Blog do Dr. Alexandre Faisal

28/05/2010

Uso da maconha no Brasil

  A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. O consumo, no entanto, difere entre os países, grupos sociais e entre homens e mulheres. Uma pesquisa nacional revela qual a porcentagem de brasileiros, incluindo as mulheres que usam ou usaram a maconha nos últimos 12 meses

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         A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo e, provavelmente, a terceira droga para fins recreativos, perdendo apenas para o cigarro e o álcool.  Para dar uma noção do seu uso, estima-se que em 2006, cerca de 4% da população mundial, ou seja, perto de 166 milhões de pessoas haviam consumido maconha no período de 12 meses passados. No grupo de adolescentes admite-se que seu uso seja ainda mais comum, o que causa um pouco de preocupação já que até 10% dos usuários de maconha são tidos como dependentes. E no Brasil, qual é esta estimativa do uso da “cannabis”, o nome científico da droga?.

           Um estudo muito bem conduzido tem essa resposta. Usando uma amostra representativa da população, com mais de 2500  indivíduos, com idade superior a 17 anos e ainda quase 500 adolescentes entre 14 e 17 anos, os autores obtém interessantes resultados. As pessoas foram entrevistadas face a face. O consumo de maconha, considerando o período dos últimos 12 meses foi de 2.1%. Para mulheres, entre 18 e 30 anos, esta cifra foi de 1.6%, menor do que os 7.1% para homens da mesma faixa etária. Segundo os autores, ser homem, ter maior grau de escolaridade, estar desempregado e morar na região Sul e Sudeste são fatores associados ao consumo de maconha. Embora possa se pensar que o tipo de entrevista, face a face, iniba a pessoa de, realmente, afirmar que usa ou usou recentemente a droga, a taxa de cerca de 2% não é das mais altas do mundo.

          Dados americanos e ingleses falam em até 34% e 25%, respectivamente, uma cifra inacreditável se comparada aos 0.3%, da China e 1.5%, do Japão. Nossos 2% desse modo não são assim tão assustadores. Quem diria, em relação aos outros países,  nós brasileiros, longe de sermos “doidões”, somos até um pouco “caretas”. (Jungerman et al. Prevalence of cannabis use in Brazil: data from the I Brazilian National Alcohol Survey (BNAS). Addicitive Behaviors 2010,190-193)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h03

24/05/2010

Percepção da mulher do risco na mamografia

    A mamografia é o exame mais importante na prevenção do câncer de mama e muitas mulheres sabem disso. E o que elas pensam sobre o resultado do exame parece ser importante também, segundo estudo realizado na Dinamarca

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        A prevenção do câncer de mama é uma das grandes preocupações das mulheres, principalmente das mulheres com mais de 40 anos e das mulheres que tem parentes próximos, mãe, tias, ou irmãs com câncer mamário. A mamografia é o exame mais importante na prevenção e a grande maioria das mulheres sabe disso.  Mas você acreditaria que a percepção do risco da mulher que vai se submeter à mamografia também é importante. Em outras palavras, a informação que a mulher oferece ao médico sobre seu risco de ter câncer de mama, tem valor preditivo. Parece meio esotérico, sobrenatural, fantástico, mas é a conclusão de um estudo publico no prestigioso periódico Journal of Psychosomatic Research, realizado na Dinamarca.

         Nesta pesquisa, 665 mulheres com idade entre 40 e 60 anos responderam a uma pesquisa sobre o risco de ter câncer de mama, duas semanas antes da realização da mamografia. Todos os casos foram considerados suspeitos pelo clinico que pediu a mamografia. O risco segundo a opinião das mulheres era classificado em graus, de muito baixo a muito alto. Esta classificação foi comparada posteriormente ao resultado do exame. 7% das mulheres receberam o diagnóstico de câncer. Dentre as mulheres com diagnóstico de câncer, 29% havia se classificado como de alto risco. Já para as mulheres sem câncer, este número era 12%.          

         A conclusão inusitada do artigo é que as mulheres que classificam seu risco de câncer de mama como alto têm aumento, estaticamente significativo, do risco de, realmente, vir a ter diagnóstico de câncer numa mamografia subseqüente. O estudo, no entanto, tem uma ressalva importante. Apesar de terem sido controlados outros fatores de risco para o câncer mamário, tais como idade, histórico de câncer de mama na família e mamografia prévia, apenas os casos considerados suspeitos foram incluídos. O grupo de mulheres classificado pelo clinico como “não suspeito” foi submetido à mamografia, mas não fez parte da análise. Uma pena, pois seria interessante saber se essas mulheres também "podem prever o futuro".

        Se é que vale a pena saber o que o futuro nos reserva  (Nielsen et al. Perceived risk prior to mammography as an independent predictor a breast cancer. J Psychosom Res. 66 (2009) 245-247)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h41

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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