de fumar, aproveite esta exótica sugestão: seja hipnotizada.  (Hypnosis for smoking cessation: a randomized trial. (Carmody et al, 2008. Nicotine & Tobacco Research).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h35

04/10/2009

Alteração do humor no período pré-menstrual: mito ou verdade?

 As alterações do humor são uma queixa frequente das mulheres e dos seus parceiros, que nem sempre entendem muito bem o que está acontecendo. 

 Mas será que o período do ciclo menstrual realmente interfere com o humor feminino?. Clique aqui para votar   

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Muitas mulheres sofrem com os sintomas da TPM. Principalmente os sintomas psicológicos, incluindo as famosas alterações do humor. Pois vem aí um estudo canadense que vai esquentar o debate e questionar o real impacto da influência do ciclo menstrual sobre o humor, ou melhor dizendo, o mal-humor feminino. Nesta pesquisa, 507 mulheres, com idade entre 18 e 40 anos comparam a importância de 3 áreas, a saúde física, o suporte social e o estresse sobre o estado de humor. Primeira boa notícia, o alto astral foi mais comum do que o baixo-astral. No geral, as mulheres consideram que, tanto um como o outro, o alto ou baixo astral, ocorrem em ciclos, ou seja, vão e voltam. No entanto, o peso atribuído aos fatores associados ao bom ou mal-humor varia. Suporte social, aquele apoio que vem do parceiro, familiares e amigos foi considerado o fator mais influente para o bom humor. Já para o mal-humor o fator mais importante foi o estresse. Outro dado é o alto astral das mulheres se associava com o fato delas estarem empregadas e de, habitualmente, não darem muito valor para o estresse. Muitas mulheres brasileiras, que dão duro para encontrar um bom emprego, podem pensar que assim fica fácil. Mas um resultado surpreendente foi a pouca importância dada ao ciclo menstrual. Apenas 5 % das participantes citaram a fase do ciclo menstrual como uma influência significativa sobre o estado psicológico. Em outras palavras, quando se trata do humor, as mulheres admitem o impacto de influências externas, que, em geral, repercutem nas suas relações inter-pessoais, mas o período do ciclo menstrual, ou em particular, o período pré-menstrual não foi considerado muito importante. Pelo menos é o que dizem as participantes desta pesquisa. Eu imagino que as brasileiras que sofrem com os sintomas psicológicos da TPM devem estar dizendo: “estas mulheres canadenses devem estar muito loucas” (Roman et al, 2009. Women Health)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h45

02/10/2009

Mulheres mandam bem em matemática?

Escuta-se com frequencia que homens são muito melhores do que as mulheres em diversas áreas, incluindo, por exemplo, o domínio da matemática

Será que realmente existem diferentes aptidões entre os sexos?. Clique aqui para votar   

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As primeiras investigações sobre as diferenças de habilidade e comportamentos entre os sexos começaram em 1880. Dizia-se, por exemplo, que os cérebros femininos, menores que os masculinos, eram deficientes. Bem, mais do que as mulheres,que evoluíram e mudaram radicalmente seus comportamentos, também os métodos de investigação foram aperfeiçoados e muitas destas conclusões fazem pré-história da ciência. No entanto, até recentemente, acreditava-se que homens apresentavam melhor desempenho em matemática, simplesmente, por serem homens. Por exemplo, em 2005, o presidente da Universidade de Harvard e hoje assessor de Barack Obama comentou que a diferença entre os gêneros seria um dos motivos principais para explicar a escassez de professoras de matemática, nas principais universidades dos Estados Unidos. Bem, para a alegria das mulheres, ele está enganado. Um estudo recém-publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que o motivo maior para a disparidade em relação à compreensão matemática entre homens e mulheres se deve não a fatores biológicos, mas à fatores sócio-culturais. Os dados que permitiram estas conclusões foram obtidos a partir de diversas fontes, olimpíadas internacionais de matemática, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, entre outros, realizadas com participantes de diversos países, incluindo do Brasil. Em particular, nos USA, o estudo verificou que o padrão de desempenho tem se alterado grandemente nas últimas décadas, e que meninas, nos níveis mais básicos de ensino, passaram a ter aproveitamento semelhante aos dos meninos. No ensino médio, o mesmo cenário se repete. Em países asiáticos o desempenho das meninas é ainda melhor na comparação com meninas americanas. Uma das explicações é que nestes países não se considera o talento para matemática como inato, mas sim fruto de esforço. Logo, mais esforço, melhor resultado. As autoras do estudo afirmam que à medida que forem oferecidas às mulheres mais oportunidades educacionais e de trabalho em áreas que exigem conhecimento avançado de matemática, mais mulheres estarão presentes nestas atividades. É, se existe alguma pessoa, que, com base em dados científicos, ainda duvida das capacidades femininas, deve ser alguém do século retrasado. (Hyde & Mertz. PNAS, 2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h18

01/10/2009

Poliginia: você é contra ou a favor?

Poliginia é a forma mais comum de poligamia: um homem casado com duas ou mais mulheres. Parece estranho, mas existe em alguns países africanos

 Qual é sua opinião sobre este tipo de vínculo matrimonial? Clique aqui para votar   

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Poliginia é a forma mais comum de poligamia. Ela é definida como o casamento de um homem com duas ou mais mulheres. Parece estranho, mas não é para muitas sociedades africanas, onde esta é a estrutura marital habitual. Particularmente, nas regiões sub-saharianas. A porcentagem dde mulheres nesta situação varia de 11%, no Zimbawe a 53%, em Guiné. E antes que as mulheres ocidentais se assustem com estas afirmações, vale a pena saber como vivem estas mulheres africanas, na companhia do seu marido e das suas colegas de cotidiano, e igualmente, esposas do mesmo marido. Um artigo publicado no periódico “Social Science and Medicine” faz uma revisão do tema enfocando diversos aspectos da saúde física e mental da mulher casada neste regime. E os resultados não são nada bons. Neste cenário a mulher está muito vulnerável ao adoecimento, com maior risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a AIDS. O acesso ao tratamento é também muito mais difícil, já que ele, por sua vez, depende do tipo de relação que a mulher tem com o marido, ou seja, seu favoritismo emocional e sexual, o status que ele ocupa na casa, em relação às demais esposas, entre outros fatores. Diversos indicadores de saúde mental confirmam que a mulher nesta situação tem maior risco de sofrer abuso sexual, violência doméstica e sofrer de ansiedade e depressão. A poliginia está associada à infertilidade feminina relacionada ao estresse, que seguramente é agravado pela presença das concorrentes. Não raro, diante da confirmação da esterilidade, a mulher procura estreitar os laços com as esposas férteis e com seus respectivos filhos, evitando assim o divórcio. Finalmente, um dado, no mínimo curioso, sobre o padrão de comportamento sexual do homem que tem mais de uma esposa. Estudos indicam que na comparação com homens monogâmicos, ele tem mais chance de se aventurar em relações extra-conjugais. Mesmo tendo mais de uma esposa. É, eu imagino que até os homens convictamente adúlteros vão achar isto meio esquisito.  (Bove & Valeggia. Soc Sci Med 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h42

28/09/2009

Parto domiciliar: dá para encarar?

 

 Partos domiciliares são possíveis em alguns países desenvolvidos, mas muito raros no Brasil

 Você teria coragem de tentar um parto em casa? Clique aqui para votar   

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Suponhamos que você está grávida. Sua gestação vai bem e você planeja ter um parto normal, com um único detalhe: em casa. É parto domiciliar. Será que dá para encarar?. A julgar pelos resultados de um estudo holandês, com mais de 500 mil grávidas a resposta é sim. O parto domiciliar não aumenta o risco de mortalidade e morbidade perinatal, ou seja, morte e complicações diversas relacionadas ao parto, desde que existam condições adequadas dos serviços de saúde; isto é, pessoal treinado, equipamentos, logística, etc. Neste estudo as gestantes eram de baixo risco, sem complicações ou intercorrências, estavam no início do trabalho de parto sob cuidados de enfermeira especializada em obstetrícia. 60% das grávidas planejavam partos em casa, uma porcentagem inimaginável para a realidade brasileira, onde um número mínimo de gestantes faz, ou melhor dizendo, pode fazer este tipo de escolha. Ainda quanto aos resultados foram observadas diferenças significativas apenas com outras variáveis: estar na primeira gravidez versus já ter tido filhos préviamente; dar a luz antes ou após a data provável do parto versus parto na data esperada; ter 35 anos ou mais versus idade entre 25 e 34 anos. Nestes casos, os piores resultados aconteceram nos primeiros grupos, ou seja, primeira gestação, mais de 35 anos, história de parto prematuro ou após a data esperada, mas isto não tinha nenhuma relação com o parto em casa. Para concluir vale lembrar que a Holanda não é o Brasil. Neste aspecto e seguramente em muitos outros. Por enquanto, o parto domiciliar está aqui mais pra ficção do que realidade. E para a maioria das gestantes, eu disse a maioria, o parto em casa ainda é um sonho. Ou uma pequena mudança de endereço para a Holanda. (Buitendijk et al BJOG 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h19

24/09/2009

Homens mais velhos e complicações obstétricas

A idade da mãe é reconhecidamente um fator importante para algumas complicações obstétricas. Será que isto também vale para a idade do pai? 

Você mudaria sua decisão de ficar grávida em função da idade do parceiro? Clique aqui para votar   

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As mulheres que tem uma atração e se casam com homens mais velhos vão ficar mais felizes da vida com os resultados desta pesquisa. Principalmente, se elas vierem a engravidar dos seus parceiros. A conclusão de um estudo realizado nos Estados Unidos é a seguinte: o risco de complicações obstétricas como parto prematuro, bebe de baixo peso e até mortalidade perinatal é maior para pais adolescentes do que para pais com mais de 40 anos. Nesta pesquisa, os autores avaliaram retrospectivamente os resultados obstétricos de mais de 2 milhões de partos, de mulheres casadas, com idades entre 20 e 29 anos, que estavam parindo pela primeira vez. Resultado: os recém-nascidos filhos de pais mais jovens, ou seja, abaixo de 20 anos, apresentaram um risco maior de diversas complicações na comparação com aqueles filhos de pais com idade entre 20 e 29 anos. Mais importante ainda, estes achados foram independentes de fatores maternos. Por exemplo, o risco do bebe ser prematuro ou com peso inferior a 2500 gramas foi cerca de 15% maior neste grupo de jovens pais. Mesmo as complicações fatais foram maiores no caso de pais adolescentes. E os pais acima de 40 anos?. Bem eles foram aprovados neste, teste de qualidade. Não foram encontradas associações entre pais com mais de 40 anos e resultados obstétricos adversos. Esta conclusão soa como alívio para homens que, vamos dizer assim, são mais maduros, já que alguns trabalhos científicos mostram uma clara associação entre idade avançada do pai e malformações do bebe. Depois desta pesquisa, eles vão poder dizer que são como alguns vinhos: envelhecidos, mas reconhecidamente testados e aprovados.  (Chen et al, 2008.Human Reproduction).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h55

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa “Olha Você” do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP - FM 93.7. Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.