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Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/12/2009

Jovens adolescentes: um em cada seis fuma

 Tabagismo em adolescentes é um assunto complicado que muitos pais não sabem como enfrentar. Um recente estudo nacional dá uma dimensão do problema, em jovens com menos de 16 anos e revela que, infelizmente, as meninas fumam mais do que os meninos

Qual sua opinião sobre o tabagismo em jovens ?  Clique aqui para votar 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

          Os resultados de um estudo brasileiro sobre o tabagismo em jovens adolescentes vão esquentar a cabeça dos pais, e em particular das mães, preocupadas com o problema. Entre 2002 e 2004, quase 3700 crianças, com idades entre 13 e15 anos, estudantes da sétima e oitava séries do ensino fundamental e do primeiro ano médio, de escolas públicas e privadas foram investigadas quanto ao hábito de fumar. As crianças eram residentes das cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Os resultados são alarmantes.

          Em Florianópolis e Curitiba, a porcentagem de jovens fumantes variou de 10 a 12.5%. Mas em Porto Alegre esta cifra chegou a 17.5%. É ou não e para deixar qualquer um de queixo caído. O estudo aponta ainda outros dados interessantes e igualmente preocupantes. O primeiro é que as meninas estão fumando mais do que os meninos, na proporção de 3 para 2. Este resultado reflete em parte, a estratégia da indústria de tabaco de desenvolver propagandas voltadas para os anseios femininos, nas diferentes etapas da vida. A indústria do cigarro vende para estas jovens uma imagem de independência, liberdade e autoconfiança. Claro que eles vendem, mas não entregam. E o numero de meninas fumantes aumenta.

          Outro aspecto é a constatação de que um fator fortemente associado ao habito de fumar nesta faixa etária e ter amigos fumantes, para não falar da exposição da fumaça do cigarro em casa e mesmo fora de casa. Mas é isto aí, jovens fumantes se inspiram nos amigos fumantes. Como diriam alguns vovôs e vovós é a tal da má-companhia. A esta altura alguns devem estar pensando, o que fazer?.

          Para pais que, como eu, consideram o tabagismo dos filhos uma desgraça e que já usaram e abusaram da estratégia do diálogo, sem sucesso, eu imagino que exista ainda uma solução tão antiga quanto radical, que não vai agradar a todo mundo, mas que pode dar certo: conversar menos e  castigar mais. (Hallal et al. 2009. Rev Saúde Pub)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h32

13/12/2009

Homens brancos preferem mulheres saradas nos sites de relacionamento

 Conhecer uma parceiro ou parceira por meio da Internet é uma estratégia comum e atual. Descobrir qual é o tipo preferido de quem está do outro lado do computador é que é difícil

Na sua opinião, existem diferenças nas preferências de homens brancos e negros que participam de sites de relacionamento?  Clique aqui para votar 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

          No atual mundo globalizado, 1/3 dos adultos que freqüentam a internet e estão a procura de parceiros, já visitaram um site de encontros românticos. Então se você é mulher, está sozinha e pensa encontrar um parceiro, a conclusão desta pesquisa vai lhe interessar, principalmente se você estiver acima do peso. Vamos direto ao xis da questão. Homens brancos preferem mulheres bem definidas, saradas, nem gordas, nem magras. Por outro lado, homens de origem latina não se importam tanto com isso e gostam igualmente das magras, médias, gordas e muito gordas. Enfim, eles topam qualquer parada.

          O estudo em questão explorou a relação entre etnia e gênero com as preferências corporais, no caso de um encontro romântico. Para isso foram avaliados perfis de mais de 5800 pessoas heterossexuais no site de relacionamento do “Yahoo”. Os participantes tinham entre 18 e 50 anos. A conclusão de que homens brancos preferem o tipo atlético de mulher não chega a ser uma surpresa, já que este é o modelo ideal de mulher veiculado pela mídia. Mas o que chama a atenção é a flexibilidade dos homens negros e latinos em relação ao corpo feminino. Pode ser que nesses grupos, esteja ocorrendo a construção de um novo ideal de beleza que não se restringe a mulher branca e magra. Além de confirmar que as escolhas sexuais estão sempre relacionadas com a própria etnia da pessoa. Outra conclusão a partir das respostas femininas, é que o corpo masculino vem se tornando também um objeto idealizado, da mesma maneira eu o corpo feminino. Coitado dos homens que vão correr atrás desta masculinidade pouco realista e inatingível.

          Felizmente, o estudo alerta para algumas de suas limitações. Uma, sobre os diferentes conceitos de raça e etnia, que cada vez mais se confundem. O outro, sobre o risco da pessoa, mentir sobre sua forma física, tentando apresentar o que não tem ou fingir que são o que não são. Por isso na pesquisa, eles avaliaram fotos, invés de perfis, mas convenhamos, todos nós sabemos que fotos também enganam. E todo mundo tem aquela foto especial, às vezes de alguns anos atrás, que da uma reconfortante sensação de que “ainda somos nós”. Mas isto não é nenhum problema. Mentira ou não, o que importa é que a pessoa do outro lado do computador também acredite. (Glasser et al.2009. Sex Roles)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h06

08/12/2009

O que as mulheres acham das duchas vaginais?

  O uso de duchas vaginais é comum entre muitas mulheres. Conhecer o que as mulheres pensam das duchas  é  fundamental já que os benefícios desta prática não são bem documentados. Pelo contrário, elas podem causar problemas

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          O uso de duchas vaginais é muito comum entre as mulheres americanas. Principalmente entre mulheres de menor renda e escolaridade. O benefício da prática é altamente discutível e admite-se mesmo que além de não ser comprovadamente benéfica, a ducha vaginal pode, eventualmente, causar danos, se associando à doença inflamatória pélvica, gravidez nas trompas e parto prematuro.

          Mas o que pensam as mulheres que se ducham ?. Conhecer as percepções das usuárias de duchas vaginais foi o objetivo de um estudo realizado nos Estados Unidos, com mais de 500 mulheres com idade entre16 e 45 anos, a maioria delas de origem latina, afro-americana e caribenha. Primeira conclusão é que na busca por se sentirem, artificialmente, mais limpas e atraentes, principalmente após as relações sexuais e as menstruações, as mulheres recorrem a diversos produtos comerciais, cuja segurança é pouco documentada. Dentre os produtos caseiros, a diluição do vinagre em água é a campeã de preferência, ainda que isto seja contra-indicado, por exemplo, na candidíase vaginal. Neste caso é como colocar lenha na fogueira. 

          A segunda conclusão é de que as mulheres que usam e abusam das duchas acreditam firmemente na segurança e benefício do procedimento. Mas que elas estão dispostas a abandonar a prática se forem orientada pelos seus médicos. Isto mesmo, se o médico desencorajar a mulher a usar as duchas, elas muitas vezes acatam a orientação.

           Bem para isto elas vão ter que acreditar que não se melhora, artificialmente, o que já é belo e perfeito por natureza. (Mckee, Baquero, Fletcher, 2009. Women & Health)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h39

03/12/2009

O efeito placebo existe?

 Um estudo recente mostra que o efeito placebo pode estar relacionado a certas características da paciente e do médico e traz uma grande contribuição para o tratamento de algumas doenças, como por exemplo a Síndrome do Intestino Irritável.

 Você acha que a relação médico-paciente influencia a cura da doença?  Clique aqui para votar  

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         Você acredita em efeito placebo?. Efeito placebo é a melhora clínica obtida com uso de medicamentos sem ação terapêutica confirmada. Sua existência é aceita por muitos profissionais, mas o assunto é controverso. Pois bem, um estudo realizado nos Estados Unidos se propôs a esclarecer a questão, avaliando a eficácia do efeito placebo no tratamento da Síndrome do Intestino Irritável, que é uma afecção muito comum, que causa grande desconforto nos pacientes. Eles sofrem de diarréia e/ou obstipação, com cólicas abdominais. Não existe uma explicação muito clara para o problema, mas aceita-se uma importante participação do estresse.

           Para isto, quase 300 pacientes foram divididos em 3 grupos: um grupo que não recebeu nenhum tratamento, mas que foi orientado a esperar uma vaga para iniciar o tratamento; um grupo que recebeu  sessões de acupuntura placebo e um terceiro grupo, que recebeu o mesmo tipo de tratamento, mas com uma relação médico-paciente mais próxima e afetiva. Nas sessões de acupuntura placebo a introdução de agulhas não perfura a pele, já que um dispositivo apropriado a retrai e a o paciente não percebe. Após 3 meses de tratamento os grupos responderam questionários sobre os sintomas e sobre a relação com o profissional. Os resultados mostram que os 3 grupos apresentaram melhora clínica. O primeiro deles melhorou provavelmente pela expectativa de vir a ser tratado posteriormente e pela atenção recebida da equipe. O segundo melhorou apesar da atuação do profissional de saúde. Mas a melhora mais significativa ocorreu no terceiro. Neste grupo, os participantes mostraram grande satisfação com o desempenho do médico.

          O estudo confirma a existência do efeito placebo e sugere que dois fatores estão associados a ele, melhorando inclusive sua eficácia. A primeira são determinadas características da paciente, como por exemplo, ser mulher, estar aberta a novas experiências, ser afável e principalmente ser extrovertida. A segunda e talvez mais importante é uma boa relação com o médico. Neste caso espera-se que ele seja simpático e sensível aos sentimentos do paciente, isento de julgamentos, facilitador do diálogo e interessado nas histórias e significados atribuídos á doença. No grupo de tratamento onde os médicos adotaram um comportamento menos afetivo, sendo mais frios, racionais, burocráticos, falando pouco e didaticamente, com pouco interesse nas explicações dos pacientes, o efeito placebo foi menos evidente.

          A hipótese é que na relação médico-paciente ideal ocorra redução do estresse, com conseqüente melhora do sistema imune e diminuição da sensibilidade dolorosa, tudo isso mediado por hormônios e endorfinas. Novos estudos são necessários para confirmar estas hipóteses, incluindo pesquisas com outras doenças e com períodos mais longos de acompanhamento dos casos. Por enquanto o resultado é tudo de bom. E se for aplicável e verdadeiro para outros problemas, ele coloca o paciente que não está melhorando  e não está muito feliz com seu médico diante de um dilema: continuar doente ou mudar de médico (Kelley et al, 2009. Psychosomatic Medicine )

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h48

30/11/2009

O tipo de trabalho dos pais não afeta a cabeça dos filhos adolescentes

 Existe uma grande preocupação dos pais com a "cabeça" dos filhos adolescentes; se eles estão saudáveis, de bom humor, etc, etc. . Pais que trabalham em horários pouco habituais podem se sentir ainda mais preocupados

 Você mudaria seu horário de trabalho apenas para cuidar mais de perto do seu filho adolescente?  Faça seu comentário  

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

  

          Se você e seu marido trabalham em horários pouco habituais e estão preocupados com a cabeça do seu filho adolescente, esqueçam. Como eles mesmos dizem: desencanem. Vem aí uma boa, ou melhor dizendo, uma ótima notícia. Isto se você é casada. Um estudo realizado na Austrália mostrou que o impacto do tipo do trabalho dos pais sobre a saúde mental dos filhos adolescentes é mínimo. Na pesquisa, os autores estudaram diversos parâmetros de bem estar e estado psicológico de mais de 1300 jovens com idade entre 15 e 20 anos para saber qual o grau de influência da jornada de trabalho dos pais biológicos, casados ou separados.

          O tipo de trabalho foi classificado em habitual, durante o dia ou não habitual, quando se tratava de trabalhos noturnos, plantões que alternam dia e noite, entre os outros. Uma jornada que é muito comum a muitos casais, que estão em diversas atividades, como por exemplo, na área da saúde, indústria, segurança, etc. As explicações para o resultado é que adolescentes já não dependem tanto dos pais e que no caso dos dois trabalharem em horários atípicos sempre haverá um por perto, o que minimiza o problema.

          Até aqui tudo bem, mas a situação se complica se você ou seu ex-marido cuida sozinha/sozinho do seu filho. Neste caso há maior risco dele apresentar problemas psicológicos. Nos casos de pais separados que têm carga horária atípica, a explicação para o transtorno emocional do adolescente pode estar localizada mesmo na ausência de um dos genitores, em casa. Mas para as mães existe uma atenuante. Os pesquisadores observaram que nestas condições de trabalho, ainda assim, as mulheres conseguiram se desdobrar e passar mais tempo com seus filhos. Coisa que não aconteceu com os homens. Mas eles também têm uma desculpa: os autores sugerem que importa mais a qualidade do tempo gasto com os filhos do que o tempo em si.

          Então, se não é possível ficar muito tempo com os filhos adolescentes, quando for, faça o que eles mesmos sempre dizem: “se liga veio”. (Dockery, Li, Kendall, 2009. Social Science & Medicine ).  

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h18

26/11/2009

Complascência sexual: você é complascente sexualmente?

 Você pode não saber exatamente o que é e assim mesmo já ter praticado. Complascência sexual é “aceitar praticar sexo voluntariamente mesmo sem desejar ou estar motivada”. Um estudo recente investiga se a complascência sexual feminina ajuda na relação com o parceiro

 Qual a sua opinião sobre a complascência sexual no relacionamento ?  Clique aqui para votar

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          Você pode não saber exatamente o que é e assim mesmo já ter praticado. Complascência sexual é definida como “aceitar praticar sexo voluntariamente mesmo sem desejar ou estar motivada”. Parece familiar?. Bem, um estudo com quase 200 jovens universitárias, americanas, casadas, com média de idade de 19 anos, procurou avaliar a frequencia e os fatores associados à esta modalidade de atividade sexual. As participantes responderam a diversos questionários que abordavam temas como os papéis femininos, romantismo, bem-estar na relação e cometimento com a relação conjugal. O desfecho principal era ter realizado alguma prática sexual, sexo oral, anal ou vaginal, com o parceiro, sem estar a fim, ou seja, apenas para atender a demanda dele. E os motivos, no caso de ter consentido também foram analisados e divididos em 2 grupos: um, “para evitar conflito” e dois, “para ganhar proximidade”. Como exemplos do primeiro grupo foram obtidas as seguintes respostas: “fiz para evitar que ele fique irritado” ou “que ele perca o interesse em mim”. Como exemplos do segundo grupo foram mencionadas frases como: “ fiz para mostra meu amor” ou “para promover nossa intimidade”.

          Vamos aos resultados que são muito interessantes. Primeiro, 37% das jovens disseram que eram ou pelo menos haviam sido complacentes sexualmente. Segundo, mulheres complacentes fazem grande investimento no papel feminino, o que inclui um ideal de submissão e passividade para atender às normas sociais, em geral, e dos homens, em particular. Um modelo que beira o sacrifício.

           Mas aí começam as más notícias. O comportamento complascente não melhora em nada o romantismo. Pelo contrário, a mulher complascente está menos satisfeita e refere menor comprometimento com a relação, na comparação com as mulheres que não fazem sexo quando não estão com vontade. A mulher pode até dizer que fará sexo sem querer para se sentir mais próxima, mas no final das contas isto não funciona.

           A verdade é que a mulher que opta por fazer sexo só para não contrariar o parceiro, ao invés de fomentar o romantismo, pode, sim, deteriorar a relação. Pelo contrário, a satisfação da mulher no relacionamento pode ser melhorada quando ela pode tomar decisões, incluindo as sexuais, sem medo de conflito, da hostilidade do parceiro e de falhar em atender às expectativas irreais de mulher perfeita e ideal. Ou seja, as mulheres devem se sentir livres para dizer não para seus parceiros. Mas eu imagino que muitos homens casados a esta altura devem estar pensando “ai ai ai meu Deus....” (Katz & Tirone, 2009. Sex Roles)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h44

23/11/2009

Honestidade: a explicação está no funcionamento cerebral?

 Compreender o que leva uma pessoa a se comportar honestamente é uma tarefa complicada. Mas, um estudo recente investiga uma curiosa explicação: o funcionamento cerebral 

 Na sua opinião, o que determina a honestidade da pessoa?  Faça o seu comentário

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         O que faz as pessoas se comportarem honestamente quando elas tem a possibilidade de serem recompensadas economicamente por atitudes desonestas ?. A resposta a esta indagação deve interessar todas as pessoas em geral, mas, particularmente, as mulheres que procuram seu par e consideram a honestidade um pré-requisito fundamental. Pois bem, um estudo científico realizado pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, se propõe a responder esta questão usando sofisticada técnica de imagens cerebrais e um curioso tipo de experimento. Mas antes, uma breve revisão do que se pensa sobre o assunto.

          Pesquisas que abordam a interação entre autocontrole e comportamentos automáticos por ocasião da tomada de uma decisão sugerem duas hipóteses. A primeira é que a honestidade resulta da resistência ativa de ceder à tentação, o que se encaixa com a idéia de controle por meio de processos cognitivos que possibilitam a obtenção da satisfação num momento posterior. Mas não imediatamente. A outra é que a honestidade resulta da ausência de tentação, o que reforça a tese de que os processos automáticos de tomada de decisão e de comportamento dependem da presença ou ausência destes processos automáticos. Ou seja, a pessoa tem ou não tem este tipo de funcionamento.

          Na pesquisa em questão foi elaborado um tipo de jogo no computador onde os 35  participantes recebiam recompensas financeiras por seus acertos. Como o jogo se baseava em apostas e cálculo de probabilidades era possível estimar quando os jogadores estavam agindo desonestamente. Os pesquisadores elaboraram uma “historiazinha” para justificar que o comportamento desonesto era um sub-produto do jogo e seria, vamos dizer  assim, aceitável.  Os participantes também se submeteram a uma ressonância magnética funcional para mapear a atividade cerebral. Sem entrar nos detalhes técnicos das análises das imagens obtidas e mesmo nas limitações deste tipo de investigação, o que vai interessar e gerar polêmica são os resultados. Indivíduos que se comportam honestamente não exibiam atividades adicionais de controle quando escolhiam este tipo de comportamento. Por outro lado, indivíduos que se comportavam desonestamente exibiam aumento das atividades cerebrais de controle, quando decidiam agir desonestamente. Isto também ocorria nas ocasiões em que se seguravam para não serem “trambiqueiros”. Incrível.

          Bem, se a moda pega, dentro em breve as mulheres vão cobrar dos candidatos a futuro parceiro uma pequena lista que incluirá: muito amor, carinho, apoio, dedicação e uma ressonância magnética.  (Greene & Paxton, 2009. PNAS)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h06

18/11/2009

Casamento: menos experiências antes, mais satisfação durante ?

 Sentir-se contente e satifeita com o casamento é uma conquista, nem sempre muito fácil das pessoas. Um estudo questiona se o número de experiências sexuais prévias ao casamento ajuda ou atrapalha a satisfação conjugal  

 Você acha que o maior número de experiências sexuais antes do casamento é um fator relevante para a felicidade conjugal?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Um pequeno, mas interessantíssimo estudo, realizado na Lituânia vai causar polêmica entre homens e mulheres, casados e para aqueles que pensam em se casar. Principalmente, se eles já tiveram vários parceiros sexuais. É isto mesmo. Se eles já “namoraram” bastante antes do casamento. Mas, falando de sexo, vamos às preliminares. 41 casais, com em média 18 anos de união, responderam a questionários sobre satisfação conjugal, histórico sexual e experiência de coabitação, ou seja, de pelo menos uma vez ter vivido com alguém.

          De acordo com os resultados não houve associação entre vida sexual prévia ao casamento e satisfação conjugal, tanto para homens como para mulheres. No entanto, para as mulheres, o início precoce da atividade sexual e maior número de parceiros estavam sim associados à menor bem estar marital. Já para os homens os fatores associados com menor satisfação conjugal eram: ter morado com alguém e também ter tido maior número de parceiras. Como se observa, maior número de relacionamentos sexuais antes do casamento, tanto para homens quanto para mulheres, não rola bem com felicidade conjugal.

          Para os pesquisadores, as explicações possíveis são: primeiro, as características da própria pessoa. Neste caso, o homem ou a mulher com mais parceiros tem visão casual do sexo enfatizam mais prazer pessoal do que a responsabilidade social e tem menor compromisso com relação atual. Segundo, uma vida sexual muito intensa, previamente, pode mudar o jeito da pessoa ver as coisas e valorizar demais a função sexual no casamento. Finalmente, neste caso, a pessoa com quem se está casado, por exemplo, se for a mulher, pode se sentir insegura ou ciumenta com o fantasma das antigas concorrentes.

        O estudo tem algumas limitações: as informações se baseiam em memórias de fatos acontecidos há muito tempo e o número de participantes, oriundos de um país recém-saído do regime comunista, é pequeno. Mas os resultados são no mínimo curiosos e se forem verdadeiros sugerem que maior número de relacionamentos prévios, menor o nível de satisfação conjugal. Ou vice-versa, menos aventuras antes de se casar, maior bem estar conjugal.

         Minha pergunta é: alguém aí gostou destas conclusões?  (Legkauskas & Stankeviciene, 2009. Sex Roles).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h56

15/11/2009

Medicina alternativa: você é contra ou a favor?

  As terapias alternativas em medicina vem ganhando terreno em diversos países, incluindo o Brasil. Em comum,  elas objetivam diminuir os sintomas a partir do aumento da capacidade mental.  

 Você é contra ou a favor da chamada "medicina alternativa" ?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Você anda cansada de médicos e dos tratamentos médicos convencionais? Mais ainda, você pensa em usar métodos de cura alternativa? Se a resposta é sim, não precisa ficar culpada, pois você não está sozinha. Pelo contrário, você está na companhia de muita gente. Um estudo recente estima que 16% dos americanos usaram pelo menos um tipo de medicina alternativa ou complementar no período dos últimos 12 meses. Terapias denominadas alternativas, ou terapias de mente e corpo, incluem práticas curativas têm uma intenção comum: aumentar a capacidade da mente em afetar a função corporal e sintomas. Práticas que incluem meditação, yoga, tai chi chuan, etc. Na pesquisa em questão, mais de 5000 usuários de tratamentos alternativos, responderam a questões sobre as indicações e efetividade dessas práticas. E para eles, os resultados são muito bons.

          Primeiro, estas técnicas são mais utilizadas para problemas músculo-esqueléticos, ansiedade e quadros dolorosos. Segundo mais de 50% dos usuários da medicina alternativa a empregavam conjuntamente com os tratamentos médicos convencionais.  Mas, 20% recorriam a estas práticas para tratar problemas médicos, para os quais a medicina tradicional não funciona, segundo a opinião deles, obviamente. Mas o resultado mais interessante é a alta percepção da efetividade do tratamento alternativo: ela varia entre 70 e 90% para os usuários. Ou seja, eles acreditam no que estão fazendo. Mas segundo, os médicos convencionais, não os alternativos, é claro, as razões para este beneficio não são claras e podem ser atribuídas a efeitos fisiológicos, psicológicos. Até mesmo ao chamado efeito placebo. É certo também que consideram o tratamento benéfico não significa que ele seja efetivo. Mas parecer que isto não importa muito para quem é “zen”, “cool”, “light”, alternativo.

        Pelo menos, eles podem se defender atacando e nos lembrando a partir de muitos exemplos históricos, a medicina é uma ciência de verdades transitórias: "o que é verdade hoje, pode ser mentira amanhã". (Bertisch et al. 2009. J Pshycho Res).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h36

13/11/2009

Dieta para prevenção do câncer: mais dúvidas do que certezas

 Neste segundo post, vamos discutir o impacto da dieta na prevenção do câncer. Infelizmente, as evidências  científicas são ao mesmo tempo escassas e conflitantes. 

 Qual a sua opinão sobre o ditado popular "o que não mata, engorda"?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

               Outro dia nós comentamos uma recente publicação da revista “Nature” sobre as pesquisas na área da prevenção do câncer e enfatizamos as recomendações da OMS para esta finalidade: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, evitar o sobrepeso, ter uma dieta balanceada, evitar contato com a poluição urbana, tratar as doenças sexualmente transmissíveis, em particular o HPV e fazer dieta equilibrada. Isto mesmo, uma das recomendações é dieta balanceada, rica em vegetais e fibras. Mas aí, o autor levanta dois problemas. O primeiro é que a porcentagem de pessoas que comem cinco porções de frutas e verduras por dia, o indicado pela OMS, é desapontador. Pelo contrario, até 5% dos americanos comem uma porção diária ou menos, ou seja, nenhuma fruta ou vegetal.

               O segundo e mais preocupante é que os estudos científicos têm apresentado resultados conflitantes. Os chamados Ensaios Clínicos Randomizados, tipo de pesquisa em que grupos de indivíduos semelhantes, são submetidos a um tipo de dieta ou não, e são monitorados ao longo dos anos para surgimento do câncer, são escassos e raros. E quando eles existem, os resultados decepcionam. Para ficar apenas num exemplo, mudança no padrão de dieta não melhora o propósito de mulheres que tinham câncer de mama em fase inicial.

              Uma explicação é que estudos sobre nutrição e câncer são complexos, caros e demandam controle de muitas variáveis, tão ou mais importantes para o surgimento do câncer como, por exemplo, o tabagismo e uso do álcool. E fica difícil acreditar que um tipo de fruta vegetal ou fibra, seja ela graviola, granola, chuchu ou linhaça, pode ter isoladamente este poder mágico de prevenir o câncer. Sorte de quem não gosta de nenhuma delas. E para quem não se preocupa com isto e é fã de dieta farta e desbalanceada, com muita cerveja e costelinha de porco, resta, pelo menos, uma advertência: "o que não mata, engorda". (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h03

09/11/2009

Prevenção do câncer: o que funciona?

Em  2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. Admite-se que 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Vale a pena saber como, neste e no próximo texto.  

 Você conhece algumas das medidas consideradas efetivas na prevenção do câncer?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

A estimativa impressiona. Em 2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. O dado é ainda mais dramático se considerarmos que até 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Mas para não falarmos do que vai ocorrer daqui a 20 anos, o que pode parecer meio distante, em 2004, no mundo inteiro, cerca de 2.5 milhões de mortes por câncer poderiam não ter ocorrido se medidas preventivas fossem adotadas. Pois bem, um artigo publicado no periódico “Nature” faz uma análise crítica e muito interessante da pesquisa mundial na área da prevenção em câncer, enfocando, em particular, a questão da dieta, que será tema de outro bate-papo. Mas para começar, ficamos com um registro histórico do primeiro cientista a observar que freiras não morriam de câncer do colo uterino, revelando a associação entre este tipo de câncer e a atividade sexual. Isto em 1713. Quase 300 anos depois, na busca da origem e consequentemente da prevenção do câncer, as evidências cientificas apontam para a confluência de três fatores: genéticos, ambientais e comportamentais. Para permitir uma melhor compreensão desta interação de fatores basta imaginar três círculos concêntricos. Se a pessoa está no centro, ela tem um grande risco de vir a ter câncer. Se ela esta na periferia de um dos círculos, o risco é bem menor. Para dar um exemplo de câncer na mulher, sabe-se que a mulher que tem câncer de mama na família, mãe ou irmãs, tem risco aumentado de vir a ter o problema. Mas este risco é maior na comparação com mulher que além do risco genético, tem outros fatores de risco, tais como, reposição hormonal, ausência de aleitamento, idade da primeira e ultima menstruação, etc. Tendo isto em mente, todo o esforço na prevenção do câncer será centrado em identificar os fatores genéticos comportamentais e ambientais e atuar neles sempre que possível, de preferência, precocemente. Cada tipo de câncer é uma historia a parte, bem como cada individuo e único. Mas vale destacar as estratégias a que a OMS considera importantes na prevenção deste problema: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, dieta equilibrada, evitar o sobrepeso, evitar contato com a poluição urbana e tratar as doenças sexualmente transmissíveis tais como o HPV. Aqueles que duvidam das descobertas científicas vão dizer que estas práticas não garantem que a pessoa não terá câncer. Mas, pelo menos, enquanto a pessoa viver, ela terá, com certeza, uma vida bem mais saudável. (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h50

04/11/2009

Plástica em jovens: o que leva a adolescente a se submeter à cirurgia plástica?

As cirurgias plásticas estão se tornando cada vez mais comuns em adolescentes, principalmente entre as meninas. Conhecer os motivos deste fenômeno  é importante para os pais e para as próprias adolescentes

Você aceitaria com naturalidade um pedido de cirurgia plástica da sua filha(filho)?  Clique aqui para votar

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

Há algum tempo, a cirurgia plástica deixou de ser prerrogativa de pessoas abonadas e mais velhas. Há atualmente um crescente interesse de mulheres jovens em se submeterem a algum tipo de cirurgia plástica. No USA, em 2007, mais de 200 mil jovens entre 13 e 19 anos, realizaram algum tipo de plástica. No Brasil, o mesmo tipo de fenômeno está ocorrendo. Conhecer os fatores que se associam ao interesse na realização da cirurgia plástica em mulheres jovens foi o objetivo de um estudo realizado na Filadélfia. Para isso, 101 mulheres com idade média de 20 anos, estudantes, responderam a questionários e declararam seu interesse em sete tipos diferentes de plástica, tais como, lipoaspiração, elevação das nádegas, aumento ou redução das mamas. 43% das participantes desejavam fazer uma plástica, sendo que lipoaspiração e plástica abdominal eram as mais citadas. Mas e quanto os fatores que influenciam este desejo por plástica? Bem, ai o estudo traz interessantes revelações. Primeiro, o nível de insatisfação com o próprio corpo é mais importante do que o peso corporal, ou em outros termos, é fundamental entender como a mulher se sente mais do que saber quanto ela pesa. Segundo, outras variáveis exercem forte influencia na decisão de fazer uma plástica, entre elas, a suscetibilidade às mensagens da mídia e histórico de ter sofrido chacotas no âmbito social. Isso mesmo, quanto mais influenciado pelos tipos de mídia e quanto mais frequente receber “gozações” sobre o corpo, maior a expectativa da jovem realizar uma cirurgia plástica. A hipótese da pesquisa é que as variáveis, peso corporal, suscetibilidade às mensagens midiáticas e sofrer com chacotas sobre o corpo, se articulam com o nível de insatisfação com o próprio corpo e consequentemente, com o desejo de fazer uma cirurgia plástica. O artigo termina com um alerta. Se para algumas jovens a cirurgia estética pode ter benefícios, é possível que para muitas outras o efeito seja exatamente o oposto, ou seja, mais insatisfação com a imagem corporal, e novas tentativas de alcançar um ideal de beleza que é inalcançável. Elas podem continuar tentando, mas deste jeito elas jamais vão chegar lá. (Markey & Markey, 2009. Sex Roles 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h33

29/10/2009

Gripe na gravidez aumenta o risco de esquizofrenia?

Um estudo americano mostra que existe associação entre gripe (influenza B) na gravidez e esquizofrenia na  vida  adulta. Mas estas conclusões não são definitivas e as gestantes, que já estão atentas à gripe suína, não precisam ficar ainda mais preocupadas.  

Como você encara a gripe suína?  Clique aqui para votar

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Um estudo realizado nos Estados Unidos vai atrapalhar o sono de algumas gestantes. Principalmente, se elas estiveram gripadas. É isso mesmo: gripadas. A pesquisa, um estudo do tipo caso-controle, avaliou 111 casos de adultos com diagnósticos psiquiátricos de esquizofrenia e psicose que foram comparados a 333 controles, adultos saudáveis que apresentavam as mesmas características de faixa etária, etnia, sexo e hospital ao nascer. Para todos os participantes foi avaliada a exposição ao vírus da gripe influenza B, por meio da análise do soro materno que estava estocado. Resultado: A exposição ao vírus da gripe durante a gestação se associou com aumento de 70% na chance de receber diagnóstico de esquizofrenia na idade adulta. Mais ainda, o contato intra-uterino com o vírus também se associou com redução da capacidade cognitiva dos indivíduos que foram selecionados como casos aos sete anos de idade. A hipótese da pesquisa é que fatores genéticos e/ou ambientais associados com psicose podem tornar o cérebro fetal mais vulnerável aos efeitos do vírus influenza. Em tempos de gripe suína, muita gente pode ficar alarmada. Mas esse não é o caso. Os próprios autores admitem a necessidade de novos estudos para entender o impacto do vírus no surgimento da esquizofrenia e de outras seqüelas neurológicas e psicológicas. Que alívio para as gestantes que porventura fiquem gripadas, ao longo da gravidez. Elas podem continuar falando: “não é nada, é só uma gripezinha” (Ellman et al, Biological Psychiatry 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h52

