Panorama do câncer de mama no Brasil

Pesquisa recente nacional fornece um raio x da situação atual do câncer de mama no Brasil, mostrando semelhanças, mas também e, infelizmente, algumas diferenças em relação aos países desenvolvidos
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Dados epidemiológicos recentes sobre o câncer de mama no Brasil estão sendo divulgados na comunidade científica e permitirão um panorama muito oportuno deste grave problema. O projeto Amazona desenvolvido pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama avaliou mais de 4900 mulheres com câncer de mama, uma amostra que constitui, aproximadamente, 5% das brasileiras com este diagnóstico no período do estudo. A pesquisa foi realizada em 28 instituições de saúde de todo o país, entre clínicas e hospitais públicos e privados, em 2001 e 2006. Alguns resultados são muito interessantes. Por exemplo, a idade média para o diagnóstico de câncer de mama no Brasil está em 59,3 anos, resultado confirmado por estudos internacionais, nos Estados Unidos e na Europa. O estudo também aponta que 18% das pacientes analisadas têm histórico familiar de câncer de mama, de primeiro grau como mãe ou irmã. As estatísticas de outros países, incluindo os Estados Unidos, falam em 15%. Se até aqui os resultados tem correspondências com os dados de pesquisas americanas, a situação muda completamente quando o tema é o momento oportuno do diagnóstico. E muda para pior. O câncer de mama localizado foi verificado em apenas 31% das pacientes examinadas, enquanto a doença avançada na mama atingiu cerca de 60%. Já nos Estados Unidos esse número é o oposto, ou seja, 60% das pacientes têm a doença localizada e só 30% têm a doença mais avançada. A conclusão é que o diagnóstico de câncer de mama no Brasil tem sido feito muito tardiamente. Problema ainda mais evidente para as mulheres atendidas em serviços públicos. A conseqüência desta disparidade é que a cura e sobrevida das mulheres atendidas no sistema público de saúde, ao longo dos anos, são muito piores. O ideal, no entanto, é falar de prevenção, antes de se falar em cura. Prevenção feita, principalmente, por meio da mamografia, em todas as mulheres com idade entre 40 e 50 anos. Afinal de contas, no caso do câncer de mama mesmo uma má notícia pode, com tratamento oportuno e adequado vir a ser motivo de alegria. (Projeto Amazona. Gbecam. Boletim Fapesp 09/03/2009).
Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h58
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