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Blog do Dr. Alexandre Faisal

23/11/2009

Honestidade: a explicação está no funcionamento cerebral?

 Compreender o que leva uma pessoa a se comportar honestamente é uma tarefa complicada. Mas, um estudo recente investiga uma curiosa explicação: o funcionamento cerebral 

 Na sua opinião, o que determina a honestidade da pessoa?  Faça o seu comentário

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

         O que faz as pessoas se comportarem honestamente quando elas tem a possibilidade de serem recompensadas economicamente por atitudes desonestas ?. A resposta a esta indagação deve interessar todas as pessoas em geral, mas, particularmente, as mulheres que procuram seu par e consideram a honestidade um pré-requisito fundamental. Pois bem, um estudo científico realizado pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, se propõe a responder esta questão usando sofisticada técnica de imagens cerebrais e um curioso tipo de experimento. Mas antes, uma breve revisão do que se pensa sobre o assunto.

          Pesquisas que abordam a interação entre autocontrole e comportamentos automáticos por ocasião da tomada de uma decisão sugerem duas hipóteses. A primeira é que a honestidade resulta da resistência ativa de ceder à tentação, o que se encaixa com a idéia de controle por meio de processos cognitivos que possibilitam a obtenção da satisfação num momento posterior. Mas não imediatamente. A outra é que a honestidade resulta da ausência de tentação, o que reforça a tese de que os processos automáticos de tomada de decisão e de comportamento dependem da presença ou ausência destes processos automáticos. Ou seja, a pessoa tem ou não tem este tipo de funcionamento.

          Na pesquisa em questão foi elaborado um tipo de jogo no computador onde os 35  participantes recebiam recompensas financeiras por seus acertos. Como o jogo se baseava em apostas e cálculo de probabilidades era possível estimar quando os jogadores estavam agindo desonestamente. Os pesquisadores elaboraram uma “historiazinha” para justificar que o comportamento desonesto era um sub-produto do jogo e seria, vamos dizer  assim, aceitável.  Os participantes também se submeteram a uma ressonância magnética funcional para mapear a atividade cerebral. Sem entrar nos detalhes técnicos das análises das imagens obtidas e mesmo nas limitações deste tipo de investigação, o que vai interessar e gerar polêmica são os resultados. Indivíduos que se comportam honestamente não exibiam atividades adicionais de controle quando escolhiam este tipo de comportamento. Por outro lado, indivíduos que se comportavam desonestamente exibiam aumento das atividades cerebrais de controle, quando decidiam agir desonestamente. Isto também ocorria nas ocasiões em que se seguravam para não serem “trambiqueiros”. Incrível.

          Bem, se a moda pega, dentro em breve as mulheres vão cobrar dos candidatos a futuro parceiro uma pequena lista que incluirá: muito amor, carinho, apoio, dedicação e uma ressonância magnética.  (Greene & Paxton, 2009. PNAS)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h06

18/11/2009

Casamento: menos experiências antes, mais satisfação durante ?

 Sentir-se contente e satifeita com o casamento é uma conquista, nem sempre muito fácil das pessoas. Um estudo questiona se o número de experiências sexuais prévias ao casamento ajuda ou atrapalha a satisfação conjugal  

 Você acha que o maior número de experiências sexuais antes do casamento é um fator relevante para a felicidade conjugal?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Um pequeno, mas interessantíssimo estudo, realizado na Lituânia vai causar polêmica entre homens e mulheres, casados e para aqueles que pensam em se casar. Principalmente, se eles já tiveram vários parceiros sexuais. É isto mesmo. Se eles já “namoraram” bastante antes do casamento. Mas, falando de sexo, vamos às preliminares. 41 casais, com em média 18 anos de união, responderam a questionários sobre satisfação conjugal, histórico sexual e experiência de coabitação, ou seja, de pelo menos uma vez ter vivido com alguém.

          De acordo com os resultados não houve associação entre vida sexual prévia ao casamento e satisfação conjugal, tanto para homens como para mulheres. No entanto, para as mulheres, o início precoce da atividade sexual e maior número de parceiros estavam sim associados à menor bem estar marital. Já para os homens os fatores associados com menor satisfação conjugal eram: ter morado com alguém e também ter tido maior número de parceiras. Como se observa, maior número de relacionamentos sexuais antes do casamento, tanto para homens quanto para mulheres, não rola bem com felicidade conjugal.

