Blog do Dr. Alexandre Faisal

24/10/2009

A vivência da menopausa em executivas é diferente

Existem diversos fatores biológicos e psicosociais que influenciam a experiência da menopausa

Você acha que as mulheres executivas vivenciam a menopausa de um jeito diferente? 

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

 

Como a menopausa afeta a vida das mulheres executivas? Será que os sintomas decorrentes do fim das regras diferem em função do tipo de trabalho das mulheres?. Esta intrigante questão foi, parcialmente, respondida por um estudo americano que avaliou mais de 900 mulheres, todas executivas, com idade igual ou superior a 35 anos. Mais de 50% delas estavam passando ou haviam passado pela menopausa. Vamos aos resultados: a maioria das mulheres estava vivenciando as alterações decorrentes da menopausa, sendo que 95% apresentavam sintomas físicos, como ondas de calor e ressecamento vaginal. Sintomas emocionais tais como irritação, nervosismo e perda de concentração foram bastante comuns. Dentre as mulheres que apresentavam sintomas, muitas os referiam como bastante intensos a ponto de prejudicarem suas atividades profissionais, sociais e familiares. Um dado muito interessante foi a observação de que mulheres executivas também tem dúvidas sobre os benefícios e riscos da TRH, a terapia de reposição hormonal. Este tratamento para os sintomas menopáusicos suscita várias dúvidas e temores, mesmo em mulheres que podem se beneficiar do seu uso Elas não sabem, por exemplo, a diferença entre os esquemas e doses hormonais dos diferentes regimes de tratamento. O fato é que desde que resultados de pesquisas destacaram os riscos da TRH houve declínio no número de usuárias de reposição hormonal. E assim muitas delas continuam sofrendo. Desnecessariamente. Já que um tratamento cauteloso e bem indicado funciona muito bem. Isto não quer dizer que todas as mulheres menopausadas devam iniciar já sua reposição hormonal. Sejam elas executivas ou donas de casa.  (Simon & Reape, 2009. Menopause)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 08h53

23/10/2009

Apego entre mãe e filho: quando ele começa?

 O apego entre mães e seus filhos é fundamental para o bom desenvolvimento deles

 Você acha que o apego entre mãe e filhos é automático? Clique aqui para votar   

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

 

O tema desta pesquisa vai interessar muito as mulheres. Principalmente se elas estão grávidas ou pensam em ter filhos: o apego entre a mãe e seu bebê. Pois bem, uma metanálise, que é uma revisão de diversos artigos científicos similares, abordou esta questão, que é fundamental para mãe e para a criança. O objetivo dos autores foi estudar os fatores que influenciam a aproximação, o apego entre a gestante e seu futuro bebe. Os pesquisadores de diversas localidades americanas descobriram que existem diversos preditores do apego, com diferentes graus de importância. Vamos então conhecer este curioso ranking, começando pelos fatores que tem menor importância. São eles: ansiedade, auto-estima, planejamento da gravidez, estado civil, renda, etnia e educação. Todos estes aspectos foram citados, mas eles, de fato, influenciam pouco o estabelecimento do apego entre mãe e feto. Já, numa posição intermediária está o grau de suporte social. Ou seja, apoio dos parentes e do parceiro é muito importante, mas nem tanto quanto se imaginava. Até então, suporte social era o fator mais estudado neste campo de pesquisa. Finalmente, em primeiro lugar, isolado, está o tempo de gestação. Quanto mais adiantada a gestação maior a proximidade que a mãe sente em relação ao bebe. Ótima notícia para as mães que, logo no início da gravidez, se sentem culpadas por não estarem escutando sinos tocando, nem vendo anjinhos entrando pela janela. Também, convenhamos, é estranho imaginar que só porque o teste de gravidez deu positivo, a mulher já se sinta a mãe do ano. Quem sabe fosse melhor pensar no apego entre a mãe e seu futuro bebê como um “test drive”, em que algumas mulheres já se encantam por seu bebe assim que saem do laboratório enquanto outras vão precisar rodar com ele por um tempo, quem sabe, 9 meses ou mais, até ficarem definitivamente apaixonadas. ( International Journal of Nursing Studies 2009;46:708-15)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h21

Cólicas menstruais

 O último boletim sobre cólicas menstruais provocou uma série de comentários polêmicos. Possivelmente devido a chamada "algumas mulheres merecem", postada erroneamente. Desde já peço desculpas pelo mal entendido. A frase final do texto "algumas mulheres fazem por merecer ?" deveria ter sido o título. O texto fala de pesquisa recentemente publicada num periódico de renome na área de Ginecologia e Obstetrícia que ressalta o papel nefasto do tabagismo e uso do abusivo do acúcar na gênese das cólicas menstruais. Trata-se de uma hipótese, não de uma afirmação de causalidade. Daí que mulheres que não fumam e não abusam do acúcar podem ter cólicas, e vice-versa. O objetivo do post é alertar as mulheres tabagistas e com dieta inadequada, que sofrem de dores durante as regras, sobre estas novas evidências. Já que quando se trata de dor "ninguém merece".

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h26

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico