Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/10/2009

Intervenção psicológica não previne estresse pós-traumático

Muitas pessoas continuam sofrendo com um evento traumático acontecido há tempos atrás. É o transtorno do estresse pós-traumático. Uma revisão diz que não adianta fazer psicoterapia para prevenir este problema 

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Má notícia para quem passou por um evento traumático recente e pensa iniciar tratamento psicoterápico. Um estudo publicado pela fundação Cochrane conclui que intervenções psicológicas – tanto em sessão única quanto em sessões múltiplas – não devem ser utilizadas após eventos traumáticos para prevenir o transtorno do estresse pós-traumático. Pessoas com este tipo de problema revivem um evento grave intensamente como se estivesse vivendo novamente a tragédia. O sofrimento desencadeia várias alterações neurofisiológicas e mentais, tais como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e respostas exageradas a coisas banais. Neste artigo os autores do Reino Unido agruparam dados de 11 estudos que avaliaram diversas formas de intervenções psicológicas, especialmente terapias cognitivo-comportamentais, iniciadas no máximo até três meses após o evento traumático. Os ensaios incluíram um total de 941 pacientes. Os eventos traumáticos variaram de acidentes de carros e assaltos à mão armada, a complicações de parto e diagnóstico de câncer. Os autores não encontraram diferenças significantes entre as taxas de sintomas de estresse pós-traumático dos pacientes submetidos às intervenções psicológicas e dos que não as receberam. Pelo contrário, foi detectada uma tendência de aumento dos sintomas de estresse pós-traumático nos seis meses subseqüentes. Os resultados sugerem que nenhuma intervenção psicológica pode ser recomendada para uso rotineiro, com finalidades preventivas, após um evento traumático. No entanto, os próprios autores alertam que há intervenções psicológicas eficientes para o tratamento do estresse pós-traumático crônico, ou seja, quando o problema já existe há algum tempo. Ao que parece, a recomendação para quem passou um grande susto e está com medo de ficar encucada é, esqueça o “é melhor prevenir do que remediar”. Neste caso, desista de prevenir e fique com o remediar, que é o que funciona. (Roberts et al. Cochrane 2009).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h54

13/10/2009

Adolescentes obesos: "diga-me com quem voce anda eu lhe direi com que peso está"

 Obesidade entre adolescentes é cada vez mais comum. E muitos pais estão preocupados com isto.  

 O que você faria se soubesse que ter amigos obesos ajuda o seu filho/filha adolescente a se tornar obeso/obesa? Clique aqui para votar   

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Atualmente, a obesidade é um problema seríssimo entre os adolescentes. Nos Estados Unidos cerca de 15% dos teenagers são obesos e não há nada que nos faça acreditar que isto posso vir a cair. Nem mesmo os conhecidos riscos da obesidade: doenças cardio-vasculares, diabetes, hipertensão, baixa auto-estima e menor expectativa de vida. E para as mulheres obesas vale citar  os muitos problemas ginecológicos e obstétricos. Muita televisão e fast food com pouca atividade física estão entre as principais causas da obesidade em adolescentes. Mas um estudo realizado nos Estados Unidos com mais de 7 mil adolescentes descobriu um novo vilão: os amigos obesos. É isso mesmo. Adolescentes gordos andam com adolescentes gordos. Para chegar a esta conclusão os pesquisadores avaliaram peso, altura e outros parâmetros de saúde dos participantes da pesquisa, em visitas domiciliares. Também avaliaram os mesmos indicadores em amigos indicados por els espontaneamente. Na média foram indicados 2 amigos, em geral colegas de escola, por participante. A conclusão muito interessante do estudo é que adolescentes obesos tendem a se agrupar com seus pares igualmente obesos. Nas meninas esta relação era ainda mais evidente. Mais impressionante ainda é que esta associação se manteve mesmo após os autores terem avaliado simultaneamente outros fatores, tais como idade e etnia. Os pesquisadores chegam a afirmar que apesar das limitações inerentes a este tipo de estudo, como, por exemplo, o controle de fatores endógenos relacionados à obesidade, adolescentes obesos influenciam seus amigos a também se tornarem obesos. Deste jeito, no caso dos adolescentes gordinhos, o ditado popular vai ter que ser modificado: “dize-me com quem tu andas e eu direi com que peso estás”. (Halliday & Kwak, 2009. Econ Hum Biol).  

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h53

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico