Blog do Dr. Alexandre Faisal

15/05/2012

Mulher obesa tem mais problemas sexuais do que homem obeso

      As dificuldades sexuais das pessoas obesas é menos estudada do que outros aspectos clínicos da saúde. Um estudo americano compara a sexualidade de homens e mulheres obesas. 

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         A obesidade é um problema crescente em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. Além de diversas complicações clínicas, pessoas obesas, freqüentemente, experimentam problemas de estigmatização, discriminação e preconceito. Natural que possam hesitar em discutir temas sensíveis, como funcionamento sexual, até mesmo com um profissional da saúde. Entender como anda a sexualidade destas pessoas é uma etapa prévia importante para paientes e médicos.

         Um estudo americano realizado na Carolina do Norte procurou avaliar o funcionamento sexual de 91 homens e 134 mulheres obesas, que se inscreveram para um programa de perda de peso, usando um questionário já validado sobre funcionamento sexual. Os participantes tinham idades entre 18-65 anos e Índice de Massa Corpórea entre 30-50. Os pesquisadores constataram pontuações mais baixas para as mulheres do que para os homens, indicando que a função sexual da mulher obesa é pior do que a do homem. Para se ter uma noção da dimensão do problema, as pontuações dos homens estivam entre aquelas de um grupo de sobreviventes de câncer e de um grupo da população, em geral. Já para as mulheres os escores estavam abaixo de todos estes grupos. Uma dado importante, o aumento do Índice de Massa Corporal se associou com piora de certos domínios da função sexual, tal como, por exemplo, a excitação. E para quem estava sem vida sexual recente, as auto-avaliações da sexualidade eram também piores.

 

          Para explicar a píor performance da mulheres obesas, os autores destacam que neste grupo, havia mais homens casados do que mulheres casados. Moral da história, para aqueles que reclamam das agruras do casamento, neste caso, é melhor estar acompanhado do que só. (Kolotkin et al. Sexual Functioning in Obese Adults Enrolling in a Weight Loss StudyJournal of Sex & Marital Therapy, 37:224–235, 2011)

 

    

      

     

      

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h08

08/05/2012

Tratamento da depressão: terapia interpessoal funciona?

        A terapia interpessoal, uma terapia estruturada e limitada no tempo, ganha adeptos no tratamento da depressão. Uma revisão de estudos afins avalia se ela realmente funciona

    Você acredita em terapias breves para tratamento de problemas psicológicos ?  Clique aqui para votar 

     

     

               A psicoterapia interpessoal (TIP), uma terapia estruturada e limitada no tempo, tem sido estudada em muitos ensaios clínicos controlados e recomendada como uma ótima alternativa para tratamento de casos de depressão. Uma recente publicação vai dar suporte a esta observação. Pesquisadores fizeram uma revisão de estudos que empregaram a TIP, comparando, por exemplo, a TIP com ausência de tratamento, com cuidados habituais, e com outros tratamentos psicológico e farmacológicos. No total, trinta e oito estudos, incluindo mais de 4.300 pacientes foram avaliados.

          Vamos aos resultados: na comparação entre TIP e ausência de tratamento, a TIP foi significativamente melhor. Na comparação com outros tratamentos psicológicos não foram observadas diferenças significativas, mas uma leve tendência em favor da TIP. Finalmente, ao ser comparada com os tratamentos medicamentosos, estes últimos levaram a melhor. Numa das estimativas calculadas era preciso tratar 9 pacientes para se obter uma resposta favorável. No entanto, se o objetivo é prevenir as recaídas, tão comuns nos tratamentos de depressão, a história muda de figura. E o melhor mesmo é manter os dois: uso de medicamentos e terapia psicológica do que usar apenas medicamentos.

          As conçlusões desta revisão reforçam o papel valioso da terapia interpessoal no manejo da depressão. E possivelmente em outras condições aqui não avaliadas. E isso pode ser um reforço para quem já estava fazendo sua psicoterapia, e é, seguramente, um grande apoio para quem precisava, mas ainda não havia começado.  (Cuijpers P, Geraedts AS, van Oppen P, et al. Interpersonal psychotherapy for depression: a meta-analysis. Am J Psychiatry. 2011 168(6):581-92).

   

    

     

    

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h50

03/05/2012

Grávidas aceitam bem a piora da vida sexual?

    A sexualidade feminina muda bastante durante a gravidez, e não, necessariamente, para melhor. Um estudo brasileiro avalia se (e como) estas mudanças tem impacto na vida da mulher. 

    Você acha que uma eventual piora da vida sexual na gravidez interfere na vida da mulher?  Clique aqui para votar 

   

  

               A sexualidade muda enormemente na gravidez. E não, necessariamente, para melhor. E muitos casais sabem disso. Mas dimensionar o impacto destas mudanças na vida do casal, e, em particular, compreender como a mulher se sente em relação ao parceiro é outra história. Um estudo brasileiro procurou entender estas mudanças da dinâmica sexual e a percepção das gestantes sobre este tema tão relevante. 137 grávidas de baixo risco obstétrico, sexualmente ativas, atendidas em Unidades Básicas de Saúde, na cidade de Poços de Caldas responderam a um questionário específico sobre sexualidade, além de outros instrumentos de avaliação. O resultado é bastante curioso e exemplifica como a sexualidade é complexa e até mesmo contraditória.

            Embora 61% das mulheres apresentassem uma pontuação alta na escala de avaliação sexual, elas, no geral, se declaravam satisfeitas com a proximidade emocional com seu parceiro, com seu relacionamento, e até com sua vida sexual. Outro dado interessante foi o encontro de uma associação positiva entre disfunção sexual e idade gestacional, queixa de incontinência urinária e ganho de peso excessivo na gravidez atual. Assim quanto mais próximo do parto, presença de perda urinária involuntária e aumento excessivo do peso na gravidez, maior o isco de apresentar disfunção sexual.

 

          Uma hipótese bastante plausível sobre o principal resultado é que durante a gravidez a expectativa de que a função sexual seja afetada, acaba por influenciar a percepção das mulheres sobre a mesmo, tornando-as mais tolerantes ou menos estressadas com eventuais dificuldades sexuais. Tudo isso porque, provavelmente, o foco da gravidez não é vida sexual, mas sim o bebê que está para chegar. É uma excelente explicação, que tem tudo para funcionar, se puder contar com a participação da outra pessoa envolvida na história: o marido. (Naldoni et al. Evaluation of Sexual Function in Brazilian Pregnant Women Journal of Sex & Marital Therapy, 37:116–129, 2011)

   

   

   

  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h25

24/04/2012

35% das brasileiras reclamam de fluxo menstrual excessivo

      A intensidade do fluxo menstrual é um problema para muitas mulheres. Um estudo brasileiro aborda este tema e ajuda a entender a percepção das mulheres 

     Você acha que seu fluxo menstrual é ...?  Clique aqui para votar 

       

 

 

 

         

 

 

        As pessoas hesitam tocar no assunto e mesmo as mulheres o fazem apenas em círculos íntimos. Até estudos científicos são escassos. Mas sabe-se que há entre as populações ampla variação em termos de duração e quantidade de sangramento menstrual. Um problema importante para algumas mulheres que podem ficar anêmicas e precisarem, em casos extremos, de tratamento cirúrgico. Pois bem. Um estudo brasileiro descreveu estas características e investigou a autopercepção das mulheres sobre a quantidade de sangramento menstrual. Para isso foi realizado um estudo de base comunitária com 865 mulheres, com idades entre 18 e 45 anos, atendidas em 31 unidades de saúde da cidade de Pelotas. Elas responderam questionário estruturado enquanto stavam na sala de espera das clínicas. O sangramento menstrual foi avaliado por meio da pergunta: "Normalmente, como é a quantidade de sangue que você perde em cada período menstrual?".

      

          Resultado mais importante, a prevalência de fluxo menstrual intenso foi de 35,3%. O sangramento menstrual intenso foi maior entre as mulheres mais velhas, com menor escolaridade, obesas, com maior número de gestações e naquelas que relataram períodos menstruais mais longos e preença de coágulos nas regras. O uso de métodos anticoncepcionais hormonais foi fator de proteção contra fluso intensos, como era mesmo de se esperar. O dado de que 1/3 das mulheres se queixavam de fluxo muito intenso é comparável aos de países com Escócia, mas por outro lado é até 4 vezes maior do que o observado em outros países desenvolvidos.

         

          De qualquer modo, uma comparação que não é lá muito fácil de ser feita. Ora porque é difícil mensurar, ora porque as mulheres podem superestimar ou até, mais raramente, subestimar o fluxo menstrual. Mas o grande mérito da pesquisa é abordar o assunto, possibilitando as mulheres uma avaliação real do problema. Até para quem sabe descobrir que nem problema era. (Santos et al. Menstrual bleeding patterns: a community-based cross-sectional study among women aged 18-45 years in Southern Brazil. BMC Women's Health 2011, 11:26)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h20

17/04/2012

Eventos traumáticos na infância se associam com abortamentos de repetição

      Muitas gestações não planejadas terminam em abortamento. Pior ainda, abortos de repetição não são assim tão incomuns. Um estudo americano avalia se eventos traumáticos na infância se associam com o problema 

    Você acha que traumas na infância podem ter impacto na saúde do adulto?  Clique aqui para votar 

   

   

     

          Um dado americano sugere que a gravidez indesejada representa quase 50% de todas as gestações, e que aproximadamente 40% das gestações não planejadas terminem em aborto provocado. Abortos de repetição também são comuns nos Estados Unidos. De fato, é grande a chance da mulher com um aborto vir a ter um seguindo ou terceiro abortamento. No Brasil não existem dados confiáveis sobre o problema. A experiência de ter um aborto inicial oferece uma poderosa oportunidade para intervir na prevenção de gestação não intencional subseqüente. Mas os benefícios deste tipo de intervenção parecem ter sucesso limitado.

           Um estudo americano procurou caracterizar melhor as mulheres que se submeteram a abortamento de repetição, enfocando, em particular, a presença de eventos vitais estressantes na infância, até os 12 anos de idade. Foram avaliadas 259 mulheres, com idade média de 35 anos, que tinham tido 1 ou 2 (ou mais) abortos provocados. Resultado surpreendente, independentemente de outros fatores, as mulheres que experimentaram mais abuso, problemas relacionados à segurança pessoal, e maior número de eventos adversos na infância eram mais propensas a ter 2 ou mais abortos na comparação com mulheres que nunca haviam feito um aborto. Do mesmo modo, mulheres que experimentaram mais perturbação familiares na infância tinham maior probabilidade de ter 2 ou mais abortos. Um aumento do risco de 75%.

           Como explicar esta associação?. Os autores admitem que mulheres que estiveram expostas a altos níveis de estresse na infância podem experimentar uma variedade de barreiras para a prevenção de gravidezes indesejadas. E eles citam práticas sexuais de risco, problemas mentais e dificuldade de estabelecer relacionamentos íntimos estáveis saudáveis. Todas estas experiências têm implicações potenciais para o efetivo uso de contraceptivos. Apesar das limitações do tipo de estudo, que, por exemplo, confia apenas nas auto-avaliações das próprias participantes, ele tem pelo menos um grande mérito. Mostrar que muitas das complicações e dificuldades da nossa vida atual, de fato começaram bem antes disso. (Bleil et al. Adverse childhood experiences and repeat induced abortion. Am J Obstet Gynecol 2011;204:122.e1-6)

 

 

    

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h09

09/04/2012

Risco de "sobretratamento" após mamografia

  

     Avaliar os benefícios e riscos dos exames preventivos é sempre importante. Um estudo norueguês quantifica estes aspectos no caso da mamografia após os 50 anos de idade

    Você faz exames preventivos quando..........?  Clique aqui para votar 

    

    

          Muitas pessoas e mesmo médicos acreditam que fazer exames preventivos é o caminho mais seguro para uma vida longa e saudável. Isso se aplica a muitas mulheres e, em particular, ao exame da mamografia. Mas o fato é que as coisas não são exatamente deste jeito. E a questão dos exames preventivos ou rastreamento de doenças em pessoas saudáveis é bem mais complexa do que parece. Um recente estudo norueguês exemplifica o caso da mamografia, o padrão ouro no rastreamento populacional do câncer de mama. Nesta pesquisa dois grupos de mulheres foram comparados: mulheres com idades entre 50 e 69 anos, que realizaram mamografia anualmente e mulheres que não se submeteram ao exame.

         Os pesquisadores observaram um aumento de 15 a 25% no diagnóstico de câncer de mama no grupo das mulheres que faziam mamografia regularmente. E a partir do diagnóstico recebiam tratamentos, como cirurgias e quimioterapia, que, provavelmente, não seriam necessários. Exatamente isso, procedimentos e terapias desnecessárias, pois muitos casos se tratavam de tumores muito pequenos ou menos agressivos que levariam anos para se desenvolver. Isso sem contar o risco de não serem sequer tumores, os chamados resultados “falso positivos”. Vale lembrar que hoje, com o desenvolvimento das técnicas de imagem, diagnosticar tumores muito pequenos é cada vez mais comum. E uma vez feito a suspeita diagnóstica é preciso indicar investigação mais detalhada e, eventualmente, tratamento.

          Por outro lado, o estudo confirma que o exame, a mamografia, evita a morte de uma em cada 2500 mulheres. Pode não parecer muito, mas é significativo se pensarmos em grande número de mulheres. Isso sem contar o fato de que a mortalidade por câncer de mama é ainda muito alta, inclusive no Brasil.

          O tema é polêmico, mas antes que as mulheres comecem a ter a sensação errada de “que não adianta fazer nada para manter a saúde” é preciso aguardar novas recomendações das entidades médicas. Por enquanto, a orientação para as brasileiras é a mesma: mamografia a cada 2 anos após os 40 anos de idade, apesar dos riscos potenciais do exame. Mas muitas mulheres podem sabiamente argumentar: viver é mesmo um pouco arriscado. (Elmore JG, Fletcher SW. Overdiagnosis in breast cancer screening: time to tackle an underappreciated harm. Ann Intern Med. 2012 Apr 3;156(7):536-7)

   

   

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h30

03/04/2012

Crenças afetam a opinião dos ginecologistas sobre anticoncepcionais ?

     A escolha de determinado método contraceptivo depende de muitos fatores, incluindo os não médicos. Um estudo americano avalia se as crenças dos ginecologistas são um destes fatores

    Qual é o seu método anticoncepcional preferido ?  Clique aqui para votar 

    

    

    

             Em 2010 completaram-se 50 anos da aprovação das pílulas anticoncepcionais pelo FDA (Food and Drug Adminstration). E nestas 5 décadas, a pílula foi ganhando, pouco a pouco, território, a ponto de mais de 80% da população americana tê-la usado em algum momento.  Mas a anticoncepção feminina não se restringe às pilulas e aos métodos hormonais. E além disso muitas influências podem interferir com a prescrição de determinados métodos. Incluindo a crença dos obstetras e ginecologistas. Isso mesmo, o que pensa e no que acredita o médico são fatores importantes neste domínio. E, de modo geral, poucas pesquisam abordam este tema.

 

          Pois bem, um estudo americano tentou reparar esta lacuna objetivando caracterizar as crenças sobre contracepção dos ginecologistas-obstetras. Eles queiram saber se os médicos tinham alguma objeção moral ou ética aos diferentes métodos. 1154 ginecologistas responderam os questionários enviados pelo correio. Vamos aos resultados, primeiramente, levando em conta o grau de rejeição do método. A maior rejeição foi em relação ao DIU com 4,4%, seguida pelo implantes de progesterona e / ou injeções com 1,7. Depois vieram a laqueadura tubária com 1,5% e os contraceptivos orais com 1,3%. Curiosamente os preservativos, o diafragma e espermicida tiveram taxas mais baixas de rejeição. Um dado esperado: Médicos religiosos eram até 2 vezes mais propensos a rejeitarem a prescrição dos anticoncepcionais. Isso porque eles, os médicos religiosos, tinham tendência a optarem por métodos naturais.

 

   

       Felizmente, o que se conclui é que entre os ginecologistas-obstetras, objeções e recusas para fornecer contraceptivos não são freqüentes. Ainda bem, pois só o que faltava era a mulher sair da sua consulta sobre métodos contraceptivos com mais dúvidas e questionamentos do que quando entrou no consultório. (Lawrence RE, Rasinski KA, Yoon JD, et al. Obstetrician-gynecologists’ views on contraception and natural family planning: a national survey. Am J Obstet Gynecol 2011;204:124.e1-7).

  

    

    

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h27

29/03/2012

Fumo passivo: 13% maior risco de malformação fetal

     Ter um parceiro fumante na gestação é um problema para muitas mulheres. Uma revisão de estudos avalia o impacto do tabagismo passivo sobre o recém-nascido

     Você consegue (conseguiria) impedir seu parceiro de fumar ao seu lado na sua gestação?  Clique aqui para votar 

    

     

     

        Muitos estudos já haviam demonstrado que a exposição ao fumo passivo durante a gravidez aumenta o risco de morte fetal, e do bebê nascer com uma malformação congênita. Muitas mães já foram alertadas pelos seus obstetras, parceiros e familiares. Mas será que o pai fumante pode ser incluído nesta advertência?. Ou será que a preocupação recai apenas sobre a gestante fumante?.

