Blog do Dr. Alexandre Faisal

19/05/2010

Impacto negativo da obesidade na gravidez

  A obesidade feminina está cada vez mais comum. E isso tem impacto negativo para as mulheres que planejam engravidar e para as que já estão grávidas. Um editorial brasileiro fala desta relação entre obesidade e complicações obstétricas

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 Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

  

  

    

 

          Num boletim anterior, nós conversávamos sobre um editorial recente sobre obesidade, enfocando particularmente a questão da mulher. Além dos altos índices de obesidade entre as mulheres no Brasil, existem preocupações adicionais. Uma delas é o impacto da obesidade sobre a concepção e a fertilidade. Diversos estudos indicam que as obesas têm maior prevalência de ausência de menstruação e infertilidade, sendo que até 40% das mulheres com síndrome dos ovários policísticos são obesas. A obesidade também reduziria as chances de sucesso dos tratamentos para esterilidade e aumentaria a probabilidade de abortamento espontâneo.

          Uma vez grávida, aceita-se que sobrepeso e/ou obesidade se associam com o risco de pré-eclâmpsia e de diabetes gestacional, que neste caso pode ser de até 5 vezes. E a lista de complicações é ainda maior: maior probabilidade de terem infecções urinárias e do trato genital inferior, risco de parto induzido, cesarianas, hemorragia maciça pós-parto e infecção puerperal. O risco de morte é, significativamente, maior para as mulheres obesas, sendo grávidas ou não.

          Finalmente, gestantes são sempre atentas e interessadas em seus bebes e devem saber que a obesidade também pode ter repercussões sobre o concepto. Isto inclui aumento da taxa de malformações fetais e risco de óbito fetal. Mais ainda, os bebês, em geral obesos, filhos das mulheres obesas têm maior propensão a serem quando adultos obesos e diabéticos, perpetuando o ciclo da obesidade. A pergunta é: o que fazer?. E as respostas não são simples.

          A autora do editorial salienta a necessidade de estudos que investiguem o efeito de intervenções específicas para obesidade durante o período pré-concepcional e no pré-natal para redução desses riscos. É tempo também de alertar o público em geral, envolvendo profissionais de saúde e entidades de classe para o problema. E para as mulheres, em geral, e para as grávidas, em particular, ser bastante direto: se tabagismo é ruim, obesidade também é. Para ela e para seu bebe. (Matar et al. Obesidade e gravidez. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 31 (3):107-110, 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h10

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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