Blog do Dr. Alexandre Faisal

29/10/2009

Gripe na gravidez aumenta o risco de esquizofrenia?

Um estudo americano mostra que existe associação entre gripe (influenza B) na gravidez e esquizofrenia na  vida  adulta. Mas estas conclusões não são definitivas e as gestantes, que já estão atentas à gripe suína, não precisam ficar ainda mais preocupadas.  

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Um estudo realizado nos Estados Unidos vai atrapalhar o sono de algumas gestantes. Principalmente, se elas estiveram gripadas. É isso mesmo: gripadas. A pesquisa, um estudo do tipo caso-controle, avaliou 111 casos de adultos com diagnósticos psiquiátricos de esquizofrenia e psicose que foram comparados a 333 controles, adultos saudáveis que apresentavam as mesmas características de faixa etária, etnia, sexo e hospital ao nascer. Para todos os participantes foi avaliada a exposição ao vírus da gripe influenza B, por meio da análise do soro materno que estava estocado. Resultado: A exposição ao vírus da gripe durante a gestação se associou com aumento de 70% na chance de receber diagnóstico de esquizofrenia na idade adulta. Mais ainda, o contato intra-uterino com o vírus também se associou com redução da capacidade cognitiva dos indivíduos que foram selecionados como casos aos sete anos de idade. A hipótese da pesquisa é que fatores genéticos e/ou ambientais associados com psicose podem tornar o cérebro fetal mais vulnerável aos efeitos do vírus influenza. Em tempos de gripe suína, muita gente pode ficar alarmada. Mas esse não é o caso. Os próprios autores admitem a necessidade de novos estudos para entender o impacto do vírus no surgimento da esquizofrenia e de outras seqüelas neurológicas e psicológicas. Que alívio para as gestantes que porventura fiquem gripadas, ao longo da gravidez. Elas podem continuar falando: “não é nada, é só uma gripezinha” (Ellman et al, Biological Psychiatry 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h52

25/10/2009

Crenças sobre quimioterapia

A quimioterapia evoluiu enormemente em todas especialidades médicas, mas algumas crendices sobre este tratamento persistem

O que você acha da expressão "o que não mata, cura" usada para explicar os efeitos benéficos de muitos tratamentos médicos?  Clique aqui para votar

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Aposto que você já escutou a expressão “o que não mata, cura”. Na língua inglesa, sua variante é “aquilo que quase mata, funciona”. Pois bem, um estudo qualitativo canadense observou que este tipo de crença está presente em pacientes que fazem quimioterapia para tratamento de câncer. E isto não traz nenhum benefício para os pacientes. Durante 8 meses os pesquisadores acompanharam um grupo de suporte aos pacientes para entender os múltiplos sentidos e significados atribuídos ao câncer e seu tratamento. Como todos sabem, o câncer é uma doença carregada de significações culturais. Já a percepção dos pacientes quanto ao tratamento é bem menos conhecida. Neste caso o tratamento em questão foi a quimioterapia, que em todas as especialidades médicas evoluiu enormemente ao longo dos anos, resultando em maior eficácia e menos efeitos colaterais. No entanto, ela ainda está associada, no imaginário popular, ao sofrimento e danos quase irreversíveis. É aquela velha idéia de que “o que é bom tem que quase matar” ou que “se não mata, cura”. É evidente que isto causa grande ansiedade nas pessoas que precisam se submeter ao tratamento. Ou seja, um prejuízo emocional para quem já tem que enfrentar a dura tarefa de vencer o câncer. Isto sem contar a possibilidade da pessoa, que não apresenta efeitos colaterais, acreditar que o tratamento não está funcionando. Um dos aspectos negativos desta história é que, infelizmente, nem sempre os profissionais de saúde e suas equipes estão atentos às questões culturais e simbólicos envolvidos com o adoecimento, seja ele por câncer ou não. Deste modo, os profissionais ajudam a manter vivas crenças e crendices, que, estas sim, deveriam morrer.  (Bell, 2009. Social Science & Medicine)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h25

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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