          Antes de responder vejamos o que fizeram pesquisadores da Inglaterra para sanar esta dúvida. Eles realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de 19 estudos de diferentes partes do mundo para quantificar o impacto da exposição materna ao fumo passivo em gestantes não fumantes. Os achados mais relevantes mostraram que não houve associação entre fumo passivo e abortamento espontâneo, mas quando se tratava de óbito e malformação fetal a coisa era diferente. O fumo passivo aumento o risco de morte e de malformação fetal em 23% e 13%, respectivamente.Na grande maioria das vezes, o fumante era o marido ou parceiro. E os pesquisadores reconhecem que o momento e o mecanismo deste efeito nocivo do fumo passivo não estão bem claros. Mas admitem, por exemplo, que até o impacto do fumo na qualidade dos espermatozóides paternos possa ser uma explicação.

          Obviamente o impacto do fumo passivo é muito menor do que o tabagismo na gestação, mas nem por isso deixa de ser importante ampliar o leque de medidas protetoras para as gestantes, enfatizando também o pai fumante. Não só na gestação, mas antes mesmo da concepção. Resumo da história: com este resultado, as mulheres que pensam engravidar e as gestantes não fumantes estão autorizadas a dar um chega para lá nos seus maridos fumantes. (Leonardi-Bee et al. Secondhand Smoke and Adverse Fetal Outcomes in Nonsmoking Pregnant. Pediatrics 2011;127;734-41);

   

   

   

    

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h52

26/03/2012

10% das mulheres sofrem de disforia pós-coito?

      Após a relação sexual, em vez de bem estar e tranquilidade, irritação, ansiedade e baixo astral. Uma pesquisa americana avalia quantas mulheres sofrem de disforia após o coito  

     Você já ouviu falar em disforia pós-coito?  Clique aqui para votar 

    

 

 

          Você já ouviu falar em disforia pós-coito?. Isso mesmo, disforia após a relação sexual?. Em vez de bem estar físico e psíquico, relaxamento  ou apaixonamento pelo parceiro ou parceira, uma sensação desagradável de baixo astral, às vezes, associada com melancolia, choro, ansiedade, irritabilidade ou agitação psicomotora. Pior ainda, em alguns casos, necessidade de se distanciar do outro, sem contar os comportamentos agressivos. Pois bem, a disforia pós-coito é considerada por certos especialistas uma verdadeira disfunção sexual que precisa ser incluída nos atuais manuais de diagnósticos.

 

          Pesquisadores americanos e australianos procuraram estimar os fatores associados e a prevalência do problema, nas últimas 4 semanas, em 222 universitárias, sexualmente ativas, com idade média de 24 anos. Diversos questionários foram empregados. Vejamos o que aconteceu. 33% relataram ter experimentado disforia pós coito ao longo da vida, sendo que 10% vivenciaram o problema nas últimas 4 semanas. Outras análises revelaram que a disforia se associa com sofrimento psíquico. E em alguns casos pode estar ligada ao abuso sexual na infância. Mas não foi possível esclarecer se a etiologia da disforia pós-coito envolve um mecanismo relacionado à ansiedade ou humor depressivo. A observação dos autores é de que, no geral, este mal estar após a relação sexual precisa ser mais investigado. Principalmente, porque em alguns casos, mais sérios, diga-se, de passagem, os sintomas podem perdurar por mais de uma hora e não melhoram nadinha com os esforços do ou da parceira para diminuí-los, ou mesmo, eliminá-los.

 

        E como todos sabemos a paciência do outro também tem limites. E aí, o perigo nesta hora é a pessoa além de sentir mal humorada após o sexo, acabar ficando sozinha. (Bird et al. International Journal of Sexual Health, 23:14–25, 2011. The Prevalence and correlates of Postcoital Dysphoria in women)

    

      

      

 

   

    

    

   

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h47

20/03/2012

Taxas de abortamento provocado caem em países nórdicos

      O abortamento provocado é permitido em alguns países, mas não no Brasil. Uma pesquisa sueca analisa a queda nas taxas de abortamento em mulheres com mais de 40 anos observada em países nórdicos 

     Você apoia o debate sobre a legalização do abortamento ?  Clique aqui para votar 

    

    

     

          O abortamento provocado é prática proibida em diversos países, em geral por razões culturais e religiosas. O que coloca as mulheres, que recorrem ao procedimento, em situações de graves riscos. Pois bem, um estudo sueco procurou avaliar as taxas de abortamento provocado, em mulheres com idades entre 40-44 anos, no ano de 2005. Para os autores estas mulheres teriam recebido mais informações e conhecimento dos métodos contraceptivos durante seu período de fertilidade, do que as mulheres, também férteis, no ano de 1975, quando as leis do aborto foram introduzidas no país. Eles analisaram as estatísticas oficiais de taxa de abortamento e de natalidade para mulheres de 40 a 44 anos, nos países nórdicos: Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Foram avaliados intervalos de cinco em cinco anos, durante o período de 1975-2005.

          Quanto aos resultados, com a exceção da Suécia, todos os outros países escandinavos reduziram suas taxas de aborto desde 1975, como também reduziram a proporção de abortos induzidos em relação à taxa de natalidade. A menor queda na taxa na Suécia foi atribuída, parcialmente, ao maior número de imigrantes e refugiados que vivem neste país, na comparação com os demais países nórdicos. Mas, no geral, o que se observa é uma mudança significativa nas taxas de aborto induzido em mulheres com idade entre 40-44 anos nestes países, sugerindo que, por lá, os programas de planejamento familiar funcionam bem.

          E que as gestações após os 40 anos tem grande chance de terem sido, realmente, planejadas. Bom para eles. Ruim para nós, brasileiros, que ainda estamos “engatinhando” nesta discussão. (Sydsjo et al. Trends in induced abortion among Nordic women aged 40-44 years. Reproductive Health 2011, 8:23)

 

    

   

      

      

    

 

   

    

    

    

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h45

13/03/2012

O que é saúde?

      Com a crescente expectativa de vida das pessoas, o conceito de saúde terá que ser reformulado. Um editorial inglês propõe uma nova definição de saúde que pode lhe interessar

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         Você conhece a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) para saúde?. Formulada em 1948, ela define saúde como “um estado de complete bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença ou enfermidade”. Gostou?. Parece bom, mas não é?. Pelo menos é o que dizem, diga-se de passagem, com propriedade, alguns autores. Um recente editorial do BMJ explica os porquês.

 

          O primeiro problema com a definição é que ela involuntariamente contribui para a medicalização da sociedade. A exigência de um completo bem estar como sinônimo de saúde completa deixaria a maioria de nós insalubres uma boa parte do tempo. Para não dizer o tempo todo. Mais ainda, ela apoia as tendências atuais da tecnologia médica e das indústrias farmacêuticas, em associação com organizações profissionais, de redefinir doenças, ampliando o alcance da saúde do sistema. Por exemplo, novas tecnologias de rastreamento detectam anormalidades em situações que, eventualmente, nunca causarão doenças e as empresas farmacêuticas começam a produzir drogas para "condições" não previamente definidas como problemas de saúde. O segundo problema é que, desde 1948, o perfil das populações e doenças se modificou consideravelmente Envelhecimento com doenças crônicas tem se tornado a norma e não a exceção. Logo, não para dizer declarar as pessoas com doenças crônicas e com incapacidades como definitivamente doentes.

 

          O terceiro e último problema é a operacionalização da definição. A OMS desenvolveu vários sistemas para classificar doenças e descrever aspectos da saúde, deficiência, qualidade, funcionamento e da vida. No entanto, por causa da referência a um estado de saúde completo, a definição permanece "impraticável, porque 'completo' não é nem operacional nem mensurável. Tudo isso posto, como vamos definir o que é saúde?. Várias propostas tem sido feitas para a definição de saúde. 

 

          O consenso é enfatizar recursos sociais e pessoais associando saúde à capacidade de adaptação e de se cuidar, além da capacidade física capacidade. Ou seja, valorizar a capacidade humana de forma autônoma com a vida, superando ou se adaptando às adversidades. É um jeito não só atual como honesto de afirmar que mesmo adoecendo ainda assim se pode ser saudável. (Huber et al. How should we define health?. BMJ 2011;343:d4163)

     

   

   

 

  

   

   

  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h51

09/03/2012

As mulheres conhecem os fatores de risco para câncer de mama?

      Além da história familiar, existem outros fatores de risco para câncer de mama. Um  estudo brasileiro mostra se as mulheres conhecem ou não estes fatores. 

     Você conhece os fatores de risco para câncer de mama?  Clique aqui para votar 

        

 

 

          No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama aumentaram nas últimas  décadas, passando de 9,9/100.000, no ano de 1987 para 11,6/100.000  mulheres em 2007. Além da história familiar, outros fatores aumentam a chance da mulher vir a ter o problema: ganho de peso excessivo após os 18 anos de idade, sobrepeso ou obesidade após a menopausa, utilização de terapias hormonais, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo diário de bebidas alcoólicas. E muitas mulheres se preocupam com a prevenção. Mas será que elas sabem quais são os chamados fatores de risco para o câncer mamário?. Ou, em outros termos, elas sabem se estão no grupo de alto risco?.

           Um estudo brasileiro investigou o conhecimento e prática sobre os estes fatores de risco. Participaram 393 mulheres com idades entre 40 e 69  anos usuárias da Estratégia da Saúde da Família na cidade de Dourados, em MS. Realizou-se uma entrevista, por meio de um questionário semi-estruturado. As mulheres tinham média de idade de 52 e o tempo médio de estudo foi de 4/5 anos. Entre as mulheres, 86,5% receberam alguma  informação sobre o câncer de mama. Os fatores de risco para a doença  eram conhecidos por pouco mais da metade das participantes. Ter alguém com câncer na família e ter mais anos de estudo se associou, obviamente, com maior conhecimento. A má notícia é que apenas metade das mulheres adotava práticas preventivas.

           Resumo da história, a maioria das mulheres possui conhecimento reduzido acerca dos fatores de risco para o câncer de mama, e entre as mulheres que conheciamm ao menos um fator de risco, a adoção de práticas preventivas para os mesmos ainda é pequena. Isso indica que, infelizmente, o conhecimento dos fatores de risco não é suficiente para iniciar  mudança de hábitos e comportamentos. Neste caso, não basta conhecer, tem também que usar o conhecimento. (Batiston et al. Conhecimento e prática sobre os fatores de risco para o câncer de mama entre mulheres de 40 a 69 anos  Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., 11 (2): 163-171, 2011)

 

    

     

     

    

 

  

    

   

    

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h41

01/03/2012

Religiosidade influencia sexualidade dos casais

     A sexualidade dos casais está sujeita a diversas e variadas influências, inclusive religiosas e espirituais. Um  estudo americano avaliou o impacto da religiosidade na vida sexual de homens e mulheres. 

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                A religiosidade é um dos aspectos fundamentais na vida de muitas mulheres e de seus pares. Surpreendentemente, há poucos trabalhos sobre os papéis da religiosidade e da espiritualidade em elementos subjetivos da sexualidade, tais como atitudes e fantasias sexuais. Um estudo no Texas, USA, investigou o papel da religião em uma etnicamente diversificada amostra de adultos jovens. Dentre os mais de 1400 participantes, quase 70% eram mulheres. Eles avaliaram diversos domínios da religiosidade, incluindo a espiritualidade, categorizada como a relação com o divino ou força superior, crenças paranormais e fundamentalismo. Este último, por exemplo, definido como a crença de que as atitudes são ditadas pela doutrina religiosa. Atitudes e fantasias foram avaliadas por meio de questionários e abordaram temas como masturbação, homoerotismo, sadomasoquismo, etc.

 

          Resultado mais importante e esperado; as diferenças entre os grupos religiosos em relação às atitudes sexuais foram estatisticamente significativas, sendo que a espiritualidade mediou esses efeitos. Já espiritualidade e o fundamentalismo foram fortes preditores do conservadorismo feminino. Para dar um exemplo, as mulheres atéias e agnósticas relataram significativamente mais fantasias sexuais do que mulheres de todas as outras religiosas. Na sequência, as cristãs e as hindus ficaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares, na pontuação do escore “fantasia sexual”. Tanto para homens, como para mulheres, todos os domínios da religiosidade tinham relações significativas, com atitudes e fantasias sexuais.

