Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/12/2009

Jovens adolescentes: um em cada seis fuma

 Tabagismo em adolescentes é um assunto complicado que muitos pais não sabem como enfrentar. Um recente estudo nacional dá uma dimensão do problema, em jovens com menos de 16 anos e revela que, infelizmente, as meninas fumam mais do que os meninos

Qual sua opinião sobre o tabagismo em jovens ?  Clique aqui para votar 

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          Os resultados de um estudo brasileiro sobre o tabagismo em jovens adolescentes vão esquentar a cabeça dos pais, e em particular das mães, preocupadas com o problema. Entre 2002 e 2004, quase 3700 crianças, com idades entre 13 e15 anos, estudantes da sétima e oitava séries do ensino fundamental e do primeiro ano médio, de escolas públicas e privadas foram investigadas quanto ao hábito de fumar. As crianças eram residentes das cidades de Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Os resultados são alarmantes.

          Em Florianópolis e Curitiba, a porcentagem de jovens fumantes variou de 10 a 12.5%. Mas em Porto Alegre esta cifra chegou a 17.5%. É ou não e para deixar qualquer um de queixo caído. O estudo aponta ainda outros dados interessantes e igualmente preocupantes. O primeiro é que as meninas estão fumando mais do que os meninos, na proporção de 3 para 2. Este resultado reflete em parte, a estratégia da indústria de tabaco de desenvolver propagandas voltadas para os anseios femininos, nas diferentes etapas da vida. A indústria do cigarro vende para estas jovens uma imagem de independência, liberdade e autoconfiança. Claro que eles vendem, mas não entregam. E o numero de meninas fumantes aumenta.

          Outro aspecto é a constatação de que um fator fortemente associado ao habito de fumar nesta faixa etária e ter amigos fumantes, para não falar da exposição da fumaça do cigarro em casa e mesmo fora de casa. Mas é isto aí, jovens fumantes se inspiram nos amigos fumantes. Como diriam alguns vovôs e vovós é a tal da má-companhia. A esta altura alguns devem estar pensando, o que fazer?.

          Para pais que, como eu, consideram o tabagismo dos filhos uma desgraça e que já usaram e abusaram da estratégia do diálogo, sem sucesso, eu imagino que exista ainda uma solução tão antiga quanto radical, que não vai agradar a todo mundo, mas que pode dar certo: conversar menos e  castigar mais. (Hallal et al. 2009. Rev Saúde Pub)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h32

13/12/2009

Homens brancos preferem mulheres saradas nos sites de relacionamento

 Conhecer uma parceiro ou parceira por meio da Internet é uma estratégia comum e atual. Descobrir qual é o tipo preferido de quem está do outro lado do computador é que é difícil

Na sua opinião, existem diferenças nas preferências de homens brancos e negros que participam de sites de relacionamento?  Clique aqui para votar 

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          No atual mundo globalizado, 1/3 dos adultos que freqüentam a internet e estão a procura de parceiros, já visitaram um site de encontros românticos. Então se você é mulher, está sozinha e pensa encontrar um parceiro, a conclusão desta pesquisa vai lhe interessar, principalmente se você estiver acima do peso. Vamos direto ao xis da questão. Homens brancos preferem mulheres bem definidas, saradas, nem gordas, nem magras. Por outro lado, homens de origem latina não se importam tanto com isso e gostam igualmente das magras, médias, gordas e muito gordas. Enfim, eles topam qualquer parada.

          O estudo em questão explorou a relação entre etnia e gênero com as preferências corporais, no caso de um encontro romântico. Para isso foram avaliados perfis de mais de 5800 pessoas heterossexuais no site de relacionamento do “Yahoo”. Os participantes tinham entre 18 e 50 anos. A conclusão de que homens brancos preferem o tipo atlético de mulher não chega a ser uma surpresa, já que este é o modelo ideal de mulher veiculado pela mídia. Mas o que chama a atenção é a flexibilidade dos homens negros e latinos em relação ao corpo feminino. Pode ser que nesses grupos, esteja ocorrendo a construção de um novo ideal de beleza que não se restringe a mulher branca e magra. Além de confirmar que as escolhas sexuais estão sempre relacionadas com a própria etnia da pessoa. Outra conclusão a partir das respostas femininas, é que o corpo masculino vem se tornando também um objeto idealizado, da mesma maneira eu o corpo feminino. Coitado dos homens que vão correr atrás desta masculinidade pouco realista e inatingível.

          Felizmente, o estudo alerta para algumas de suas limitações. Uma, sobre os diferentes conceitos de raça e etnia, que cada vez mais se confundem. O outro, sobre o risco da pessoa, mentir sobre sua forma física, tentando apresentar o que não tem ou fingir que são o que não são. Por isso na pesquisa, eles avaliaram fotos, invés de perfis, mas convenhamos, todos nós sabemos que fotos também enganam. E todo mundo tem aquela foto especial, às vezes de alguns anos atrás, que da uma reconfortante sensação de que “ainda somos nós”. Mas isto não é nenhum problema. Mentira ou não, o que importa é que a pessoa do outro lado do computador também acredite. (Glasser et al.2009. Sex Roles)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h06

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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