Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/01/2010

Você faria uma laqueadura tubária?

 A laqueadura tubária é o método de contracepção mais utilizado no mundo. No Brasil muitas mulheres casadas ou em união consensual optam por este método. Mas muitas se arrependem..   

 Em que situação você faria uma laqueadura tubária ?  Clique aqui para votar 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Você optaria pela realização da laqueadura como método de anticoncepção?. Se a sua resposta é sim, vale a pena repensar imediatamente sua decisão já que o arrependimento não é tão incomum como algumas mulheres querem acreditar. Esta é interessante conclusão de um estudo nacional que avaliou o arrependimento após esterilização feminina.  Mas antes de falarmos no estudo nacional falemos um pouco da LT, no mundo.

         A esterilização feminina tem sido considerada o método de contracepção mais utilizado no mundo. Um levantamento feito pelas Nações Unidas confirma que 21% de todos os casais adotaram a esterilização feminina como opção contraceptiva. O segundo método mais utilizado é o DIU, 14%, seguido pela pílula, utilizada por 7% das mulheres casadas ou em união consensual. No Brasil os dados são similares, com 40% de esterilização entre as mulheres casadas. O problema é que muitas mulheres mudam de idéia com o passar dos anos, em função de diversos acontecimentos:a morte de um filho, novo casamento, etc. E aí elas se arrependem. Estudos internacionais indicam que o arrependimento varia de país para país, mas é alto. Em torno de 7% nos Estados Unidos e Índia, mas chega a 16% na Republica Dominicana.

          E no Brasil?. Bem, voltemos ao estudo nacional. Nele foram avaliadas mais de 3200 mulheres que participaram da a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), em 1996, com idade entre 15 e 49 anos, que haviam realizado a cirurgia tubária há pelo menos um ano antes da entrevista. Vamos aos resultados: 10% das mulheres se arrependeram e a principal razão relatada foi o desejo de ter outro filho. Dois dados chamam a atenção. Primeiro, a chance de uma mulher esterilizada com 35 anos ou mais se arrepender é quase 70% menor que uma mulher com menos de 25 anos. Segundo, mulheres com nove anos ou mais de escolaridade são menos propensas de se arrepender do que mulheres com três anos ou menos. E isto aí, a idade da mulher no momento da esterilização e a probabilidade de arrependimento posterior é o principal fator associado ao arrependimento.

         Portanto, para as jovens mulheres que pensam em se submeter à laqueadura tubária, vai aí minha sugestão: mudem o ditado popular e “deixe para amanhã o que você realmente não precisa fazer hoje” (Barbosa, Leite, Noronha. Rev Bras Saude Mater Infant 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h19

Homens não procuram ajuda para queixas sexuais

  Doenças crônicas, tais como a hipertensão arterial e o diabetes,  podem estar associados com problemas   sexuais masculinos. Mas os homens, muitas vezes, não se sentem à vontade para procurar ajuda médica

 Na sua opinião é difícil pedir ajuda para um problema sexual?  Clique aqui para votar 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

  

          Uma grande indústria farmacêutica em associação com uma entidade francesa voltada para pesquisa e assistência, na área da sexualidade, publicou recentemente resultados de algumas investigações científicas que vão interessar as mulheres e, principalmente, aos homens. Ainda mais se eles forem diabéticos e portadores de problemas pulmonares crônicos. Nestes grupos, 3 em cada 4 pacientes referem que problemas sexuais tem grande impacto, negativo, na qualidade de vida, sendo que 2 em cada 3 pessoas gostaria de ter uma ajuda maior neste domínio.

         De fato, uma pequena parte dos entrevistados estava contente com a atuação da equipe médica. E é possível que os médicos não saibam disto. Em outra pesquisa, no entanto, a questão central foi a resistência do paciente ao tratamento. Os pesquisadores concluíram que as razões para a recusa do tratamento das queixas sexuais variam de recusa “a algo que é considerado não natural”, “medo dos efeitos colaterais dos remédios” ou “de ficar dependente”, à “desconfiança na eficácia dos medicamentos”.

          Mas outro resultado é, no mínimo, curioso e ajuda a entender a cabeça de quem sofre com problemas sexuais. Segundo o artigo, existem 3 perfis de pacientes: "os fatalistas", 1 em cada 10, que não acreditam em nada ou pior acreditam que já deu tudo errado; "os desinformados", 3 em cada 10, que nem sabem direito o que poderiam fazer e, finalmente, "os hesitantes", 6 em cada 10, que acreditam desacreditando e planejam, mas não se tratam.

         Como se percebe, cuidas das dificuldades sexuais não é fácil. Os pacientes reclamam dos médicos, mas se esquecem de cobrar ajuda deles mesmos. (Lemaire et al. Sexologies 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h08

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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