 

         

          Assim, se a demanda da mulher religiosa é por melhorar do funcionamento sexual, fica evidente que os profissionais de saúde devem enfocar os aspectos sistêmicos da religião da sua cliente, com destaque para a questão da espiritualidade. (Ahrold et al. The Relationship Among Sexual Attitudes, Sexual Fantasy, and Religiosity. Arch Sex Behav (2011) 40:619–630)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 16h21

24/02/2012

Casais inférteis sem tratamento médico precisam de ajuda psicológica

      Os casais inférteis que não estão em tratamento médico podem apresentar dificuldades psicológicas. Um  estudo americano avaliou como andava a cabeça e o humor destes casais 

     Até quantos tratamentos você se submeteria para engravidar?  Clique aqui para votar 

      

       

   

          Casais que batalham para ter um filho, por meio de técnicas de repordução assitida, enfrentam um grande ônus físico e emocional. Apesar deste reconhecimento, existem poucos dados científicos sobre as necessidades emocionais das pessoas que não estão recebendo tratamentos de infertilidade. Agora, felizmente, esta lacuna foi sanada. Um estudo americano procurou determinar o impacto emocional da infertilidade em homens e mulheres que não estavam recebendo este tipo de atendimento. A participação dos indivíduos, que não conseguiram engravidar nos últimos 2 anos, foi por meio da internet. 585 casais foram incluídos.

 

          Sessenta por cento dos entrevistados ainda não tinham recebido qualquer tratamento de fertilidade. Dentre as mulheres que receberam injeções hormonais, ao redor da metade afirmou ter dúvida sobre a eficácia do tratamento e mostravam-se ansiosas. As duas emoções positivas mais citadas foram esperança e otimismo cauteloso, e as duas negativas foram frustração e impaciência. Quarenta e nove por cento dos entrevistados relataram sensação de desconforto ao estar próximo de mulheres grávidas ou casais com bebês. Pior ainda, 56% relataram que a infertilidade tornou o sexo complicado. Sessenta e dois por cento dos entrevistados haviam escondido a infertilidade da família e dos amigos e 53% disseram esconder os sentimentos do parceiro.

 

          Finalmente, o tipo mais comum de conselho de terceiros recebido por estas pessoas foi para relaxar ou parar de se preocupar muito. Mas só 22% relataram que um membro da família tinha se oferecido para ajudar financeiramente com o tratamento. Se o apoio econômico é raro, e palpites não ajudam, o mínimo que estes os casais, inférteis e sem tratamento médico, podem esperar é compreensão (Domar & Gordon.The Psychological impact of infertility: results of a national survey of men and women. Fertility and Sterility 95(4):Supplement 1S17, 2011)

 

   

 

     

     

     

    

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h32

17/02/2012

Exercício evita ganho de peso excessivo em gestantes

       O controle do peso na gravidez é uma tarefa muito complicada para muitas gestantes.  Uma revisão de ensaios clínicos avalia se a prática de atividade física é efetiva para evitar ganho de peso excessivo

     Qual sua opinião sua a prática de exercícios na gravidez ?  Clique aqui para votar 

       

       

        

           Um dos grandes problemas vividos pelas gestantes, nos dias atuais, é o controle do ganho de peso. Pouca atividade e excessivo de comida, nem sempre de boa qualidade, são os fatores contribuidores para isso. E para complicar, o ganho de peso gestacional excessivo se associa com vários resultados perinatais adversos, além de outras complicações mais tardias na vida da mulher. Uma idéia para enfrentar este drama é praticar exercícios na gravidez. Mas será que isso funciona e não causa outros problemas ou prejuízos para a gestante e seu querido bebê.

          Uma revisão sistemática de estudos tem uma ótima resposta. Os exercícios funcionam sim. Para chegar a esta conclusão, os autores da pesquisa identificaram mais de 1380 estudos afins, dos quais 12 foram selecionados. Eram ensaios clínicos randomizados com gestantes saudáveis, que realizaram ou não atividade física como a única intervenção para evitar ganho de peso excessivo na gravidez. No geral, mães que se exercitaram tiveram menor ganho de peso, na comparação com mães sedentárias.

 

          A conclusão é que a atividade física durante a gravidez pode ser útil para restringir o ganho de peso além do normal. Sabendo dos efeitos negativos da obesidade na gravidez, este achado tem tudo para agradar todo mundo: o obstetra, a gestante, o marido e até o bebê que ainda vai nascer. (Streuling et al. Physical activity and gestational weight gain: a meta-analysis of intervention trials. BJOG. 2011 Feb;118(3):278-84)

  

 

    

     

     

     

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h35

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico