Blog do Dr. Alexandre Faisal

22/05/2009

Práticas sexuais: qual é a melhor?

Uma vida sexual satisfatória faz bem a (quase) todas as pessoas.

Na sua opinião qual é a melhor prática ou atividade sexual ?  Clique aqui para votar 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

A conclusão deste estudo sobre as diferentes práticas sexuais vai desagradar a muitas pessoas: sexologista, terapeutas e pior ainda, muitas mulheres. A relação sexual vaginal, ou seja, o coito pênis vagina é melhor do que todas as outras práticas sexuais. Este tipo de relação se associa aos melhores índices de funcionamento fisiológico e psicológico, quando comparado às outras atividades sexuais tais como: masturbação, solitária ou com o parceiro, sexo oral, sexo anal e outras formas de sexo sem penetração. Para defender seu ponto de vista, Stuart Brody publicou um artigo na Sexual and Relationship Therapy onde faz uma revisão das pesquisas que compararam as diferentes modalidades de sexo. Por exemplo, o autor afirma que psicologicamente pessoas que tiveram sexo vaginal nas últimas 2 semanas apresentaram melhor resposta ao estresse e que, do ponto de vista fisiológico, o orgasmo decorrente da relação sexual aumenta em 40% a liberação de prolactina, na comparação com a masturbação. Isso evidenciaria a repercussão do orgasmo oriundo do coito sobre o cérebro. Neste caso, seriam envolvidas as vias neurohormonais, como o sistema dopaminérgico, durante a relação e após o orgasmo. Essas vias estão associadas à percepção do prazer. A conclusão do artigo pode parecer simples e esperada, mas ela reacende uma antiga polêmica entre a diferença do orgasmo clitoriano e vaginal. Enquanto muitos sexologistas negam tal diferença e muitas mulheres se sentem felizes e reconfortadas por isso, a polêmica vai continuar. Provavelmente sem solução, já que a discussão foi contaminada por ideologistas, educadores sexuais, feministas radicais e mesmo, religiosos, cada um defendendo seus interesses. Ou seria melhor dizer, suas neuroses?. Controvérsias a parte, o artigo causaria enorme satisfação no pai da psicanálise que defendeu, firmemente, a diferença entre orgasmo vaginal e clitoriano. Mas até que se chegue a um consenso, minha sugestão, é que cada uma se divirta como pode. (Brody S. Sex Rel Therapy 2006)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h41

18/05/2009

Como as mulheres e os homens se expressam ao ficarem doentes?

Existem fortes evidências de que homens e mulheres não se expressam da mesma maneira ao adoecerem

Você acha que a questão de gênero (ser mulher ou ser homem) influencia o atendimento médico?  Clique aqui para votar 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

Você seria capaz de identificar o sexo de uma pessoa que está com câncer em função apenas do conteúdo e da forma de um texto escrito por ela mesma? Pois bem, para 130 estudantes de medicina e psicologia de uma universidade sueca isto foi possível em 62% dos casos. A partir da análise das cartas escritas por 83 doentes com idade entre 18 e 70 anos com diagnóstico de diferentes tipos de câncer, no período de até 8 meses, os estudantes procuraram analisar qualitativamente o modo como a pessoa se sentia, como recebeu a notícia e o que se passou desde o diagnóstico. Os autores da pesquisa omitiram intencionalmente palavras ou fatos que revelassem o sexo da pessoa doente. Bom, você deve estar se perguntando o que estes pesquisadores queriam provar com esta estranha metodologia? Eles queriam mostrar que existem sim diferenças no atendimento de mulheres e homens só porque eles são mulheres e homens. O chamado viés de gênero, ou seja, o fato do diagnóstico e do tratamento ser oferecido de maneira diferente para ambos os sexos, no caso de algumas doenças, é um fato que nem sempre é bem explicado. Seria o modo do médico, ou médica, entender a queixa do paciente ou seria a maneira como mulheres e homens se expressam ao escreverem? Quem sabe as duas hipóteses. De qualquer modo, as explicações dos estudantes para definirem o sexo dos pacientes é, no mínimo, reveladora, de parte, da polêmica. Segundo eles, cartas escritas por homens eram mais curtas, e focadas no problema, usavam linguagem formal e careciam de emoção. Em contraste, as cartas escritas por mulheres eram mais longas, com linguagem vívida, com menções de situações emocionais e relações interpessoais. Estereótipos à parte, é claro que pacientes mulheres e homens descrevem sua doença de modos diferentes. Mas que isto não seja motivo de discriminação no atendimento médico das mulheres. A pesquisa enfrenta um fantasma pouco discutido e estudado na medicina: a questão do gênero na relação médico paciente e autoriza as mulheres a continuarem sendo o que são, nem que para isto, tenham de mudar de médico. (Andersson et al. International Journal for Equity in Health, 2008)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h02

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico