Blog do Dr. Alexandre Faisal

28/08/2009

Parar de fumar: só após "uma má notícia"?

No dia internacional contra o tabagismo é interessante entender algumas das razões que levam as pessoas, incluindo muitas mulheres, a pararem de fumar

Você acha que receber um diagnóstico de doença grave ajuda a pessoa a parar de fumar ?  Clique aqui para votar   

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Os efeitos negativos do tabagismo para a saúde são amplamente conhecidos há muitos anos. No entanto, uma porcentagem significativa da população mundial e brasileira ainda fuma. Uma em cada 5 pessoas é fumante, sendo que algumas tem enormes dificuldades em parar de fumar. Até que elas recebam um diagnóstico de câncer, doença pulmonar, acidente vascular cerebral, diabetes e doença cardíaca. É isto mesmo. Os pacientes que são diagnosticados com estas doenças tem chance 3 vezes maior de abandonar o vício na comparação com os pacientes que não receberam nenhum destes diagnósticos. Mais ainda, se o paciente receber mais de uma má notícia, ou melhor, mais de um diagnóstico, simultaneamente, a chance de parar de fumar chega a ser 6 vezes maior. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado no Archives of Internal Medicine. A autora da pesquisa, da Yale School of Medicine, nos Estados Unidos estudou a incidência de novos diagnósticos em mais de 7700 pacientes, num período de 8 anos e chegou a um ranking curioso acerca do abandono do tabagismo. A maior chance de abandono ocorreu nas pessoas recém-diagnosticadas com doença cardíaca, câncer e derrame cerebral. Já para doença pulmonar e diabetes o impacto sobre a interrupção do ato de fumar foi menor, mas continuou existindo. A conclusão do estudo é que apesar do sofrimento e preocupação causado pelo novo diagnóstico, ele pode ser considerado uma oportunidade para incentivar os adultos a mudarem hábitos de vida relacionados à saúde. Difícil, no entanto, é entender a cabeça do ser humano diante de situações limites, como, por exemplo, o recebimento de diagnóstico de doença grave e com risco de vida. Para alguns não há nada que se fazer. Para outros nunca é tarde para mudar. (Keenan PS. Arch Intern Med, 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 16h53

25/08/2009

Ducha vaginal

Muitas mulheres usam (e abusam) da duchas vaginais visando minimizar o risco de corrimentos e doenças sexualmente transmissíveis (DST) 

Qual a sua opinião sobre o uso de duchas vaginais ?  Clique aqui para vota  

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Muitas mulheres são adeptas do uso de duchas vaginais. Principalmente após as relações sexuais. Em muitos casos o significado das duchas para as mulheres é de fazer a higiene íntima, a exemplo do uso das duchas para a limpeza doméstica.  Mas será que esta prática é recomendável?. Ou melhor será que as duchas vaginais se associam com menor risco da contaminação de DST ou doenças sexualmente transmissíveis?. Desde já a resposta é não. Esta foi a conclusão de um estudo com 411 adolescentes do sexo feminino, entre 12 e 19 anos de idade, infectadas ou não pelo vírus da AIDS, que foram acompanhadas por um período médio de 3 anos. As participantes foram avaliadas desde a entrada no estudo, na primeira consulta sem DST até o surgimento da mesma, sendo divididas em 3 grupos: aquelas que jamais haviam usado ducha vaginal, as que usavam intermitentemente e as que usavam sempre. Resultado curioso: o tempo até o surgimento da doença sexualmente transmissível foi mais curto nas adolescentes que usavam duchas sempre ou ocasionalmente. Para se ter uma dimensão do risco de DST, ele foi 80% maior nas usuárias regulares de duchas. A mensagem é clara: deve-se desencorajar esta prática já que sem ducha o risco de doença sexualmente transmissível diminuiu. Pelo menos em adolescentes de alto risco. Como se vê, em se tratando de duchas vaginais é possível que o paralelo com a higiene domiciliar continue, só que no caso dos cuidados íntimos, infelizmente, “lavou não está novo”.  (Tsai et al. Am J Obstet Gynecol, 2009).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h36

23/08/2009

Depressão na menopausa

 Depressão é um problema comum para as mulheres que estão entrando na menopausa

Na sua opinião, qual é o papel das mudanças hormonais neste tipo de problema?  Clique aqui para votar   

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Depressão é um tema importantíssimo para as mulheres. Principalmente quando elas estão na transição para a menopausa. Entender a relação entre os hormônios e os sintomas depressivos, por exemplo, poderia ajudar na definição das estratégias de prevenção e tratamento da depressão. Pois bem, uma pesquisa realizada na Austrália avaliou os dados de 138 mulheres, na pós-menopausa, que fazem parte de um grande estudo de base populacional. Os autores procuraram estabelecer a relação entre os níveis absolutos, ou suas alterações, e depressão. Eles não encontraram associações significativas entre níveis absolutos de vários hormônios, tais como testosterona, estradiol total ou livre, entre outros. Mas observaram que as mulheres com declínio do estradiol total ao longo de dois anos tinham 3 vezes mais chance de estarem deprimidas. Do mesmo modo, isto também ocorreu com o aumento grande do FSH, o hormônio folículo estimulante. A associação entre as variações dos níveis hormonais e estado de humor das mulheres é bem conhecida e tem sido empregada para explicar sintomas que aparecem em fases e períodos variados da vida da mulher: antes das menstruações, depois do parto, etc. As próprias mulheres estão aí para confirmar o que parece evidente; que as flutuações dos hormônios femininos mexem com a cabeça de qualquer uma. Mas vamos torcer também para que elas, de agora em diante, não coloquem toda a responsabilidade nos seus próprios hormônios.  (Ryan et al. Menopause,2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h03

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico