Intervenção psicológica não previne estresse pós-traumático
Muitas pessoas continuam sofrendo com um evento traumático acontecido há tempos atrás. É o transtorno do estresse pós-traumático. Uma revisão diz que não adianta fazer psicoterapia para prevenir este problema
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Má notícia para quem passou por um evento traumático recente e pensa iniciar tratamento psicoterápico. Um estudo publicado pela fundação Cochrane conclui que intervenções psicológicas – tanto em sessão única quanto em sessões múltiplas – não devem ser utilizadas após eventos traumáticos para prevenir o transtorno do estresse pós-traumático. Pessoas com este tipo de problema revivem um evento grave intensamente como se estivesse vivendo novamente a tragédia. O sofrimento desencadeia várias alterações neurofisiológicas e mentais, tais como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e respostas exageradas a coisas banais. Neste artigo os autores do Reino Unido agruparam dados de 11 estudos que avaliaram diversas formas de intervenções psicológicas, especialmente terapias cognitivo-comportamentais, iniciadas no máximo até três meses após o evento traumático. Os ensaios incluíram um total de 941 pacientes. Os eventos traumáticos variaram de acidentes de carros e assaltos à mão armada, a complicações de parto e diagnóstico de câncer. Os autores não encontraram diferenças significantes entre as taxas de sintomas de estresse pós-traumático dos pacientes submetidos às intervenções psicológicas e dos que não as receberam. Pelo contrário, foi detectada uma tendência de aumento dos sintomas de estresse pós-traumático nos seis meses subseqüentes. Os resultados sugerem que nenhuma intervenção psicológica pode ser recomendada para uso rotineiro, com finalidades preventivas, após um evento traumático. No entanto, os próprios autores alertam que há intervenções psicológicas eficientes para o tratamento do estresse pós-traumático crônico, ou seja, quando o problema já existe há algum tempo. Ao que parece, a recomendação para quem passou um grande susto e está com medo de ficar encucada é, esqueça o “é melhor prevenir do que remediar”. Neste caso, desista de prevenir e fique com o remediar, que é o que funciona. (Roberts et al. Cochrane 2009).
Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h54
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