Blog do Dr. Alexandre Faisal

06/08/2009

Vale a pena parar de fumar após o quarto mês de gravidez?

As mulheres, gestantes ou não, sabem que o tabagismo não combina, nem um pouco, com gravidez  

Mas será que adianta parar de fumar após os 4 meses de gestação?  Clique aqui para votar  

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

Gestantes que ainda estão fumando no início da gravidez podem eventualmente pensar da seguinte maneira: “já que eu parei de fumar até agora então não adianta parar mais”. Podem pensar assim mas elas estão enganadas. Para de fumar na gravidez mesmo estando no 4 mês de gestação é benéfico para o bebe e não estressa a mãe. Isso mesmo: no caso da gravidez nunca é tarde para de fumar. Um estudo realizado na Nova Zelândia comparou a taxa de partos prematuros e bebes de baixo peso de gestantes não fumantes com 2 grupos de mulheres fumantes: as que abandonaram o cigarro antes de 15 semanas de gravidez e as que continuaram fumando ao longo da gravidez. Conclusão: a taxa de bebes que nascem antes da hora, ou seja, prematuros e de bebes com baixo peso é a mesma nos grupos de não fumantes e ex-fumantes. Já para as fumantes a história é bem diferente. Neste grupo o risco de prematuridade é 3 vezes maior e o risco de bebe pequenos é quase 2 x maior, na comparação com ex-fumantes. Em relação à época da interrupção do tabagismo, 51% das mulheres pararam antes de 6 semanas, bem no início da gravidez e 43% delas pararam até 12 semanas, no final do primeiro trimestre. Um outro dado interessante que os autores demoliram com uma crença sobre um eventual benefício do tabagismo. Fumantes, em geral, alegam que o cigarro acalma, "desestressa". Na pesquisa, no entanto, os autores não observaram aumento nos níveis de ansiedade, estresse ou depressão nas grávidas que pararam de fumar. Portanto, da próxima vez que você escutar de uma gestante que ela está fumando para se acalmar, porque senão ela fica nervosa, acredite, ou ela está enganada ou ela está mentindo. (McCowan et al, 2009. British Medical Journal)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h13

02/08/2009

Síndrome do Pânico é um problema que afeta até 3% das pessoas, incluindo muitas mulheres.

Qual é a melhor opção de tratamento: o uso de medicamentos ou a psicoterapia ?  Clique aqui para votar  

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

A Síndrome do Pânico é um sério transtorno do humor até 3% da população atingindo homens e mulheres. Os sintomas da síndrome incluem ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhado de ansiedade antecipatória que mescla sentimentos de impotência e humilhação. A síndrome do pânico causa grande o prejuízo na qualidade de vida da pessoa, justificando a necessidade de tratamento eficaz. Mas qual tratamento?. Os medicamentos, como os benzodiazepínicos, a psicoterapia ou os dois juntos?. A resposta é: todos os tratamentos são eficazes. Esta é a conclusão de uma meta-análise, ou seja, revisão de estudos clínicos que abordaram a questão. Foram encontradas 3 estudos que compararam a eficiência das duas terapias em conjunto com a de cada uma delas isoladamente. As intervenções psicoterápicas duraram de 12 a 16 semanas e os pacientes foram acompanhados por 12 meses. Ainda que baseada em pequena quantidade de dados; no total foram avaliados 243 pacientes, esta publicação da Cochrane, realizada por pesquisadores do Japão e do Reino Unido, confirma que não foram encontradas diferenças significativas entre a eficiência da psicoterapia isolada e da combinação com medicamentos. Do mesmo modo, em relação ao tratamento apenas com os benzodiazepínicos, a combinação das duas intervenções apresentou uma pequena vantagem terapêutica que, no entanto, desapareceu após sete meses. Conclusão: novos estudos são recomendados, mas por enquanto se a questão é opção por um tratamento, as pessoas não precisam mais entrar em pânico com suas escolhas. (Watanabe N. Cochrane Database of Systematic 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h14

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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