          Para os pesquisadores, as explicações possíveis são: primeiro, as características da própria pessoa. Neste caso, o homem ou a mulher com mais parceiros tem visão casual do sexo enfatizam mais prazer pessoal do que a responsabilidade social e tem menor compromisso com relação atual. Segundo, uma vida sexual muito intensa, previamente, pode mudar o jeito da pessoa ver as coisas e valorizar demais a função sexual no casamento. Finalmente, neste caso, a pessoa com quem se está casado, por exemplo, se for a mulher, pode se sentir insegura ou ciumenta com o fantasma das antigas concorrentes.

        O estudo tem algumas limitações: as informações se baseiam em memórias de fatos acontecidos há muito tempo e o número de participantes, oriundos de um país recém-saído do regime comunista, é pequeno. Mas os resultados são no mínimo curiosos e se forem verdadeiros sugerem que maior número de relacionamentos prévios, menor o nível de satisfação conjugal. Ou vice-versa, menos aventuras antes de se casar, maior bem estar conjugal.

         Minha pergunta é: alguém aí gostou destas conclusões?  (Legkauskas & Stankeviciene, 2009. Sex Roles).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h56

15/11/2009

Medicina alternativa: você é contra ou a favor?

  As terapias alternativas em medicina vem ganhando terreno em diversos países, incluindo o Brasil. Em comum,  elas objetivam diminuir os sintomas a partir do aumento da capacidade mental.  

 Você é contra ou a favor da chamada "medicina alternativa" ?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Você anda cansada de médicos e dos tratamentos médicos convencionais? Mais ainda, você pensa em usar métodos de cura alternativa? Se a resposta é sim, não precisa ficar culpada, pois você não está sozinha. Pelo contrário, você está na companhia de muita gente. Um estudo recente estima que 16% dos americanos usaram pelo menos um tipo de medicina alternativa ou complementar no período dos últimos 12 meses. Terapias denominadas alternativas, ou terapias de mente e corpo, incluem práticas curativas têm uma intenção comum: aumentar a capacidade da mente em afetar a função corporal e sintomas. Práticas que incluem meditação, yoga, tai chi chuan, etc. Na pesquisa em questão, mais de 5000 usuários de tratamentos alternativos, responderam a questões sobre as indicações e efetividade dessas práticas. E para eles, os resultados são muito bons.

          Primeiro, estas técnicas são mais utilizadas para problemas músculo-esqueléticos, ansiedade e quadros dolorosos. Segundo mais de 50% dos usuários da medicina alternativa a empregavam conjuntamente com os tratamentos médicos convencionais.  Mas, 20% recorriam a estas práticas para tratar problemas médicos, para os quais a medicina tradicional não funciona, segundo a opinião deles, obviamente. Mas o resultado mais interessante é a alta percepção da efetividade do tratamento alternativo: ela varia entre 70 e 90% para os usuários. Ou seja, eles acreditam no que estão fazendo. Mas segundo, os médicos convencionais, não os alternativos, é claro, as razões para este beneficio não são claras e podem ser atribuídas a efeitos fisiológicos, psicológicos. Até mesmo ao chamado efeito placebo. É certo também que consideram o tratamento benéfico não significa que ele seja efetivo. Mas parecer que isto não importa muito para quem é “zen”, “cool”, “light”, alternativo.

        Pelo menos, eles podem se defender atacando e nos lembrando a partir de muitos exemplos históricos, a medicina é uma ciência de verdades transitórias: "o que é verdade hoje, pode ser mentira amanhã". (Bertisch et al. 2009. J Pshycho Res).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h36

13/11/2009

Dieta para prevenção do câncer: mais dúvidas do que certezas

 Neste segundo post, vamos discutir o impacto da dieta na prevenção do câncer. Infelizmente, as evidências  científicas são ao mesmo tempo escassas e conflitantes. 

 Qual a sua opinão sobre o ditado popular "o que não mata, engorda"?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

               Outro dia nós comentamos uma recente publicação da revista “Nature” sobre as pesquisas na área da prevenção do câncer e enfatizamos as recomendações da OMS para esta finalidade: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, evitar o sobrepeso, ter uma dieta balanceada, evitar contato com a poluição urbana, tratar as doenças sexualmente transmissíveis, em particular o HPV e fazer dieta equilibrada. Isto mesmo, uma das recomendações é dieta balanceada, rica em vegetais e fibras. Mas aí, o autor levanta dois problemas. O primeiro é que a porcentagem de pessoas que comem cinco porções de frutas e verduras por dia, o indicado pela OMS, é desapontador. Pelo contrario, até 5% dos americanos comem uma porção diária ou menos, ou seja, nenhuma fruta ou vegetal.

               O segundo e mais preocupante é que os estudos científicos têm apresentado resultados conflitantes. Os chamados Ensaios Clínicos Randomizados, tipo de pesquisa em que grupos de indivíduos semelhantes, são submetidos a um tipo de dieta ou não, e são monitorados ao longo dos anos para surgimento do câncer, são escassos e raros. E quando eles existem, os resultados decepcionam. Para ficar apenas num exemplo, mudança no padrão de dieta não melhora o propósito de mulheres que tinham câncer de mama em fase inicial.

              Uma explicação é que estudos sobre nutrição e câncer são complexos, caros e demandam controle de muitas variáveis, tão ou mais importantes para o surgimento do câncer como, por exemplo, o tabagismo e uso do álcool. E fica difícil acreditar que um tipo de fruta vegetal ou fibra, seja ela graviola, granola, chuchu ou linhaça, pode ter isoladamente este poder mágico de prevenir o câncer. Sorte de quem não gosta de nenhuma delas. E para quem não se preocupa com isto e é fã de dieta farta e desbalanceada, com muita cerveja e costelinha de porco, resta, pelo menos, uma advertência: "o que não mata, engorda". (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h03

09/11/2009

Prevenção do câncer: o que funciona?

Em  2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. Admite-se que 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Vale a pena saber como, neste e no próximo texto.  

 Você conhece algumas das medidas consideradas efetivas na prevenção do câncer?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

A estimativa impressiona. Em 2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. O dado é ainda mais dramático se considerarmos que até 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Mas para não falarmos do que vai ocorrer daqui a 20 anos, o que pode parecer meio distante, em 2004, no mundo inteiro, cerca de 2.5 milhões de mortes por câncer poderiam não ter ocorrido se medidas preventivas fossem adotadas. Pois bem, um artigo publicado no periódico “Nature” faz uma análise crítica e muito interessante da pesquisa mundial na área da prevenção em câncer, enfocando, em particular, a questão da dieta, que será tema de outro bate-papo. Mas para começar, ficamos com um registro histórico do primeiro cientista a observar que freiras não morriam de câncer do colo uterino, revelando a associação entre este tipo de câncer e a atividade sexual. Isto em 1713. Quase 300 anos depois, na busca da origem e consequentemente da prevenção do câncer, as evidências cientificas apontam para a confluência de três fatores: genéticos, ambientais e comportamentais. Para permitir uma melhor compreensão desta interação de fatores basta imaginar três círculos concêntricos. Se a pessoa está no centro, ela tem um grande risco de vir a ter câncer. Se ela esta na periferia de um dos círculos, o risco é bem menor. Para dar um exemplo de câncer na mulher, sabe-se que a mulher que tem câncer de mama na família, mãe ou irmãs, tem risco aumentado de vir a ter o problema. Mas este risco é maior na comparação com mulher que além do risco genético, tem outros fatores de risco, tais como, reposição hormonal, ausência de aleitamento, idade da primeira e ultima menstruação, etc. Tendo isto em mente, todo o esforço na prevenção do câncer será centrado em identificar os fatores genéticos comportamentais e ambientais e atuar neles sempre que possível, de preferência, precocemente. Cada tipo de câncer é uma historia a parte, bem como cada individuo e único. Mas vale destacar as estratégias a que a OMS considera importantes na prevenção deste problema: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, dieta equilibrada, evitar o sobrepeso, evitar contato com a poluição urbana e tratar as doenças sexualmente transmissíveis tais como o HPV. Aqueles que duvidam das descobertas científicas vão dizer que estas práticas não garantem que a pessoa não terá câncer. Mas, pelo menos, enquanto a pessoa viver, ela terá, com certeza, uma vida bem mais saudável. (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h50

04/11/2009

Plástica em jovens: o que leva a adolescente a se submeter à cirurgia plástica?

