Blog do Dr. Alexandre Faisal

12/02/2010

Quem sofre mais com dores: o homem ou a mulher?

 

  A percepção da dor, de diversas origens, é muito diferente no homem e na mulher. Um estudo explica  como isso acontece

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          Quem você acha que sofre mais com dores diversas: homens ou mulheres?. Se você disse que são as mulheres, e não quer ser julgado como preconceituoso, ou preconceituosa, saiba que existem explicações biológicas, científicas, para o fato de que algumas condições dolorosas tais como desordens temporo-mandibular, artrite reumatóide, fibromialgia e cefaléia são realmente mais comuns em mulheres.  Mas, exceto a artrite reumatóide, não se conhece bem os mecanismos fisiopatológicos dos demais problemas. No entanto, se levarmos em conta que dores músculo esqueléticas variam de acordo com o ciclo menstrual dá para imaginar que os hormônios femininos estão envolvidos. Ou alternativamente, que isto ocorra pela "ausência" (menor produção) da testosterona, hormônio masculino, na mulher.

          Um artigo de revisão sobre este tema foi recentemente publicado e destaca a hipótese hormonal, entre outras para explicar as diferenças observadas entre os sexos em relação a dor. Diferença que segundo os autores é também observada na resposta ao tratamento doloroso com drogas analgésicas. A expectativa é que à medida que o conhecimento destas diferenças evolua novas estratégias de tratamento poderão ser desenvolvidas, melhorando a vida de quem sofre.

          Porque em se tratando de dor, existe um ótimo ditado popular que deve ser sempre lembrado “ninguém merece”. (Cairns & Gazerani. Maturitas 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 01h06

11/02/2010

Qualidade do sêmen e expectativa de vida

 Um estudo em realizado na Dinamarca aborda uma interessante questão: a qualidade do sêmen como indicador da expectativa de vida do homem

  Você acredita que a qualidade do sêmen possa ser um indicador da expectativa de vida do homem?  Clique   aqui para   votar 

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          Há algum tempo se acredita que existe uma relação entre o estado nutricional do feto, ou seja, intra útero, e o risco de doenças na idade adulta, tais como doença cardio-vascular e diabetes, além de desordens do trato reprodutivo masculino. A explicação para tal fato não é bem conhecida. Mas isto fez alguns autores pensar que talvez a qualidade do sêmen pudesse também estar associada expectativa de vida ou mortalidade do homem. Eles pensaram e provaram. Graças ao enorme e bem organizado banco de dados de um laboratório de análise de espermatozóides de Copenhagen e do sistema de registro da Dinamarca.

          Os pesquisadores avaliaram mais de 43 mil homens inférteis e que fizeram pelo menos um exame de espermograma neste laboratório, entre os anos de 1963 e 2001. No seguimento, eles obtiveram dados de quase 1500 homens que faleceram, ao longo deste período, de diversas causas. O resultado surpreendente mostra que o decréscimo da mortalidade se associou com a melhor qualidade do sêmen, num padrão dose dependente. Ou seja, quanto maior a contagem dos espermatozóides, menor a mortalidade. Como as causas de morte não se restringiram aos fatores associados ao estilo de vida e nível sócio-econômico, os autores postulam que a qualidade do sêmen é um marcador biológico de saúde. E que ele está relacionado à longevidade do homem. Incrível.

          No entanto, a pesquisa tem algumas limitações. Uma delas é que os homens estudados não representam homens da população em geral, e poderiam, de fato, serem mais saudáveis, já que buscavam tratamento médico. E pessoas que se cuidam têm melhor saúde. Pelo jeito, as mulheres que planejam ter um relacionamento duradouro estão autorizadas a exigir do seu parceiro algumas promessas e compromissos, e pelo menos, um espermograma. (Jensen et al. Am J Epidemiol 2009).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h36

07/02/2010

Atividade física e fertilidade: existe um limite ideal?

  

 Um em cada seis casais pode não conseguir ter filhos espontaneamente. Muitos fatores de infertilidade são conhecidos. Um estudo avalia um deles: a relação entre atividade física e fertilidade feminina 

  Você acha que a atividade física vigorosa pode prejudicar a fertilidade da mulher?  Clique aqui para votar 

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          Estimativas recentes indicam que nos países desenvolvidos até 16% dos casais não conseguem ter filhos espontaneamente. E uma variedade de fatores tem sido associada ao problema: estresse, tabagismo, uso excessivo do álcool, obesidade ou magreza, entre outros. A própria atividade excessiva em atletas é um fator importante, mas menos citado. Mas é a atividade física, na população feminina, em geral?. Será que ela tem efeito negativo sobre a fertilidade?.

          Um estudo de base populacional realizado na Noruega esclarece esta interessante relação. Os pesquisadores avaliaram mais de 3800 mulheres, com menos de 45 anos, que foram seguidas ao longo dos anos. A atividade física foi classificada, bem como foram levantados dados sobre fertilidade. Os resultados surpreendem. O aumento da freqüência, duração e intensidade da atividade física se associou com menores taxas de fertilidade. Mesmo controlando para outros fatores, tais como idade, tabagismo, situação conjugal, mulheres classificadas como ativas na maioria dos dias tinham chance 3 vezes mais chance de apresentarem problemas de fertilidade, na comparação com as mulheres sedentárias.

          Quanto a intensidade da atividade física, exercícios estafantes se associavam à risco 2.3 vezes maior na comparação com exercícios leves. Mas antes que as mulheres fiquem alarmadas cabe destacar que este aumento das taxas de infertilidade foi observado apenas para um pequeno grupo de mulheres que praticavam intensamente e frequentemente exercícios físicos. É possível que o excessivo gasto energético na atividade vigorosa prejudique as funções envolvidas com a reprodução.

          Bem, se sedentarismo é reconhecidamente maléfico para a saúde e o excesso de atividade também não faz bem, para as mulheres que planejam filhos, adote uma posição intermediária. Exercite-se moderadamente. Como os gregos nos ensinaram: a virtude está no meio. (Gudmundsdottir, Flanders, Augestad. Hum Reprod 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h04

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico