Blog do Dr. Alexandre Faisal

09/09/2009

Consequências negativas da vingança

"Doença é a vingança". Homens e mulheres já justificaram suas atitudes usando esta frase. Mas será que ela é verdadeira?.

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“Doce é a vingança”. A frase de Lord Byron em Don Juan pode ter muitos adeptos, mas não é necessariamente verdadeira. Pelo contrário, a vingança traz algumas conseqüências bem desagradáveis para o vingador. Um estudo publicado no periódico J Personality and Social Pshycology explica como isto acontece. Os pesquisadores americanos, um deles da Universidade de Harvard decidiram avaliar o impacto afetivo da vingança para quem perpetua a ação, bem como se a pessoa prevê algum tipo de efeito negativo do seu ato. Para isto eles realizaram 3 estudos com  vários grupos de indivíduos jovens, na maioria das vezes, estudantes universitários, nos quais a pessoa era confrontada com decisões que privilegiavam o grupo ou a si mesma. Por meio de jogos interativos, no principal estudo em questão, um jogo sobre investimentos econômicos, e com auxílio de programa específico de computação os participantes eram livres para tomar suas decisões. Ao final da partida eles eram classificados em grupos, que tinham ou não o direito de punir os demais concorrentes. Imediatamente e 10 minutos após o jogo, eles respondiam a questionário sobre o grau de satisfação da sua atuação, punitiva ou não. Conclusão: os vingadores se sentiram pior do que os não vingadores. Em outras palavras, as pessoas esperam ter recompensas afetivas com a punição de um agressor, mas em certas circunstâncias, as conseqüências da vingança são exatamente o contrário. Uma das explicações é que o indivíduo que se vinga continua pensando, ininterruptamente, sobre o agressor. Na verdade, ele não para de pensar, no que os psicólogos chamam, sem gozação, bem claro, de “ruminação”. Por outro lado, aqueles que não punem, não optam pela vingança, podem seguir em frente e pensam cada vez menos no inimigo.  Outro aspecto curioso é que, segundo os autores da pesquisa, as pessoas não sabem apreciar corretamente as diferentes conseqüências afetivas do ato de testemunhar e de realizar ou instigar a vingança. Ou seja, vingança parece bom, mas não é. Então, se você anda perdendo tempo pensando em se vingar de alguém, desista, porque a vingança não é doce, mas sim a vingança será maligna. (Carlsmith, Gilbert & Wilson, 2008. J Pers Social Psychology)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 09h41

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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