Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/11/2009

Casamento: menos experiências antes, mais satisfação durante ?

 Sentir-se contente e satifeita com o casamento é uma conquista, nem sempre muito fácil das pessoas. Um estudo questiona se o número de experiências sexuais prévias ao casamento ajuda ou atrapalha a satisfação conjugal  

 Você acha que o maior número de experiências sexuais antes do casamento é um fator relevante para a felicidade conjugal?  Clique aqui para votar

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Um pequeno, mas interessantíssimo estudo, realizado na Lituânia vai causar polêmica entre homens e mulheres, casados e para aqueles que pensam em se casar. Principalmente, se eles já tiveram vários parceiros sexuais. É isto mesmo. Se eles já “namoraram” bastante antes do casamento. Mas, falando de sexo, vamos às preliminares. 41 casais, com em média 18 anos de união, responderam a questionários sobre satisfação conjugal, histórico sexual e experiência de coabitação, ou seja, de pelo menos uma vez ter vivido com alguém.

          De acordo com os resultados não houve associação entre vida sexual prévia ao casamento e satisfação conjugal, tanto para homens como para mulheres. No entanto, para as mulheres, o início precoce da atividade sexual e maior número de parceiros estavam sim associados à menor bem estar marital. Já para os homens os fatores associados com menor satisfação conjugal eram: ter morado com alguém e também ter tido maior número de parceiras. Como se observa, maior número de relacionamentos sexuais antes do casamento, tanto para homens quanto para mulheres, não rola bem com felicidade conjugal.

          Para os pesquisadores, as explicações possíveis são: primeiro, as características da própria pessoa. Neste caso, o homem ou a mulher com mais parceiros tem visão casual do sexo enfatizam mais prazer pessoal do que a responsabilidade social e tem menor compromisso com relação atual. Segundo, uma vida sexual muito intensa, previamente, pode mudar o jeito da pessoa ver as coisas e valorizar demais a função sexual no casamento. Finalmente, neste caso, a pessoa com quem se está casado, por exemplo, se for a mulher, pode se sentir insegura ou ciumenta com o fantasma das antigas concorrentes.

        O estudo tem algumas limitações: as informações se baseiam em memórias de fatos acontecidos há muito tempo e o número de participantes, oriundos de um país recém-saído do regime comunista, é pequeno. Mas os resultados são no mínimo curiosos e se forem verdadeiros sugerem que maior número de relacionamentos prévios, menor o nível de satisfação conjugal. Ou vice-versa, menos aventuras antes de se casar, maior bem estar conjugal.

         Minha pergunta é: alguém aí gostou destas conclusões?  (Legkauskas & Stankeviciene, 2009. Sex Roles).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h56

15/11/2009

Medicina alternativa: você é contra ou a favor?

  As terapias alternativas em medicina vem ganhando terreno em diversos países, incluindo o Brasil. Em comum,  elas objetivam diminuir os sintomas a partir do aumento da capacidade mental.  

 Você é contra ou a favor da chamada "medicina alternativa" ?  

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Você anda cansada de médicos e dos tratamentos médicos convencionais? Mais ainda, você pensa em usar métodos de cura alternativa? Se a resposta é sim, não precisa ficar culpada, pois você não está sozinha. Pelo contrário, você está na companhia de muita gente. Um estudo recente estima que 16% dos americanos usaram pelo menos um tipo de medicina alternativa ou complementar no período dos últimos 12 meses. Terapias denominadas alternativas, ou terapias de mente e corpo, incluem práticas curativas têm uma intenção comum: aumentar a capacidade da mente em afetar a função corporal e sintomas. Práticas que incluem meditação, yoga, tai chi chuan, etc. Na pesquisa em questão, mais de 5000 usuários de tratamentos alternativos, responderam a questões sobre as indicações e efetividade dessas práticas. E para eles, os resultados são muito bons.

          Primeiro, estas técnicas são mais utilizadas para problemas músculo-esqueléticos, ansiedade e quadros dolorosos. Segundo mais de 50% dos usuários da medicina alternativa a empregavam conjuntamente com os tratamentos médicos convencionais.  Mas, 20% recorriam a estas práticas para tratar problemas médicos, para os quais a medicina tradicional não funciona, segundo a opinião deles, obviamente. Mas o resultado mais interessante é a alta percepção da efetividade do tratamento alternativo: ela varia entre 70 e 90% para os usuários. Ou seja, eles acreditam no que estão fazendo. Mas segundo, os médicos convencionais, não os alternativos, é claro, as razões para este beneficio não são claras e podem ser atribuídas a efeitos fisiológicos, psicológicos. Até mesmo ao chamado efeito placebo. É certo também que consideram o tratamento benéfico não significa que ele seja efetivo. Mas parecer que isto não importa muito para quem é “zen”, “cool”, “light”, alternativo.

        Pelo menos, eles podem se defender atacando e nos lembrando a partir de muitos exemplos históricos, a medicina é uma ciência de verdades transitórias: "o que é verdade hoje, pode ser mentira amanhã". (Bertisch et al. 2009. J Pshycho Res).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h36

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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