Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/03/2010

Menstruar precocemente aumenta o risco de cesariana

   Conhecer os fatores associados ao parto cirúrgico, fórceps ou cesariana, é aspecto importante da      assistência às mulheres. Um estudo inglês considera que a idade da primeira menstruação pode ser um  destes fatores

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          Muitos estudos indicam que o risco de cesariana aumenta em mulheres mais velhas. Para alguns, isto reflete preferência dos médicos ou das próprias gestantes, para outros, um efeito real do envelhecimento, já que a ocorrência de parto cirúrgico, ou seja, de cesariana e fórceps, aumenta progressivamente com a idade. Logo, a idade da primeira menstruação poderia estar implicada no risco de vir a ter um parto cirúrgico. Para tentar entender melhor esta questão um grande estudo inglês analisou dados de mais de 3700 mulheres que deram a luz ao primeiro filho. Elas faziam parte de um grande grupo de mulheres que foram seguidas por anos, antes mesmo de engravidarem.

          Os pesquisadores observaram que a taxa de parto cirúrgico era maior nas mulheres cuja primeira menstruação antes dos 12 anos e menor, nas mulheres cuja primeira menstruação ocorreu após os 15 anos. E este gradiente foi igualmente mantido para as menstruações que ocorreram neste intervalo de 12 a 15 anos. Dito de outra maneira, quanto mais precoce a primeira regra, maior o risco de cesariana e fórceps. Por exemplo, uma antecipação de 5 anos da primeira regra significava aumento de 25% na chance de ter um parto cirúrgico.

          A explicação: se a primeira menstruação é mais precoce, a mulher fica mais tempo exposta aos hormônios femininos, estrógeno e progesterona, que podem ter efeito deletério sobre o funcionamento uterino. E esta exposição uterina pré-gravídica aos hormônios que pode, por exemplo, interferir nas contrações uterinas no trabalho de parto, aumentando a chance da cesariana e uso de fórceps. Um resultado no mínimo curioso, mas vamos torcer para que gestantes e médicos não abusem desta teoria para deixarem de tentar partos normais (Smith. Age at menarche and the risk of operative first delivery. BJOG 2009;116:1613-1621)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h12

15/03/2010

Psicoterapia reduz inflamação em mulheres com câncer

    

  Depressão e inflamação são comuns em pacientes que sofrem de câncer. E ambas se associam com  maior mortalidade. Um estudo mostra que a psicoterapia pode ser útil nestes casos

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        Depressão e inflamação são comuns em pacientes com câncer. Pessoas deprimidas apresentam frequentemente fadiga, ansiedade, dor e estresse. Por sua vez, a inflamação observada em pacientes cancerosos pode advir de substâncias liberadas pelo tumor. Mesmo após a retirada do tumor, a inflamação pode persistir em função de procedimentos tais como radioterapia, quimioterapia ou da própria cirurgia. Tanto depressão quanto inflamação se associam com maior risco de morte por câncer.

        Existem evidências de que a inflamação contribui para a depressão, mas o caminho inverso é controverso.  Ou, melhor dizendo, era. Isso mesmo. Um estudo publicado no periódico “Psychosomatic Medicine” com 450 mulheres recém diagnosticadas com câncer de mama e depressão afirma esta associação e vai, felizmente, ainda mais longe. Neste ensaio clínico, as mulheres foram divididas por acaso para receber ou não uma intervenção psicoterápica, ao longo de 12 meses. No total foram 39 horas de terapia. As mulheres foram avaliadas, clinica e psicologicamente, aos 4, 8 e 12 meses, bem como do ponto de vista laboratorial, para análise dos marcadores do sistema imune.

         O maravilhoso resultado é que a intervenção reduziu significativamente sintomas depressivos, a fadiga e a dor, bem como os marcadores da inflamação. Mais e melhor ainda, o efeito da psicoterapia na inflamação foi mediado pelo impacto positivo da intervenção psicológica nos sintomas depressivos. Ou seja, a psicoterapia reduz diretamente a depressão e indiretamente o processo inflamatório. Os autores concluem que ela seja incorporada ao arsenal terapêutico do tratamento do câncer, já que ela resulta em melhor qualidade de vida.

         Os pacientes que sofrem com o câncer e seus entes queridos que sofrem com eles, e por eles,  agradecem. (Thorton et al. A psychological intervention reduces inflammatory markers by alleviating depressive symptoms: secondary analysis of a randomized controlled study. Psychosom Medicine 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h52

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico