Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/09/2009

Panorama do câncer de mama no Brasil

Pesquisa recente nacional fornece um raio x da situação atual do câncer de mama no Brasil, mostrando semelhanças, mas também e, infelizmente, algumas diferenças em relação aos países desenvolvidos

Você se preocupa com a prevenção do câncer de mama? Clique aqui para votar   

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Dados epidemiológicos recentes sobre o câncer de mama no Brasil estão sendo divulgados na comunidade científica e permitirão um panorama muito oportuno deste grave problema.  O projeto Amazona desenvolvido pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama avaliou mais de 4900 mulheres com câncer de mama, uma amostra que constitui, aproximadamente, 5% das brasileiras com este diagnóstico no período do estudo. A pesquisa foi realizada em 28 instituições de saúde de todo o país, entre clínicas e hospitais públicos e privados, em 2001 e 2006. Alguns resultados são muito interessantes. Por exemplo, a idade média para o diagnóstico de câncer de mama no Brasil está em 59,3 anos, resultado confirmado por estudos internacionais, nos Estados Unidos e na Europa.  O estudo também aponta que 18% das pacientes analisadas têm histórico familiar de câncer de mama, de primeiro grau como mãe ou irmã. As estatísticas de outros países, incluindo os Estados Unidos, falam em 15%. Se até aqui os resultados tem correspondências com os dados de pesquisas americanas, a situação muda completamente quando o tema é o momento oportuno do diagnóstico. E muda para pior. O câncer de mama localizado foi verificado em apenas 31% das pacientes examinadas, enquanto a doença avançada na mama atingiu cerca de 60%. Já nos Estados Unidos esse número é o oposto, ou seja, 60% das pacientes têm a doença localizada e só 30% têm a doença mais avançada. A conclusão é que o diagnóstico de câncer de mama no Brasil tem sido feito muito tardiamente. Problema ainda mais evidente para as mulheres atendidas em serviços públicos. A conseqüência desta disparidade é que a cura e sobrevida das mulheres atendidas no sistema público de saúde, ao longo dos anos, são muito piores. O ideal, no entanto, é falar de prevenção, antes de se falar em cura. Prevenção feita, principalmente, por meio da mamografia, em todas as mulheres com idade entre 40 e 50 anos. Afinal de contas, no caso do câncer de mama mesmo uma má notícia pode, com tratamento oportuno e adequado vir a ser motivo de alegria.  (Projeto Amazona. Gbecam. Boletim Fapesp 09/03/2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h58

14/09/2009

Como identificar casos de violência doméstica?

Identificar as mulheres que foram vítimas de violência doméstica é um problema difícil e delicado. Muitas mulheres não gostam ou temem tocar neste tipo de assunto.

Você condena as mulheres que evitam denunciar este tipo de agressão? Clique aqui para votar   

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Identificar as mulheres que foram vítimas de violência doméstica é sempre uma questão difícil e delicada. Muitas mulheres não gostam ou temem tocar no assunto por diversas razões, dificultando assim a identificação dos casos e a adoção de medidas preventivas nas situações de risco. O rastreamento da violência doméstica é, muitas vezes, feito por meio de questionários, onde a possibilidade da mulher omitir o fato é razoável. Pois bem, um grupo de pesquisadores testou uma idéia simples e interessante para aumentar a utilidade dos questionários de auto-resposta: introduzir uma questão sobre notificação ou chamada da polícia no caso de briga ou agressão doméstica. Assistentes de pesquisa treinadas entrevistaram mulheres, adultas, presentes numa universidade urbana, no período das 7 da manhã às 7 da noite, 7 dias por semana, por 1 ano. O questionário tinha questões usuais sobre violência ou ameaça de violência pelo parceiro e questão sobre notificação policial no caso de briga. Das quase 5 mil mulheres entrevistadas, quase 4% mencionaram uma chamada policial nos últimos 12 meses e isto significou um acréscimo de 30% no rastreamento de violência na comparação com as questões habituais.   Ou seja, esta questão identificou mais 74 casos de possível violência doméstica. Casos que poderiam ter passado em branco. Pesquisa como esta ajuda a acabar com algumas concepções que só prejudicam as mulheres. A primeira de que violência doméstica é a mesma coisa que briga de casal. Obviamente não é. A segunda é de que, como diz um ditado popular, a gente não deve se envolver em briga de marido e mulher. Se, de fato, o caso for violência do marido com a mulher a polícia é bem vinda para meter a colher, ou melhor, as algemas. (Ditcher et al. Academic Emergency Medicine 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h50

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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