Blog do Dr. Alexandre Faisal

02/10/2009

Mulheres mandam bem em matemática?

Escuta-se com frequencia que homens são muito melhores do que as mulheres em diversas áreas, incluindo, por exemplo, o domínio da matemática

Será que realmente existem diferentes aptidões entre os sexos?. Clique aqui para votar   

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As primeiras investigações sobre as diferenças de habilidade e comportamentos entre os sexos começaram em 1880. Dizia-se, por exemplo, que os cérebros femininos, menores que os masculinos, eram deficientes. Bem, mais do que as mulheres,que evoluíram e mudaram radicalmente seus comportamentos, também os métodos de investigação foram aperfeiçoados e muitas destas conclusões fazem pré-história da ciência. No entanto, até recentemente, acreditava-se que homens apresentavam melhor desempenho em matemática, simplesmente, por serem homens. Por exemplo, em 2005, o presidente da Universidade de Harvard e hoje assessor de Barack Obama comentou que a diferença entre os gêneros seria um dos motivos principais para explicar a escassez de professoras de matemática, nas principais universidades dos Estados Unidos. Bem, para a alegria das mulheres, ele está enganado. Um estudo recém-publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que o motivo maior para a disparidade em relação à compreensão matemática entre homens e mulheres se deve não a fatores biológicos, mas à fatores sócio-culturais. Os dados que permitiram estas conclusões foram obtidos a partir de diversas fontes, olimpíadas internacionais de matemática, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, entre outros, realizadas com participantes de diversos países, incluindo do Brasil. Em particular, nos USA, o estudo verificou que o padrão de desempenho tem se alterado grandemente nas últimas décadas, e que meninas, nos níveis mais básicos de ensino, passaram a ter aproveitamento semelhante aos dos meninos. No ensino médio, o mesmo cenário se repete. Em países asiáticos o desempenho das meninas é ainda melhor na comparação com meninas americanas. Uma das explicações é que nestes países não se considera o talento para matemática como inato, mas sim fruto de esforço. Logo, mais esforço, melhor resultado. As autoras do estudo afirmam que à medida que forem oferecidas às mulheres mais oportunidades educacionais e de trabalho em áreas que exigem conhecimento avançado de matemática, mais mulheres estarão presentes nestas atividades. É, se existe alguma pessoa, que, com base em dados científicos, ainda duvida das capacidades femininas, deve ser alguém do século retrasado. (Hyde & Mertz. PNAS, 2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h18

01/10/2009

Poliginia: você é contra ou a favor?

Poliginia é a forma mais comum de poligamia: um homem casado com duas ou mais mulheres. Parece estranho, mas existe em alguns países africanos

 Qual é sua opinião sobre este tipo de vínculo matrimonial? Clique aqui para votar   

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Poliginia é a forma mais comum de poligamia. Ela é definida como o casamento de um homem com duas ou mais mulheres. Parece estranho, mas não é para muitas sociedades africanas, onde esta é a estrutura marital habitual. Particularmente, nas regiões sub-saharianas. A porcentagem dde mulheres nesta situação varia de 11%, no Zimbawe a 53%, em Guiné. E antes que as mulheres ocidentais se assustem com estas afirmações, vale a pena saber como vivem estas mulheres africanas, na companhia do seu marido e das suas colegas de cotidiano, e igualmente, esposas do mesmo marido. Um artigo publicado no periódico “Social Science and Medicine” faz uma revisão do tema enfocando diversos aspectos da saúde física e mental da mulher casada neste regime. E os resultados não são nada bons. Neste cenário a mulher está muito vulnerável ao adoecimento, com maior risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a AIDS. O acesso ao tratamento é também muito mais difícil, já que ele, por sua vez, depende do tipo de relação que a mulher tem com o marido, ou seja, seu favoritismo emocional e sexual, o status que ele ocupa na casa, em relação às demais esposas, entre outros fatores. Diversos indicadores de saúde mental confirmam que a mulher nesta situação tem maior risco de sofrer abuso sexual, violência doméstica e sofrer de ansiedade e depressão. A poliginia está associada à infertilidade feminina relacionada ao estresse, que seguramente é agravado pela presença das concorrentes. Não raro, diante da confirmação da esterilidade, a mulher procura estreitar os laços com as esposas férteis e com seus respectivos filhos, evitando assim o divórcio. Finalmente, um dado, no mínimo curioso, sobre o padrão de comportamento sexual do homem que tem mais de uma esposa. Estudos indicam que na comparação com homens monogâmicos, ele tem mais chance de se aventurar em relações extra-conjugais. Mesmo tendo mais de uma esposa. É, eu imagino que até os homens convictamente adúlteros vão achar isto meio esquisito.  (Bove & Valeggia. Soc Sci Med 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h42

28/09/2009

Parto domiciliar: dá para encarar?

 

 Partos domiciliares são possíveis em alguns países desenvolvidos, mas muito raros no Brasil

 Você teria coragem de tentar um parto em casa? Clique aqui para votar   

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Suponhamos que você está grávida. Sua gestação vai bem e você planeja ter um parto normal, com um único detalhe: em casa. É parto domiciliar. Será que dá para encarar?. A julgar pelos resultados de um estudo holandês, com mais de 500 mil grávidas a resposta é sim. O parto domiciliar não aumenta o risco de mortalidade e morbidade perinatal, ou seja, morte e complicações diversas relacionadas ao parto, desde que existam condições adequadas dos serviços de saúde; isto é, pessoal treinado, equipamentos, logística, etc. Neste estudo as gestantes eram de baixo risco, sem complicações ou intercorrências, estavam no início do trabalho de parto sob cuidados de enfermeira especializada em obstetrícia. 60% das grávidas planejavam partos em casa, uma porcentagem inimaginável para a realidade brasileira, onde um número mínimo de gestantes faz, ou melhor dizendo, pode fazer este tipo de escolha. Ainda quanto aos resultados foram observadas diferenças significativas apenas com outras variáveis: estar na primeira gravidez versus já ter tido filhos préviamente; dar a luz antes ou após a data provável do parto versus parto na data esperada; ter 35 anos ou mais versus idade entre 25 e 34 anos. Nestes casos, os piores resultados aconteceram nos primeiros grupos, ou seja, primeira gestação, mais de 35 anos, história de parto prematuro ou após a data esperada, mas isto não tinha nenhuma relação com o parto em casa. Para concluir vale lembrar que a Holanda não é o Brasil. Neste aspecto e seguramente em muitos outros. Por enquanto, o parto domiciliar está aqui mais pra ficção do que realidade. E para a maioria das gestantes, eu disse a maioria, o parto em casa ainda é um sonho. Ou uma pequena mudança de endereço para a Holanda. (Buitendijk et al BJOG 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h19

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico