Blog do Dr. Alexandre Faisal

20/03/2009

O risco do esforço físico para a mulher

 A descida dos orgãos pélvicos (útero e bexiga) é um sério problema para algumas mulheres?  

Você acha que o esforço físico aumenta o risco deste inconveniente problema feminino? Vote 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

Prolapso de órgão pélvicos é um problema desagradável e relativamente comum para mulheres na terceira idade. Nesta situação, o útero, a bexiga sofrem uma descida e podem inclusive se exteriorizar pela vagina. A prevenção do prolapso genital é assunto que deve interessar as mulheres. Um estudo realizado na Holanda, com mais de 1800 mulheres, com idade entre 45 e 85 anos, que responderam a questionário enviado por correio, esclareceu quais são os fatores de risco para a ocorrência do prolapso. E os resultados, alguns deles inéditos, são muito interessantes. Estudos prévios destacavam sempre a influência do envelhecimento e do número de partos, principalmente os partos vaginais, mas este ressalta novos aspectos. Para os pesquisadores 3 fatores se associaram com o problema: presença de sintomas de prolapso dos órgãos pélvicos, tais como perder urina ou fezes ao fazer esforço, durante a gravidez; história materna do problema, ou seja, se a própria mãe teve o problema o risco da mulher aumenta quase 70%, e finalmente, trabalho braçal ou atividade física pesada, onde a pessoa emprega muita força.  Se os 2 primeiros fatores, os sintomas de prolapso na gravidez e a história materna, não podem ser modificados, a boa notícia é que o trabalho e esforço físico intenso podem. A mulher consciente do risco associado ao esforço físico exagerado pode, eventualmente, se adequar: diminuir o esforço, pausar o ritmo e até mesmo evitar algumas atividades. Uma tarefa que nem sempre é fácil e que muitas vezes vai depender da boa-vontade dos maridos e dos patrões. Neste caso elas estão autorizadas a dizerem para eles e para si mesmas: “pega leve” (Slieker-ten Hove et al. Am J Obstet Gynecol 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h17

17/03/2009

É possível incrementar o desejo sexual na menopausa?

A manutenção do desejo sexual na menopausa é muito importante para alguns casais?  

Você acha que é possível incrementar a libido na menopausa ? Vote 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

Uma pesquisa australiana vai animar, e é animar mesmo, as mulheres que estão na menopausa e sofrem com a diminuição da libido. Cientistas da Universidade de Monash avaliaram os efeitos do uso do hormônio testosterona, na forma de adesivos, colocados sobre a pele, na melhora da vida sexual das mulheres, menopausadas, que não estavam fazendo uso de reposição hormonal e que referiam falta de desejo sexual. As 814 participantes receberam, ao acaso, placebo, ou seja, medicação sem hormônios, ou adesivos, com duas concentrações de testosterona: 150 ou 300 microgramas por dia. A boa notícia é que após 24 semanas, o grupo que recebeu a dose mais alta de testosterona apresentou significativa melhora da vida sexual. Melhor ainda, os adesivos hormonais, nas duas doses testadas, no geral, melhoraram o desejo sexual e diminuíram o estresse psicológico. Maravilha de resultados não fosse o pequeno inconveniente dos efeitos colaterais do tratamento, principalmente, o crescimento de pelos. 30% das mulheres medicadas com hormônios reclamaram deste desagradável problema, enquanto no grupo que recebeu o placebo este índice foi de 23%. Tudo bem que, na maior parte dos casos, as mulheres consideraram este efeito colateral como leve e que menos de 5% delas pararam o uso dos adesivos por conta disso. Pelo que se vê, para algumas mulheres, é melhor sofrer com uns pelinhos indesejáveis do que com a indesejável falta de prazer. (Davis et al. NEJM 2008;359:2005-17)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h09

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico