Blog do Dr. Alexandre Faisal

04/03/2010

"Teens" transam mais tarde se o pai está presente?

            

                                                                                                                          

     Convido as leitoras do Blog a participarem do lançamento do  livro

    "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"

    Autores: Alexandre Faisal e Rubens Volich 

    Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista)  

    Data: 08/03/2010

    Horário: 19 às 21:30 hs   

          

                                          

 

 Compreender as razões e fatores que levam adolescentes a inciarem a vida sexual é importantíssimo para pais, educadores e para os próprios adolescentes. Um estudo explica se e como a presença do pai influencia esta questão

 Na sua opinião, a presença do pai é importante para que o/a adolescente atrase o início da vida sexual?   Clique   aqui para   votar 

 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

          O fato é: na comparação com crianças criadas na presença do pai biológico, crianças cujos pais são ausentes têm início mais precoce de vida sexual e chance maior de gravidez na adolescência. A explicação, eu imagino que muitos vão concordar, está nos mecanismos comportamentais que incluem o modelo familiar, onde há, por exemplo, chance de relações sexuais da mãe com outra pessoa que não o ex-marido, e o menor controle parental, que neste caso específico fica restrito à mulher que, às vezes, está muito sobrecarregada com várias tarefas. Tudo certo?. Não ou mais ou menos.

          Um estudo americano questiona esta explicação e sugere uma hipótese alternativa que vai causar polêmica: tudo não passa de uma seleção não aleatória, ou seja, não por acaso, dos casos estudados e a verdadeira resposta está na questão genética. Antes, vamos aos detalhes do estudo. Foram avaliadas 1400 adolescentes, com idades entre 14 e 21 anos, divididos igualmente, entre meninos e meninas que eram filhos de duplas de irmãs. Havia neste grupo de mães mulheres que contavam ou não com o parceiro, ou seja, o pai biológico do ou da adolescente. A idéia original de estudar mães que eram irmãs biológicas foi de avaliar a possível influência paterna sobre o comportamento sexual dos jovens. Neste caso, se a presença do pai realmente influencia, adolescentes sem pai teriam início de vida sexual mais precoce, reforçando a questão comportamental. Do contrário, o início da vida sexual seria semelhante nos dois grupos e a explicação estaria em outro lugar.

          Resumo da história, a análise dos dados aponta para um fator genético que se relaciona à ausência do pai e que acelera o início da vida sexual das adolescentes. Para defender esta original idéia os pesquisadores afirmam que: primeiro, existem evidências de que o início da puberdade e do primeiro parto são geneticamente determinados. Segundo, o coito precoce pode fazer parte de uma síndrome de comportamento anti-social e de comportamentos de risco, que incluem agressividade, impulsividade e uso de drogas, que tem base genética e são transmitidos de pais para filhos. Em outras palavras, está nos genes a maior chance de fazer sexo precocemente e, ao mesmo tempo, não contar com o pai biológico.

          A pesquisa é bem polêmica e deve deixar todos com uma percepção incomoda de que pior do que não ter o pai por perto e não saber que tipo de homem ele era. (Mendle et al. Associations between father absence and age of first sexual intercourse. Child Development 2009;80(5):14653-1480) 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h49

02/03/2010

Causas de dor durante o sexo

              

    Convido as leitoras do Blog a participarem do lançamento do  livro

    "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"

    Autores: Alexandre Faisal e Rubens Volich 

    Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista)  

    Data: 08/03/2010

    Horário: 19 às 21:30 hs   

          

                                          

 Dor durante a relação sexual, ao longo da vida, chega a ocorrer em até 50% das mulheres. Uma revisão explica as possíveis causas do problema

 Na sua opinião qual a principal causa de dor durante o ato sexual ?  Comente 

  Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

             

         Dispareunia é definida como dor durante a relação é definida como dor durante a relação, embora alguns considerem uma disfunção sexual que pode ocorrer antes e após a atividade sexual. É difícil definir o número exato de mulheres que sofrem com o problema, principalmente porque muitas delas evitam pedir ajuda médica ou psicológica. Pesquisas falam em até 50% das mulheres.

          Uma revisão do assunto feita por pesquisadores ingleses discute detalhes da questão, tais como apresentação clínica, as causas e principalmente o tratamento. Eles afirmam, por exemplo, que a dispareunia primária, aquela que surge desde a primeira relação é provavelmente de causa psicológica, enquanto a dispareunia secundária, aquela que aparece após períodos de atividade sexual indolor, tem maior chance de ter causa física. Dentre estas causas estão: endometriose, hímen não perfurado, lesões ou infecções vulvares ou vaginais, entre outras.

          No entanto, muitas causas orgânicas de dor são não ginecológicas, ou seja, estão localizadas em outros órgãos: intestino, sistema urinário, etc. Um dado interessante é a observação de que se a dor é superficial ou ocorre na penetração, existe associação com dor vulvar, vaginismo e trauma do períneo após um parto, há neste grupo de situações forte participação dos aspectos psicológicos.

          Finalmente, eles destacam que raramente a dor na relação sexual está sozinha, e, no geral, ela é um sintoma associado a outras questões que precisam ser investigadas. Por exemplo, entender o significado da dor na relação. É uma excelente abordagem que tem tudo para melhorar a vida da mulher e de seus parceiros. Pois convenhamos é complicado sofrer quando se poderia ter prazer. (Mukhopadhyay & Morris. Dyspareunia in gynaecological practice  Obstetrics, Gynaecol Reproductive Medicine 2009;19:215-20)

 

 

 

 

                            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 01h04

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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