Blog do Dr. Alexandre Faisal

13/11/2009

Dieta para prevenção do câncer: mais dúvidas do que certezas

 Neste segundo post, vamos discutir o impacto da dieta na prevenção do câncer. Infelizmente, as evidências  científicas são ao mesmo tempo escassas e conflitantes. 

 Qual a sua opinão sobre o ditado popular "o que não mata, engorda"?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

               Outro dia nós comentamos uma recente publicação da revista “Nature” sobre as pesquisas na área da prevenção do câncer e enfatizamos as recomendações da OMS para esta finalidade: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, evitar o sobrepeso, ter uma dieta balanceada, evitar contato com a poluição urbana, tratar as doenças sexualmente transmissíveis, em particular o HPV e fazer dieta equilibrada. Isto mesmo, uma das recomendações é dieta balanceada, rica em vegetais e fibras. Mas aí, o autor levanta dois problemas. O primeiro é que a porcentagem de pessoas que comem cinco porções de frutas e verduras por dia, o indicado pela OMS, é desapontador. Pelo contrario, até 5% dos americanos comem uma porção diária ou menos, ou seja, nenhuma fruta ou vegetal.

               O segundo e mais preocupante é que os estudos científicos têm apresentado resultados conflitantes. Os chamados Ensaios Clínicos Randomizados, tipo de pesquisa em que grupos de indivíduos semelhantes, são submetidos a um tipo de dieta ou não, e são monitorados ao longo dos anos para surgimento do câncer, são escassos e raros. E quando eles existem, os resultados decepcionam. Para ficar apenas num exemplo, mudança no padrão de dieta não melhora o propósito de mulheres que tinham câncer de mama em fase inicial.

              Uma explicação é que estudos sobre nutrição e câncer são complexos, caros e demandam controle de muitas variáveis, tão ou mais importantes para o surgimento do câncer como, por exemplo, o tabagismo e uso do álcool. E fica difícil acreditar que um tipo de fruta vegetal ou fibra, seja ela graviola, granola, chuchu ou linhaça, pode ter isoladamente este poder mágico de prevenir o câncer. Sorte de quem não gosta de nenhuma delas. E para quem não se preocupa com isto e é fã de dieta farta e desbalanceada, com muita cerveja e costelinha de porco, resta, pelo menos, uma advertência: "o que não mata, engorda". (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h03

09/11/2009

Prevenção do câncer: o que funciona?

Em  2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. Admite-se que 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Vale a pena saber como, neste e no próximo texto.  

 Você conhece algumas das medidas consideradas efetivas na prevenção do câncer?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

A estimativa impressiona. Em 2030, cerca de 12 milhões de pessoas morrerão de câncer no mundo. O dado é ainda mais dramático se considerarmos que até 40% destas mortes poderiam ser evitadas. Mas para não falarmos do que vai ocorrer daqui a 20 anos, o que pode parecer meio distante, em 2004, no mundo inteiro, cerca de 2.5 milhões de mortes por câncer poderiam não ter ocorrido se medidas preventivas fossem adotadas. Pois bem, um artigo publicado no periódico “Nature” faz uma análise crítica e muito interessante da pesquisa mundial na área da prevenção em câncer, enfocando, em particular, a questão da dieta, que será tema de outro bate-papo. Mas para começar, ficamos com um registro histórico do primeiro cientista a observar que freiras não morriam de câncer do colo uterino, revelando a associação entre este tipo de câncer e a atividade sexual. Isto em 1713. Quase 300 anos depois, na busca da origem e consequentemente da prevenção do câncer, as evidências cientificas apontam para a confluência de três fatores: genéticos, ambientais e comportamentais. Para permitir uma melhor compreensão desta interação de fatores basta imaginar três círculos concêntricos. Se a pessoa está no centro, ela tem um grande risco de vir a ter câncer. Se ela esta na periferia de um dos círculos, o risco é bem menor. Para dar um exemplo de câncer na mulher, sabe-se que a mulher que tem câncer de mama na família, mãe ou irmãs, tem risco aumentado de vir a ter o problema. Mas este risco é maior na comparação com mulher que além do risco genético, tem outros fatores de risco, tais como, reposição hormonal, ausência de aleitamento, idade da primeira e ultima menstruação, etc. Tendo isto em mente, todo o esforço na prevenção do câncer será centrado em identificar os fatores genéticos comportamentais e ambientais e atuar neles sempre que possível, de preferência, precocemente. Cada tipo de câncer é uma historia a parte, bem como cada individuo e único. Mas vale destacar as estratégias a que a OMS considera importantes na prevenção deste problema: parar de fumar, o alcoolismo, evitar exposição excessiva a luz solar, dieta equilibrada, evitar o sobrepeso, evitar contato com a poluição urbana e tratar as doenças sexualmente transmissíveis tais como o HPV. Aqueles que duvidam das descobertas científicas vão dizer que estas práticas não garantem que a pessoa não terá câncer. Mas, pelo menos, enquanto a pessoa viver, ela terá, com certeza, uma vida bem mais saudável. (Bode & Dong, 2009. Nature Reviews)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h50

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico