Blog do Dr. Alexandre Faisal

03/03/2009

Vacina para a paixão

  

Uma vacina para fazer o outro se apaixonar por você poderá ser criada no futuro

Você apoiaria a criação desta vacina mesmo sabendo que ela poderia ser usada contra você? Vote 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

 

Vamos direto ao x da questão. O que você acha da idéia: uma fórmula química, tipo uma poção do amor, colocada, vamos dizer assim, inadvertidamente, na bebida do seu desinteressado parceiro, capaz de torná-lo um homem apaixonado por você. Aposto que algumas mulheres e homens vão gostar. Parece também ficção científica, mas pode se tornar realidade num futuro próximo. Pelo menos é o que sugere o neurocientista Larry Young, num artigo publicado na famosa revista científica Nature e que foi comentado no New York Times. Após analisar a química cerebral da formação do vínculo entre casais de determinada espécie de ratos, os rato-calunga, que ao contrário da grande maioria dos mamíferos, tem propensão à monogamia, o autor observou que assim que a fêmea recebia uma infusão artificial de oxicitocina, um hormônio normalmente produzido por ocasião do parto e lactação, ela procurava formar vínculos com o primeiro macho disponível. Do mesmo modo, uma outra substância, a vasopressina, quando injetada nos machos, ou quando ativada naturalmente a partir da estimulação sexual, também provocava desejos de formação de vínculos. A hipótese do pesquisador é que o amor humano possa ser desencadeado por uma cadeia de reações bioquímicas, que se inicia nas primeiras relações mãe-filho e está muito associada à liberação da oxitocina por ocasião do trabalho de parto e amamentação. Não é a toa que alguns autores chamam a oxicitocina do hormônio do amor. Para reforçar esta hipótese, o autor da pesquisa destaca que as regiões do corpo da mulher são as mesmas tanto nas preliminares sexuais e na relação sexual quanto no trabalho de parto e amamentação. De sobra ele explica o fascínio masculino com os seios femininos e sugere que quanto mais frequente é a relação sexual, maior a chance de se estabelecer vínculos. Se tudo isto parece fantástico e surreal, mais incrível é a possibilidade de, no futuro, serem desenvolvidos produtos químicos, com base na oxicitocina, que possam uma vez inoculados, borrifados ou ingeridos pela pessoa cobiçada, criar nela o mesmo encanto e disposição para o acasalamento. O articulista do NYT não deixou passar em branco e percebeu que esta ficção também tem um lado de horror. Será que uma vez criada a poção mágica do amor, não será criada também a vacina, um bloqueador de oxicitocina, que funcionará como antídoto, impedindo as pessoas de se apaixonarem?. Senhores e senhoras façam suas apostas. (Young LJ. Being human: love: neuroscience reveals all. Nature. 457(7226):148, 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h32

02/03/2009

Falta do parceiro atrasa a maternidade

 

Muitas mulheres adiam a maternidade por diversas razões .

Você acha que a dificuldade de encontrar um bom parceiro é o principal motivo? Vote 

 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

Você gostaria de saber por que, realmente, as mulheres adiam a época da primeira gravidez? Claro, principalmente, se você é mulher, na faixa dos 35 anos e planeja ser mãe, mas ainda não encontrou o parceiro ideal.  Pois bem é justamente por este singelo motivo que as mulheres retardam o momento de ficarem grávidas. Ou melhor dizendo, este é o motivo mais importante, já que outros problemas relacionados às questões profissionais e do cotidiano tem importância secundária. Esta é a conclusão de estudo com 234 mulheres, com idade igual ou maior que 34 anos, sem filhos, que procuraram uma clínica de planejamento familiar em Edimburgo, Escócia. As respostas ao questionário sobre motivos para não terem ainda engravidado mostrou o seguinte ranking: 74% das mulheres estavam preocupadas com problemas de relacionamento, 52%, preocupadas com problemas do dia–a-dia e apenas 34% culparam as questões profissionais. E na grande maioria das vezes, elas sabem que adiar uma gravidez é sempre uma decisão difícil que envolve alguns riscos para a mãe e para o futuro bebê. Em tempos recentes, a conclusão da pesquisa pode desagradar muitas feministas que priorizam suas profissões e afazares em detrimento de um bom parceiro, quando chega a hora H, ou melhor dizendo, a hora G, a hora da Gravidez. O fato é que como não existem tantos príncipes encantados disponíveis no mercado para as exigentes mulheres que já passaram dos 35 anos de idade, o dilema é “ficar com o que homem que está disponível ou correr o risco de continuar titia”.  (Glasier et al, 2008, Contraception)  

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h13

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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