Dia Mundial do Orgasmo
O Dia Mundial do Orgasmo pode ser uma ótima oportunidade para as pessoas pensarem melhor sobre suas vidas sexuais
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Leia o texto abaixo (excepcionalmente o áudio será inserido posteriormente)
Hoje, comemora-se o dia internacional do orgasmo e me veio à mente a queixa recente de uma paciente, mulher de meia-idade, lá pelos seus 52 anos, um pouco acima do peso, mas ainda dona de um certo charme e sensualidade. Casada há mais de 23 anos, com o mesmo homem, com quem vivia bem, sem muitos altos ou baixos. Mãe de três filhos, todos adultos, ocupava seu tempo entre os cuidados domésticos e o trabalho que não chegava a encantar, mas que também não importunava. Ela me reclamava de desânimo sexual. O prazer, o orgasmo, estava totalmente preservado, mas não se animava a procurar o parceiro. De resto, nenhum conflito; nem depressão, nem falta de dinheiro, nada. Apenas desânimo sexual. Questionada sobre sua atividade sexual, surge, mais evidente do que o desânimo, um descompasso sexual. ‘Três vezes”, disse-me ela. “Ah sim, três vezes por semana”, retruquei quase admirando o ímpeto do casal, pensando, ao mesmo tempo, nas pesquisas sobre a sexualidade do brasileiro, que falam em uma ou duas vezes por semana. “Não doutor. Três vezes todos os dias”, afirmou ela, tranquilamente, corrigindo-me. Choque absoluto. Curiosidade plena. “Todas as noites?”. “Há tantos anos?”. “E nos finais de semana?”. Uma série de questões passaram pela minha cabeça e todas as respostas conduziram ao mesmo lugar: um marido que adora ter sexo, ter orgasmos. Obviamente não era nenhum super-homem e não havia adquirido seus super-poderes a custa do uso de Viagras, Cialis ou medicações similares. Não era também um grande apaixonado, já que, como todos sabem, ela inclusive, os anos de convivência amenizam o fogo da paixão. Apenas gostava de sexo, no que, por muito tempo, foi acompanhado pela esposa. Mas, agora, ela precisava de intervalos maiores. E eu, talvez, de uma oportunidade para refletir sobre a busca incansável pelo orgasmo. Sem preconceitos, sem pré-julgamentos. Mas com um certo ceticismo, já que não só na atividade profissional, no consultório, mas igualmente na vida privada, com os amigos e familiares, a busca pelo orgasmo virou uma obsessão. Como a obsessão do corpo perfeito, da juventude, da beleza. Procura-se de todas as maneiras atingi-lo e prolongá-lo. Várias vezes por semana e durando minutos, de preferência inserido-o num coito igualmente perfeito e intenso. Ainda que fisiologicamente ele deva durar pouco. Alguns segundos não mais do que isso. E que ele demande, pelo menos para o homem, intervalos para sua repetição. Cada vez maiores, com o envelhecimento e com o maior número de relações seguidas. A anatomia e fisiologia poupou as mulheres deste incomodo, mas elas admitem reservadamente que também precisam de descanso. O surgimento das novas drogas para impotência sexual (ops, disfunção erétil) masculina veio para colaborar na obtenção destes ideais de atuação. Tanto é que, atualmente, os esforços das pesquisas médicas da área se concentram na busca de novas medicações, para as mulheres. Um mercado enorme a julgar pela muitos estudos que confirmam um grande contingente de mulheres anorgásmicas ou sem libido. Drogas que se propõem a resolver problemas sexuais, sem necessariamente ter que transformá-los em problemas psicológicos mais complexos. Enfim, menos reflexões e mais resultados. Performance garantida. Avanços científicos a parte, ainda não conseguimos prescindir do vínculo amoroso, das preliminares sexuais, da conquista e da sedução para conseguir um bom orgasmo. No que pode marcar a diferença entre ter sexo e ter prazer. Sexo sem prazer fica meio parecido com malhação, sem vontade e se alimentar sem apetite. E mesmo se ficássemos com apenas com a fisiologia teríamos que aceitar que nada como o repouso após o exercício, nada como um descanso para a digestão. E o orgasmo?. A mesma coisa. Depois do prazer, um tempo de plenitude, de calmaria, até que a força do desejo reapareça. Enfim, nada como um intervalo após o outro. Difícil dizer se o intervalo é de algumas horas todas as noites, como no marido do exemplo acima ou se é de dias ou semanas. Cabe a cada um descobrir. Tarefa complicadíssima, mas não impossível. Quem tem tranqüilidade de afirmar que gosta de sexo uma vez por semana ou a cada 15 dias e desse jeito está feliz?. Um dia do orgasmo é excelente, se pudermos celebrá-lo, orgasticamente. Melhor ainda se pudermos gozar todos os dias do ano que o antecedem.
Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 01h05
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