Blog do Dr. Alexandre Faisal

31/07/2009

Dia Mundial do Orgasmo

  

 O Dia Mundial do Orgasmo pode ser uma ótima oportunidade para as pessoas pensarem melhor sobre suas vidas   sexuais

 Você acha que existe uma frequência ideal para as relações sexuais?. Clique aqui para votar

 Leia o texto abaixo (excepcionalmente o áudio será inserido posteriormente)

 

Hoje, comemora-se o dia internacional do orgasmo e me veio à mente a queixa recente de uma paciente, mulher de meia-idade, lá pelos seus 52 anos, um pouco acima do peso, mas ainda dona de um certo charme e sensualidade. Casada há mais de 23 anos, com o mesmo homem, com quem vivia bem, sem muitos altos ou baixos. Mãe de três filhos, todos adultos, ocupava seu tempo entre os cuidados domésticos e o trabalho que não chegava a encantar, mas que também não importunava. Ela me reclamava de desânimo sexual. O prazer, o orgasmo, estava totalmente preservado, mas não se animava a procurar o parceiro. De resto, nenhum conflito; nem depressão, nem falta de dinheiro, nada. Apenas desânimo sexual. Questionada sobre sua atividade sexual, surge, mais evidente do que o desânimo, um descompasso sexual. ‘Três vezes”, disse-me ela. “Ah sim, três vezes por semana”, retruquei quase admirando o ímpeto do casal, pensando, ao mesmo tempo, nas pesquisas sobre a sexualidade do brasileiro, que falam em uma ou duas vezes por semana. “Não doutor. Três vezes todos os dias”, afirmou ela, tranquilamente, corrigindo-me. Choque absoluto. Curiosidade plena. “Todas as noites?”. “Há tantos anos?”. “E nos finais de semana?”. Uma série de questões passaram pela minha cabeça e todas as respostas conduziram ao mesmo lugar: um marido que adora ter sexo, ter orgasmos. Obviamente não era nenhum super-homem e não havia adquirido seus super-poderes a custa do uso de Viagras, Cialis ou medicações similares. Não era também um grande apaixonado, já que, como todos sabem, ela inclusive, os anos de convivência amenizam o fogo da paixão. Apenas gostava de sexo, no que, por muito tempo, foi acompanhado pela esposa. Mas, agora, ela precisava de intervalos maiores. E eu, talvez, de uma oportunidade para refletir sobre a busca incansável pelo orgasmo. Sem preconceitos, sem pré-julgamentos. Mas com um certo ceticismo, já que não só na atividade profissional, no consultório, mas igualmente na vida privada, com os amigos e familiares, a busca pelo orgasmo virou uma obsessão. Como a obsessão do corpo perfeito, da juventude, da beleza. Procura-se de todas as maneiras atingi-lo e prolongá-lo. Várias vezes por semana e durando minutos, de preferência inserido-o num coito igualmente perfeito e intenso. Ainda que fisiologicamente ele deva durar pouco. Alguns segundos não mais do que isso. E que ele demande, pelo menos para o homem, intervalos para sua repetição. Cada vez maiores, com o envelhecimento e com o maior número de relações seguidas. A anatomia e fisiologia poupou as mulheres deste incomodo, mas elas admitem reservadamente que também precisam de descanso. O surgimento das novas drogas para impotência sexual (ops, disfunção erétil) masculina veio para colaborar na obtenção destes ideais de atuação. Tanto é que, atualmente, os esforços das pesquisas médicas da área se concentram na busca de novas medicações, para as mulheres. Um mercado enorme a julgar pela muitos estudos que confirmam um grande contingente de mulheres anorgásmicas ou sem libido. Drogas que se propõem a resolver problemas sexuais, sem necessariamente ter que transformá-los em problemas psicológicos mais complexos. Enfim, menos reflexões e mais resultados. Performance garantida. Avanços científicos a parte, ainda não conseguimos prescindir do vínculo amoroso, das preliminares sexuais, da conquista e da sedução para conseguir um bom orgasmo. No que pode marcar a diferença entre ter sexo e ter prazer. Sexo sem prazer fica meio parecido com malhação, sem vontade e se alimentar sem apetite. E mesmo se ficássemos com apenas com a fisiologia teríamos que aceitar que nada como o repouso após o exercício, nada como um descanso para a digestão. E o orgasmo?. A mesma coisa. Depois do prazer, um tempo de plenitude, de calmaria, até que a força do desejo reapareça. Enfim, nada como um intervalo após o outro. Difícil dizer se o intervalo é de algumas horas todas as noites, como no marido do exemplo acima ou se é de dias ou semanas. Cabe a cada um descobrir. Tarefa complicadíssima, mas não impossível. Quem tem tranqüilidade de afirmar que gosta de sexo uma vez por semana ou a cada 15 dias e desse jeito está feliz?. Um dia do orgasmo é excelente, se pudermos celebrá-lo, orgasticamente. Melhor ainda se pudermos gozar todos os dias do ano que o antecedem.

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 01h05

27/07/2009

A primeira impressão é a que fica

A ciência está provando que o ditado popular "a primeira impressão é a que fica" é verdadeiro.

Você acha que a primeira impressão é mesmo fundamental para o início da relação entre o homem e a mulher?  Clique aqui para votar  

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

  

Imaginemos a seguinte cena: você é apresentada a uma pessoa pela primeira vez e de cara você não gosta dela. O contato de vocês nem bem começou e você já não se simpatiza com a figura. Pois bem, provavelmente, você está com a razão. Ou pelo menos, está usando determinadas áreas cerebrais que dão suporte a formação das primeiras impressões. O processo ainda que inconsciente resulta em avaliações relativamente acuradas e duradouras, feitas de maneira muito rápida, as vezes, com duração inferior a 30 segundos. Isto é o que mostra um estudo publicado no periódico Nature, com pesquisadores de universidades de Nova York, Tufts e Harvard. No experimento foi examinada a atividade cerebral de 19 voluntários aos quais foram apresentados perfis escritos de 20 indivíduos fictícios, com diferentes características pessoais. Cada perfil foi acompanhado de uma foto e incluíam cenários indicando traços positivos, como por exemplo, “inteligente” e, negativos, como por exemplo, “preguiçoso”. Uma vez que os participantes haviam lido os perfis, eles diziam quanto haviam gostado de cada um deles. As impressões dos voluntários variaram de acordo com avaliação subjetiva dos aspectos positivos e negativos dos perfis avaliados. Por exemplo, se um participante dava mais importância à inteligência do que à preguiça, caso os dois traços fizessem parte do mesmo perfil a impressão formada era positiva. Neste ínterim, a atividade do cérebro dos participantes foi observada por meio de ressonância magnética funcional. Com base nas notas dadas pelos participantes aos perfis, os pesquisadores puderam determinar as diferenças nas atividades cerebrais ao encontrar informações que eram mais importantes na formação das primeiras impressões. Duas regiões cerebrais mostraram intensa atividade neste processo de formação das primeiras impressões: a amígdala, que estudos anteriores ligaram às avaliações sociais baseadas em grupos familiares ou de confiança e o córtex cingular posterior, que atua em decisões relacionadas ao dinheiro ou a recompensa. Resumo da história: a ciência está apenas confirmando o que muitas mulheres e homens já sabem e que o ditado popular confirma: a primeira impressão é a que fica. Portanto se o objetivo é encantar, cumpra-o logo de cara, no primeiro encontro. Depois pode ser muito tarde (Schiller et al. Nature, 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h57

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico