Parar de fumar: só após "uma má notícia"?
No dia internacional contra o tabagismo é interessante entender algumas das razões que levam as pessoas, incluindo muitas mulheres, a pararem de fumar
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Os efeitos negativos do tabagismo para a saúde são amplamente conhecidos há muitos anos. No entanto, uma porcentagem significativa da população mundial e brasileira ainda fuma. Uma em cada 5 pessoas é fumante, sendo que algumas tem enormes dificuldades em parar de fumar. Até que elas recebam um diagnóstico de câncer, doença pulmonar, acidente vascular cerebral, diabetes e doença cardíaca. É isto mesmo. Os pacientes que são diagnosticados com estas doenças tem chance 3 vezes maior de abandonar o vício na comparação com os pacientes que não receberam nenhum destes diagnósticos. Mais ainda, se o paciente receber mais de uma má notícia, ou melhor, mais de um diagnóstico, simultaneamente, a chance de parar de fumar chega a ser 6 vezes maior. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado no Archives of Internal Medicine. A autora da pesquisa, da Yale School of Medicine, nos Estados Unidos estudou a incidência de novos diagnósticos em mais de 7700 pacientes, num período de 8 anos e chegou a um ranking curioso acerca do abandono do tabagismo. A maior chance de abandono ocorreu nas pessoas recém-diagnosticadas com doença cardíaca, câncer e derrame cerebral. Já para doença pulmonar e diabetes o impacto sobre a interrupção do ato de fumar foi menor, mas continuou existindo. A conclusão do estudo é que apesar do sofrimento e preocupação causado pelo novo diagnóstico, ele pode ser considerado uma oportunidade para incentivar os adultos a mudarem hábitos de vida relacionados à saúde. Difícil, no entanto, é entender a cabeça do ser humano diante de situações limites, como, por exemplo, o recebimento de diagnóstico de doença grave e com risco de vida. Para alguns não há nada que se fazer. Para outros nunca é tarde para mudar. (Keenan PS. Arch Intern Med, 2009)
Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 16h53
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