As cirurgias plásticas estão se tornando cada vez mais comuns em adolescentes, principalmente entre as meninas. Conhecer os motivos deste fenômeno  é importante para os pais e para as próprias adolescentes

Você aceitaria com naturalidade um pedido de cirurgia plástica da sua filha(filho)?  Clique aqui para votar

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

Há algum tempo, a cirurgia plástica deixou de ser prerrogativa de pessoas abonadas e mais velhas. Há atualmente um crescente interesse de mulheres jovens em se submeterem a algum tipo de cirurgia plástica. No USA, em 2007, mais de 200 mil jovens entre 13 e 19 anos, realizaram algum tipo de plástica. No Brasil, o mesmo tipo de fenômeno está ocorrendo. Conhecer os fatores que se associam ao interesse na realização da cirurgia plástica em mulheres jovens foi o objetivo de um estudo realizado na Filadélfia. Para isso, 101 mulheres com idade média de 20 anos, estudantes, responderam a questionários e declararam seu interesse em sete tipos diferentes de plástica, tais como, lipoaspiração, elevação das nádegas, aumento ou redução das mamas. 43% das participantes desejavam fazer uma plástica, sendo que lipoaspiração e plástica abdominal eram as mais citadas. Mas e quanto os fatores que influenciam este desejo por plástica? Bem, ai o estudo traz interessantes revelações. Primeiro, o nível de insatisfação com o próprio corpo é mais importante do que o peso corporal, ou em outros termos, é fundamental entender como a mulher se sente mais do que saber quanto ela pesa. Segundo, outras variáveis exercem forte influencia na decisão de fazer uma plástica, entre elas, a suscetibilidade às mensagens da mídia e histórico de ter sofrido chacotas no âmbito social. Isso mesmo, quanto mais influenciado pelos tipos de mídia e quanto mais frequente receber “gozações” sobre o corpo, maior a expectativa da jovem realizar uma cirurgia plástica. A hipótese da pesquisa é que as variáveis, peso corporal, suscetibilidade às mensagens midiáticas e sofrer com chacotas sobre o corpo, se articulam com o nível de insatisfação com o próprio corpo e consequentemente, com o desejo de fazer uma cirurgia plástica. O artigo termina com um alerta. Se para algumas jovens a cirurgia estética pode ter benefícios, é possível que para muitas outras o efeito seja exatamente o oposto, ou seja, mais insatisfação com a imagem corporal, e novas tentativas de alcançar um ideal de beleza que é inalcançável. Elas podem continuar tentando, mas deste jeito elas jamais vão chegar lá. (Markey & Markey, 2009. Sex Roles 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h33

29/10/2009

Gripe na gravidez aumenta o risco de esquizofrenia?

Um estudo americano mostra que existe associação entre gripe (influenza B) na gravidez e esquizofrenia na  vida  adulta. Mas estas conclusões não são definitivas e as gestantes, que já estão atentas à gripe suína, não precisam ficar ainda mais preocupadas.  

Como você encara a gripe suína?  Clique aqui para votar

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Um estudo realizado nos Estados Unidos vai atrapalhar o sono de algumas gestantes. Principalmente, se elas estiveram gripadas. É isso mesmo: gripadas. A pesquisa, um estudo do tipo caso-controle, avaliou 111 casos de adultos com diagnósticos psiquiátricos de esquizofrenia e psicose que foram comparados a 333 controles, adultos saudáveis que apresentavam as mesmas características de faixa etária, etnia, sexo e hospital ao nascer. Para todos os participantes foi avaliada a exposição ao vírus da gripe influenza B, por meio da análise do soro materno que estava estocado. Resultado: A exposição ao vírus da gripe durante a gestação se associou com aumento de 70% na chance de receber diagnóstico de esquizofrenia na idade adulta. Mais ainda, o contato intra-uterino com o vírus também se associou com redução da capacidade cognitiva dos indivíduos que foram selecionados como casos aos sete anos de idade. A hipótese da pesquisa é que fatores genéticos e/ou ambientais associados com psicose podem tornar o cérebro fetal mais vulnerável aos efeitos do vírus influenza. Em tempos de gripe suína, muita gente pode ficar alarmada. Mas esse não é o caso. Os próprios autores admitem a necessidade de novos estudos para entender o impacto do vírus no surgimento da esquizofrenia e de outras seqüelas neurológicas e psicológicas. Que alívio para as gestantes que porventura fiquem gripadas, ao longo da gravidez. Elas podem continuar falando: “não é nada, é só uma gripezinha” (Ellman et al, Biological Psychiatry 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h52

26/10/2009

Crenças sobre quimioterapia

A quimioterapia evoluiu enormemente em todas especialidades médicas, mas algumas crendices sobre este tratamento persistem

O que você acha da expressão "o que não mata, cura" usada para explicar os efeitos benéficos de muitos tratamentos médicos?  Clique aqui para votar

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

Aposto que você já escutou a expressão “o que não mata, cura”. Na língua inglesa, sua variante é “aquilo que quase mata, funciona”. Pois bem, um estudo qualitativo canadense observou que este tipo de crença está presente em pacientes que fazem quimioterapia para tratamento de câncer. E isto não traz nenhum benefício para os pacientes. Durante 8 meses os pesquisadores acompanharam um grupo de suporte aos pacientes para entender os múltiplos sentidos e significados atribuídos ao câncer e seu tratamento. Como todos sabem, o câncer é uma doença carregada de significações culturais. Já a percepção dos pacientes quanto ao tratamento é bem menos conhecida. Neste caso o tratamento em questão foi a quimioterapia, que em todas as especialidades médicas evoluiu enormemente ao longo dos anos, resultando em maior eficácia e menos efeitos colaterais. No entanto, ela ainda está associada, no imaginário popular, ao sofrimento e danos quase irreversíveis. É aquela velha idéia de que “o que é bom tem que quase matar” ou que “se não mata, cura”. É evidente que isto causa grande ansiedade nas pessoas que precisam se submeter ao tratamento. Ou seja, um prejuízo emocional para quem já tem que enfrentar a dura tarefa de vencer o câncer. Isto sem contar a possibilidade da pessoa, que não apresenta efeitos colaterais, acreditar que o tratamento não está funcionando. Um dos aspectos negativos desta história é que, infelizmente, nem sempre os profissionais de saúde e suas equipes estão atentos às questões culturais e simbólicos envolvidos com o adoecimento, seja ele por câncer ou não. Deste modo, os profissionais ajudam a manter vivas crenças e crendices, que, estas sim, deveriam morrer.  (Bell, 2009. Social Science & Medicine)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h25

24/10/2009

A vivência da menopausa em executivas é diferente

Existem diversos fatores biológicos e psicosociais que influenciam a experiência da menopausa

Você acha que as mulheres executivas vivenciam a menopausa de um jeito diferente? 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

 

Como a menopausa afeta a vida das mulheres executivas? Será que os sintomas decorrentes do fim das regras diferem em função do tipo de trabalho das mulheres?. Esta intrigante questão foi, parcialmente, respondida por um estudo americano que avaliou mais de 900 mulheres, todas executivas, com idade igual ou superior a 35 anos. Mais de 50% delas estavam passando ou haviam passado pela menopausa. Vamos aos resultados: a maioria das mulheres estava vivenciando as alterações decorrentes da menopausa, sendo que 95% apresentavam sintomas físicos, como ondas de calor e ressecamento vaginal. Sintomas emocionais tais como irritação, nervosismo e perda de concentração foram bastante comuns. Dentre as mulheres que apresentavam sintomas, muitas os referiam como bastante intensos a ponto de prejudicarem suas atividades profissionais, sociais e familiares. Um dado muito interessante foi a observação de que mulheres executivas também tem dúvidas sobre os benefícios e riscos da TRH, a terapia de reposição hormonal. Este tratamento para os sintomas menopáusicos suscita várias dúvidas e temores, mesmo em mulheres que podem se beneficiar do seu uso Elas não sabem, por exemplo, a diferença entre os esquemas e doses hormonais dos diferentes regimes de tratamento. O fato é que desde que resultados de pesquisas destacaram os riscos da TRH houve declínio no número de usuárias de reposição hormonal. E assim muitas delas continuam sofrendo. Desnecessariamente. Já que um tratamento cauteloso e bem indicado funciona muito bem. Isto não quer dizer que todas as mulheres menopausadas devam iniciar já sua reposição hormonal. Sejam elas executivas ou donas de casa.  (Simon & Reape, 2009. Menopause)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 08h53

23/10/2009

Apego entre mãe e filho: quando ele começa?

 O apego entre mães e seus filhos é fundamental para o bom desenvolvimento deles

 Você acha que o apego entre mãe e filhos é automático? Clique aqui para votar   

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

 

O tema desta pesquisa vai interessar muito as mulheres. Principalmente se elas estão grávidas ou pensam em ter filhos: o apego entre a mãe e seu bebê. Pois bem, uma metanálise, que é uma revisão de diversos artigos científicos similares, abordou esta questão, que é fundamental para mãe e para a criança. O objetivo dos autores foi estudar os fatores que influenciam a aproximação, o apego entre a gestante e seu futuro bebe. Os pesquisadores de diversas localidades americanas descobriram que existem diversos preditores do apego, com diferentes graus de importância. Vamos então conhecer este curioso ranking, começando pelos fatores que tem menor importância. São eles: ansiedade, auto-estima, planejamento da gravidez, estado civil, renda, etnia e educação. Todos estes aspectos foram citados, mas eles, de fato, influenciam pouco o estabelecimento do apego entre mãe e feto. Já, numa posição intermediária está o grau de suporte social. Ou seja, apoio dos parentes e do parceiro é muito importante, mas nem tanto quanto se imaginava. Até então, suporte social era o fator mais estudado neste campo de pesquisa. Finalmente, em primeiro lugar, isolado, está o tempo de gestação. Quanto mais adiantada a gestação maior a proximidade que a mãe sente em relação ao bebe. Ótima notícia para as mães que, logo no início da gravidez, se sentem culpadas por não estarem escutando sinos tocando, nem vendo anjinhos entrando pela janela. Também, convenhamos, é estranho imaginar que só porque o teste de gravidez deu positivo, a mulher já se sinta a mãe do ano. Quem sabe fosse melhor pensar no apego entre a mãe e seu futuro bebê como um “test drive”, em que algumas mulheres já se encantam por seu bebe assim que saem do laboratório enquanto outras vão precisar rodar com ele por um tempo, quem sabe, 9 meses ou mais, até ficarem definitivamente apaixonadas. ( International Journal of Nursing Studies 2009;46:708-15)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h21

Cólicas menstruais

 O último boletim sobre cólicas menstruais provocou uma série de comentários polêmicos. Possivelmente devido a chamada "algumas mulheres merecem", postada erroneamente. Desde já peço desculpas pelo mal entendido. A frase final do texto "algumas mulheres fazem por merecer ?" deveria ter sido o título. O texto fala de pesquisa recentemente publicada num periódico de renome na área de Ginecologia e Obstetrícia que ressalta o papel nefasto do tabagismo e uso do abusivo do acúcar na gênese das cólicas menstruais. Trata-se de uma hipótese, não de uma afirmação de causalidade. Daí que mulheres que não fumam e não abusam do acúcar podem ter cólicas, e vice-versa. O objetivo do post é alertar as mulheres tabagistas e com dieta inadequada, que sofrem de dores durante as regras, sobre estas novas evidências. Já que quando se trata de dor "ninguém merece".

