Blog do Dr. Alexandre Faisal

26/11/2009

Complascência sexual: você é complascente sexualmente?

 Você pode não saber exatamente o que é e assim mesmo já ter praticado. Complascência sexual é “aceitar praticar sexo voluntariamente mesmo sem desejar ou estar motivada”. Um estudo recente investiga se a complascência sexual feminina ajuda na relação com o parceiro

 Qual a sua opinião sobre a complascência sexual no relacionamento ?  Clique aqui para votar

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          Você pode não saber exatamente o que é e assim mesmo já ter praticado. Complascência sexual é definida como “aceitar praticar sexo voluntariamente mesmo sem desejar ou estar motivada”. Parece familiar?. Bem, um estudo com quase 200 jovens universitárias, americanas, casadas, com média de idade de 19 anos, procurou avaliar a frequencia e os fatores associados à esta modalidade de atividade sexual. As participantes responderam a diversos questionários que abordavam temas como os papéis femininos, romantismo, bem-estar na relação e cometimento com a relação conjugal. O desfecho principal era ter realizado alguma prática sexual, sexo oral, anal ou vaginal, com o parceiro, sem estar a fim, ou seja, apenas para atender a demanda dele. E os motivos, no caso de ter consentido também foram analisados e divididos em 2 grupos: um, “para evitar conflito” e dois, “para ganhar proximidade”. Como exemplos do primeiro grupo foram obtidas as seguintes respostas: “fiz para evitar que ele fique irritado” ou “que ele perca o interesse em mim”. Como exemplos do segundo grupo foram mencionadas frases como: “ fiz para mostra meu amor” ou “para promover nossa intimidade”.

          Vamos aos resultados que são muito interessantes. Primeiro, 37% das jovens disseram que eram ou pelo menos haviam sido complacentes sexualmente. Segundo, mulheres complacentes fazem grande investimento no papel feminino, o que inclui um ideal de submissão e passividade para atender às normas sociais, em geral, e dos homens, em particular. Um modelo que beira o sacrifício.

           Mas aí começam as más notícias. O comportamento complascente não melhora em nada o romantismo. Pelo contrário, a mulher complascente está menos satisfeita e refere menor comprometimento com a relação, na comparação com as mulheres que não fazem sexo quando não estão com vontade. A mulher pode até dizer que fará sexo sem querer para se sentir mais próxima, mas no final das contas isto não funciona.

           A verdade é que a mulher que opta por fazer sexo só para não contrariar o parceiro, ao invés de fomentar o romantismo, pode, sim, deteriorar a relação. Pelo contrário, a satisfação da mulher no relacionamento pode ser melhorada quando ela pode tomar decisões, incluindo as sexuais, sem medo de conflito, da hostilidade do parceiro e de falhar em atender às expectativas irreais de mulher perfeita e ideal. Ou seja, as mulheres devem se sentir livres para dizer não para seus parceiros. Mas eu imagino que muitos homens casados a esta altura devem estar pensando “ai ai ai meu Deus....” (Katz & Tirone, 2009. Sex Roles)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h44

22/11/2009

Honestidade: a explicação está no funcionamento cerebral?

 Compreender o que leva uma pessoa a se comportar honestamente é uma tarefa complicada. Mas, um estudo recente investiga uma curiosa explicação: o funcionamento cerebral 

 Na sua opinião, o que determina a honestidade da pessoa?  Faça o seu comentário

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         O que faz as pessoas se comportarem honestamente quando elas tem a possibilidade de serem recompensadas economicamente por atitudes desonestas ?. A resposta a esta indagação deve interessar todas as pessoas em geral, mas, particularmente, as mulheres que procuram seu par e consideram a honestidade um pré-requisito fundamental. Pois bem, um estudo científico realizado pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, se propõe a responder esta questão usando sofisticada técnica de imagens cerebrais e um curioso tipo de experimento. Mas antes, uma breve revisão do que se pensa sobre o assunto.

          Pesquisas que abordam a interação entre autocontrole e comportamentos automáticos por ocasião da tomada de uma decisão sugerem duas hipóteses. A primeira é que a honestidade resulta da resistência ativa de ceder à tentação, o que se encaixa com a idéia de controle por meio de processos cognitivos que possibilitam a obtenção da satisfação num momento posterior. Mas não imediatamente. A outra é que a honestidade resulta da ausência de tentação, o que reforça a tese de que os processos automáticos de tomada de decisão e de comportamento dependem da presença ou ausência destes processos automáticos. Ou seja, a pessoa tem ou não tem este tipo de funcionamento.

          Na pesquisa em questão foi elaborado um tipo de jogo no computador onde os 35  participantes recebiam recompensas financeiras por seus acertos. Como o jogo se baseava em apostas e cálculo de probabilidades era possível estimar quando os jogadores estavam agindo desonestamente. Os pesquisadores elaboraram uma “historiazinha” para justificar que o comportamento desonesto era um sub-produto do jogo e seria, vamos dizer  assim, aceitável.  Os participantes também se submeteram a uma ressonância magnética funcional para mapear a atividade cerebral. Sem entrar nos detalhes técnicos das análises das imagens obtidas e mesmo nas limitações deste tipo de investigação, o que vai interessar e gerar polêmica são os resultados. Indivíduos que se comportam honestamente não exibiam atividades adicionais de controle quando escolhiam este tipo de comportamento. Por outro lado, indivíduos que se comportavam desonestamente exibiam aumento das atividades cerebrais de controle, quando decidiam agir desonestamente. Isto também ocorria nas ocasiões em que se seguravam para não serem “trambiqueiros”. Incrível.

          Bem, se a moda pega, dentro em breve as mulheres vão cobrar dos candidatos a futuro parceiro uma pequena lista que incluirá: muito amor, carinho, apoio, dedicação e uma ressonância magnética.  (Greene & Paxton, 2009. PNAS)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h06

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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