Blog do Dr. Alexandre Faisal

14/05/2010

Câncer de ovário: como prevenir?

 Câncer de ovário é o tumor maligno ginecológico mais letal. Infelizmente, a prevenção e o diagnóstico precoce  não são muito fáceis. Um editorial brasileiro dá uma panorama atual deste temido problema  

 Você se preocupa com  a prevenção do câncer de ovário?.   Clique   aqui para   votar 

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          Um interessante editorial brasileiro aborda um grave problema de saúde feminina: o câncer de ovário. Mais especificamente a prevenção e o diagnóstico precoce. Para se ter uma noção do problema, no mundo, 200.000 novos casos de câncer ovariano ocorrem a cada ano. Ele é a neoplasia ginecológica mais letal e a sétima causa mais comum de óbito em mulheres. No Brasil, a incidência supera a dos países industrializados, pelo menos em dois registros de câncer de base populacional: Porto Alegre (13/100.000 mulheres) e São Paulo (11/100.000). O risco de vir a ter câncer de ovário aumentou de 1para 70, em 1970, para 1 para 55, em 2006.

          E uma questão fundamental é o diagnóstico precoce já que menos da metade das mulheres sobrevivem por mais de cinco anos após o diagnóstico de câncer do ovário. Para ter noção de comparação, no caso de cânceres de endométrio e colo do útero a sobrevida em cinco anos é de mais de 70%. Isso porque, em geral, o tumor é detectado em fases mais adiantadas da doença, quando as esperanças de cura são bem reduzidas. Na população, em geral, a idade média ao diagnóstico é de 63 anos.

          O perfil epidemiológico típico para risco de câncer de ovário é o da mulher após a menopausa, que nunca teve filhos, de nível socioeconômico mais elevado. Sabe-se que as condições associadas a um maior número de ovulações, tais como a primeira menstruação precoce, menopausa tardia e não ter nunca tido filhos são associadas ao risco de desenvolver a doença, assim como história de câncer de mama. Por outro lado, gestações a termo, lactação, uso de contraceptivo hormonal oral, laqueadura tubária, histerectomia e uso de vitamina D conferem proteção.

         Curiosamente existem dúvidas quanto a diversos fatores de risco, tais como ao índice de massa corpórea, a dieta pobre em vegetais ou rica em gordura, o consumo de álcool e o tabagismo. Recentemente, surgiram estudos demonstrando a importância da história familiar de câncer de ovário: história positiva para mãe ou irmã duplica o risco para aparecimento em idades mais avançadas e quintuplica para diagnósticos antes dos 50 anos de idade, com maior tendência para determinados tipos de tumores ovarianos.

          Nesta altura, algumas mulheres devem estar se perguntando sobre o impacto da pílula anticoncepcional. Mas isso é tema para nosso próximo boletim (Derchain et al. Panorama atual e perspectivas em relação ao diagnóstico precoce do câncer de ovário . Rev Bras Ginecol Obstet 31 (4): 159-163, 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h12

09/05/2010

Adolescentes obesos: a mãe deveria dar o exemplo

   Sobrepeso e obesidade estão se tornando cada vez mais comuns em jovens. Um estudo brasileiro mostra com que frequência isso ocorre e quais fatores se associam com o problema  

 Qual a influência do peso materno sobre a obesidade do adolescente ?.   Clique   aqui para   votar 

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         Jovens estão cada vez mais gordinhos, para não falarmos obesos. E isso preocupa já que é bem documentada a associação entre obesidade e aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, já durante a infância e a adolescência. Um estudo brasileiro procurou analisar a associação entre fatores de risco familiares e a presença de obesidade abdominal entre adolescentes.

          A amostra foi composta por 691 jovens de ambos os gêneros, com idades entre 11 e 17 anos, residentes na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo. A identificação da obesidade abdominal foi baseada no valor da circunferência de cintura, e os fatores de risco familiares, tais como escolaridade e excesso de peso dos pais, condição socioeconômica, número de irmãos e quantidade de televisores na residência foram analisados por meio de questionários.

          Quanto aos resultados, dois dados chamam a atenção: o primeiro é que aproximadamente 15% dos participantes eram obesos, independentemente do sexo, apesar de leve predomínio entre os meninos. O segundo é que a obesidade abdominal associou-se com a rede privada de ensino, e sobrepeso/obesidade dos pais, mas, principalmente, e, em particular, da mãe. Isto sugere que além da carga genética, o fator ambiental é fundamental já que habitualmente cuida da criança e adolescentes é a mãe. É ela que cuida do que eles podem e devem comer.

           Em outras palavras fica difícil cobrar dos filhos alimentação saudável se nós, os pais, não dermos o exemplo. Pois como bem poderia dizer o ditado neste caso “filho de peixe, gordinho é”. (Fernandes et al, 2009. Fatores familiares associados à obesidade abdominal entre adolescentes. Rev. Bras. Saude Mater Infant. 9(4): 443-449)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h56

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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