Blog do Dr. Alexandre Faisal

08/05/2009

Homofobia e herança genética

Em tempos de enorme liberdade de escolha sexual a homofobia é um problema muito sério

Na sua opinião qual a principal causa da homofobia ?  Clique aqui para votar 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

A homofobia é um problema seriíssimo que, recentemente, vem sendo investigado cientificamente. Muitas pesquisas procuram, por exemplo, entender a pessoa que tem sentimentos negativos e, às vezes, até hostis em relação à homossexualidade. No entanto, poucos estudos enfocam a questão da etiologia, ou seja, as causas da homofobia. Pois bem, um interessante estudo australiano avaliou as influências genéticas e ambientais na homofobia ao analisar os dados de 4688 gêmeos, que responderam a questionário sobre comportamento sexual e atitudes sobre sexualidade, incluindo aquelas relacionadas à homossexualidade. Como esperado, os resultados mostram que homens são mais homofóbicos do que as mulheres e que homossexuais são mais tolerantes com seus pares do que os indivíduos heterossexuais. Mas o resultado mais surpreendente foi a importância da influência genética na aversão à homossexualidade. Os autores chegam a afirmar que a atitude face à homossexualidade é, essencialmente, herdada e que a influência ambiental e social é, relativamente, menor. É provável que a pesquisa esquente o debate já acalorado sobre as origens das preferências sexuais, bem como sobre as reações favoráveis ou contrárias a elas. E isto é excelente já que vivemos uma época de enorme liberdade de escolhas, sexuais ou não, na qual todas as formas de hostilidade às diferenças soam ultrapassadas e primitivas, para não dizer que são ilegais. Por outro lado, com estes resultados é preciso torcer para que as pessoas homofóbicas, mulheres ou homens, não se sintam à vontade para culparem, apenas, os seus genes. (Verweij et al. Behav Genet 2008)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h41

06/05/2009

Obesidade e qualidade dos espermatozóides

Muitos casais não conseguem ter filhos e nem sempre o problema é da mulher

Voce acha que a obesidade masculina pode interferir com a qualidade dos espermatozóides?  Clique aqui para votar 

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Está cada vez mais complicada a vida dos homens obesos. Dos gordinhos, mas não obesos, também. Principalmente, se eles forem objetos do desejo de mulheres que querem engravidar. Um estudo publicado no periódico Fertility Sterility sugere que existe uma relação entre obesidade e qualidade do sêmen. Em outras palavras, a oligospermia, definida como concentração de espermatozóides menor do que 20 milhões por ml e a maior contagem de espermatozóides de baixa motilidade, outro importante parâmetro na avaliação da qualidade do sêmen é mais freqüente nos indivíduos com sobrepeso e obesos. Foram estudados 390 homens americanos, com idade média de 32 anos, que procuraram clínica para tratamento de infertilidade. Na pesquisa, os autores usaram como critério para a definição de obesidade o IMC, o Índice de Massa Corpórea, onde o peso é dividido pela altura ao quadrado. Valores abaixo de 25 são considerados normais, entre 25 e 30 são classificados como sobrepeso e acima de 30, como obesidade. Pois bem, para ficarmos apenas no exemplo da diminuição do número de espermatozóides, a oligospermia, a freqüência do problema é cerca de 20 a 40% maior nos homens acima do peso.  A obesidade tem sido associada a problemas hormonais nas mulheres, mas esta relação não está totalmente esclarecida nos homens. Daí o interesse nesta linha de pesquisa. Mas os homens gordinhos e obesos não precisam ficar chateados. O mesmo estudo mostrou que não houve diferenças significativas na freqüência de disfunções eréteis quando eles foram comparados aos indivíduos que apresentavam peso adequado. Este dado soa como alívio para muitos homens já que as respectivas parceiras podem reclamar da qualidade dos seus espermatozóides, mas não das suas performances. (Hammoud et al. Fert Steril 2008;90:2222-25)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h45

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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