26/10/2009

Crenças sobre quimioterapia

A quimioterapia evoluiu enormemente em todas especialidades médicas, mas algumas crendices sobre este tratamento persistem

O que você acha da expressão "o que não mata, cura" usada para explicar os efeitos benéficos de muitos tratamentos médicos?  Clique aqui para votar

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Aposto que você já escutou a expressão “o que não mata, cura”. Na língua inglesa, sua variante é “aquilo que quase mata, funciona”. Pois bem, um estudo qualitativo canadense observou que este tipo de crença está presente em pacientes que fazem quimioterapia para tratamento de câncer. E isto não traz nenhum benefício para os pacientes. Durante 8 meses os pesquisadores acompanharam um grupo de suporte aos pacientes para entender os múltiplos sentidos e significados atribuídos ao câncer e seu tratamento. Como todos sabem, o câncer é uma doença carregada de significações culturais. Já a percepção dos pacientes quanto ao tratamento é bem menos conhecida. Neste caso o tratamento em questão foi a quimioterapia, que em todas as especialidades médicas evoluiu enormemente ao longo dos anos, resultando em maior eficácia e menos efeitos colaterais. No entanto, ela ainda está associada, no imaginário popular, ao sofrimento e danos quase irreversíveis. É aquela velha idéia de que “o que é bom tem que quase matar” ou que “se não mata, cura”. É evidente que isto causa grande ansiedade nas pessoas que precisam se submeter ao tratamento. Ou seja, um prejuízo emocional para quem já tem que enfrentar a dura tarefa de vencer o câncer. Isto sem contar a possibilidade da pessoa, que não apresenta efeitos colaterais, acreditar que o tratamento não está funcionando. Um dos aspectos negativos desta história é que, infelizmente, nem sempre os profissionais de saúde e suas equipes estão atentos às questões culturais e simbólicos envolvidos com o adoecimento, seja ele por câncer ou não. Deste modo, os profissionais ajudam a manter vivas crenças e crendices, que, estas sim, deveriam morrer.  (Bell, 2009. Social Science & Medicine)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h25

24/10/2009

A vivência da menopausa em executivas é diferente

Existem diversos fatores biológicos e psicosociais que influenciam a experiência da menopausa

Você acha que as mulheres executivas vivenciam a menopausa de um jeito diferente? 

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Como a menopausa afeta a vida das mulheres executivas? Será que os sintomas decorrentes do fim das regras diferem em função do tipo de trabalho das mulheres?. Esta intrigante questão foi, parcialmente, respondida por um estudo americano que avaliou mais de 900 mulheres, todas executivas, com idade igual ou superior a 35 anos. Mais de 50% delas estavam passando ou haviam passado pela menopausa. Vamos aos resultados: a maioria das mulheres estava vivenciando as alterações decorrentes da menopausa, sendo que 95% apresentavam sintomas físicos, como ondas de calor e ressecamento vaginal. Sintomas emocionais tais como irritação, nervosismo e perda de concentração foram bastante comuns. Dentre as mulheres que apresentavam sintomas, muitas os referiam como bastante intensos a ponto de prejudicarem suas atividades profissionais, sociais e familiares. Um dado muito interessante foi a observação de que mulheres executivas também tem dúvidas sobre os benefícios e riscos da TRH, a terapia de reposição hormonal. Este tratamento para os sintomas menopáusicos suscita várias dúvidas e temores, mesmo em mulheres que podem se beneficiar do seu uso Elas não sabem, por exemplo, a diferença entre os esquemas e doses hormonais dos diferentes regimes de tratamento. O fato é que desde que resultados de pesquisas destacaram os riscos da TRH houve declínio no número de usuárias de reposição hormonal. E assim muitas delas continuam sofrendo. Desnecessariamente. Já que um tratamento cauteloso e bem indicado funciona muito bem. Isto não quer dizer que todas as mulheres menopausadas devam iniciar já sua reposição hormonal. Sejam elas executivas ou donas de casa.  (Simon & Reape, 2009. Menopause)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 08h53

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa “Olha Você” do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP - FM 93.7. Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.