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h26

17/10/2009

Intervenção psicológica não previne estresse pós-traumático

Muitas pessoas continuam sofrendo com um evento traumático acontecido há tempos atrás. É o transtorno do estresse pós-traumático. Uma revisão diz que não adianta fazer psicoterapia para prevenir este problema 

Qual a sua opinião sobre psicoterapia? Clique aqui para votar   

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Má notícia para quem passou por um evento traumático recente e pensa iniciar tratamento psicoterápico. Um estudo publicado pela fundação Cochrane conclui que intervenções psicológicas – tanto em sessão única quanto em sessões múltiplas – não devem ser utilizadas após eventos traumáticos para prevenir o transtorno do estresse pós-traumático. Pessoas com este tipo de problema revivem um evento grave intensamente como se estivesse vivendo novamente a tragédia. O sofrimento desencadeia várias alterações neurofisiológicas e mentais, tais como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e respostas exageradas a coisas banais. Neste artigo os autores do Reino Unido agruparam dados de 11 estudos que avaliaram diversas formas de intervenções psicológicas, especialmente terapias cognitivo-comportamentais, iniciadas no máximo até três meses após o evento traumático. Os ensaios incluíram um total de 941 pacientes. Os eventos traumáticos variaram de acidentes de carros e assaltos à mão armada, a complicações de parto e diagnóstico de câncer. Os autores não encontraram diferenças significantes entre as taxas de sintomas de estresse pós-traumático dos pacientes submetidos às intervenções psicológicas e dos que não as receberam. Pelo contrário, foi detectada uma tendência de aumento dos sintomas de estresse pós-traumático nos seis meses subseqüentes. Os resultados sugerem que nenhuma intervenção psicológica pode ser recomendada para uso rotineiro, com finalidades preventivas, após um evento traumático. No entanto, os próprios autores alertam que há intervenções psicológicas eficientes para o tratamento do estresse pós-traumático crônico, ou seja, quando o problema já existe há algum tempo. Ao que parece, a recomendação para quem passou um grande susto e está com medo de ficar encucada é, esqueça o “é melhor prevenir do que remediar”. Neste caso, desista de prevenir e fique com o remediar, que é o que funciona. (Roberts et al. Cochrane 2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h54

13/10/2009

Adolescentes obesos: "diga-me com quem voce anda eu lhe direi com que peso está"

 Obesidade entre adolescentes é cada vez mais comum. E muitos pais estão preocupados com isto.  

 O que você faria se soubesse que ter amigos obesos ajuda o seu filho/filha adolescente a se tornar obeso/obesa? Clique aqui para votar   

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

Atualmente, a obesidade é um problema seríssimo entre os adolescentes. Nos Estados Unidos cerca de 15% dos teenagers são obesos e não há nada que nos faça acreditar que isto posso vir a cair. Nem mesmo os conhecidos riscos da obesidade: doenças cardio-vasculares, diabetes, hipertensão, baixa auto-estima e menor expectativa de vida. E para as mulheres obesas vale citar  os muitos problemas ginecológicos e obstétricos. Muita televisão e fast food com pouca atividade física estão entre as principais causas da obesidade em adolescentes. Mas um estudo realizado nos Estados Unidos com mais de 7 mil adolescentes descobriu um novo vilão: os amigos obesos. É isso mesmo. Adolescentes gordos andam com adolescentes gordos. Para chegar a esta conclusão os pesquisadores avaliaram peso, altura e outros parâmetros de saúde dos participantes da pesquisa, em visitas domiciliares. Também avaliaram os mesmos indicadores em amigos indicados por els espontaneamente. Na média foram indicados 2 amigos, em geral colegas de escola, por participante. A conclusão muito interessante do estudo é que adolescentes obesos tendem a se agrupar com seus pares igualmente obesos. Nas meninas esta relação era ainda mais evidente. Mais impressionante ainda é que esta associação se manteve mesmo após os autores terem avaliado simultaneamente outros fatores, tais como idade e etnia. Os pesquisadores chegam a afirmar que apesar das limitações inerentes a este tipo de estudo, como, por exemplo, o controle de fatores endógenos relacionados à obesidade, adolescentes obesos influenciam seus amigos a também se tornarem obesos. Deste jeito, no caso dos adolescentes gordinhos, o ditado popular vai ter que ser modificado: “dize-me com quem tu andas e eu direi com que peso estás”. (Halliday & Kwak, 2009. Econ Hum Biol).  

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h53

08/10/2009

Que tal hipnose para parar de fumar?

 Muitas mulheres fumantes querem parar de fumar, mas simplesmente não conseguem...

 Você tentaria o uso da hipnose como tratamento para abandonar o tabagismo? Clique aqui para votar   

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

Se você é fumante e está tentando parar de fumar, vem aí um resultado animador de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. Mas que vai fazer você torcer o nariz e ficar meio desconfiada. Vamos direto ao resultado: hipnose ajuda se você quer parar de fumar. Isso mesmo: hipnose. Nesta pesquisa 286 pessoas fumantes que desejavam parar de fumar foram submetidas a um dos seguintes tipos de tratamento: sessões de hipnose ou de aconselhamento psicológico, além do uso de adesivos de nicotina por 2 meses. Nos 2 grupos foram realizadas duas sessões de 60 minutos. Seis meses após o início do estudo, maior número de pessoas no grupo da hipnose afirmou ter interrompido, pelo período de uma semana, o uso do cigarro. Confirmações bioquímicas validaram as afirmações, já que as pessoas, fumantes ou não, podem mentir. 12 meses depois, um repetição dos resultados: 20% das pessoas submetidos à hipnose haviam parado, enquanto no grupo do aconselhamento este número foi de 14%. Ou seja, houve redução do risco de fumar de 40%. Para os participantes que tinham história de depressão, os resultados foram ainda melhores. Neste grupo específico de pacientes, a hipnose foi estatisticamente mais eficaz. A conclusão dos autores é que hipnose associada aos adesivos de nicotina pode ser uma excelente estratégia para enfrentar este fantasma que é o tabagismo. Portanto se você é fumante e deseja parar de fumar, aproveite esta exótica sugestão: seja hipnotizada.  (Hypnosis for smoking cessation: a randomized trial. (Carmody et al, 2008. Nicotine & Tobacco Research).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h35

04/10/2009

Alteração do humor no período pré-menstrual: mito ou verdade?

 As alterações do humor são uma queixa frequente das mulheres e dos seus parceiros, que nem sempre entendem muito bem o que está acontecendo. 

 Mas será que o período do ciclo menstrual realmente interfere com o humor feminino?. Clique aqui para votar   

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Muitas mulheres sofrem com os sintomas da TPM. Principalmente os sintomas psicológicos, incluindo as famosas alterações do humor. Pois vem aí um estudo canadense que vai esquentar o debate e questionar o real impacto da influência do ciclo menstrual sobre o humor, ou melhor dizendo, o mal-humor feminino. Nesta pesquisa, 507 mulheres, com idade entre 18 e 40 anos comparam a importância de 3 áreas, a saúde física, o suporte social e o estresse sobre o estado de humor. Primeira boa notícia, o alto astral foi mais comum do que o baixo-astral. No geral, as mulheres consideram que, tanto um como o outro, o alto ou baixo astral, ocorrem em ciclos, ou seja, vão e voltam. No entanto, o peso atribuído aos fatores associados ao bom ou mal-humor varia. Suporte social, aquele apoio que vem do parceiro, familiares e amigos foi considerado o fator mais influente para o bom humor. Já para o mal-humor o fator mais importante foi o estresse. Outro dado é o alto astral das mulheres se associava com o fato delas estarem empregadas e de, habitualmente, não darem muito valor para o estresse. Muitas mulheres brasileiras, que dão duro para encontrar um bom emprego, podem pensar que assim fica fácil. Mas um resultado surpreendente foi a pouca importância dada ao ciclo menstrual. Apenas 5 % das participantes citaram a fase do ciclo menstrual como uma influência significativa sobre o estado psicológico. Em outras palavras, quando se trata do humor, as mulheres admitem o impacto de influências externas, que, em geral, repercutem nas suas relações inter-pessoais, mas o período do ciclo menstrual, ou em particular, o período pré-menstrual não foi considerado muito importante. Pelo menos é o que dizem as participantes desta pesquisa. Eu imagino que as brasileiras que sofrem com os sintomas psicológicos da TPM devem estar dizendo: “estas mulheres canadenses devem estar muito loucas” (Roman et al, 2009. Women Health)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h45

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa “Olha Você” do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP - FM 93.7. Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.