Blog do Dr. Alexandre Faisal

10/06/2010

Exercícios melhoram os sintomas da fibromialgia

 Fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dor corporal difusa e persistente, 8 vezes mais comum em mulheres do que em homens. Um estudo avalia o impacto dos exercícios físicos sobre o problema

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            Fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dor corporal difusa e persistente, acompanhada de aumento de sensibilidade. Atinge até 2% da população americana sendo 8 vezes mais comum em mulheres do que nos homens. Os sintomas mais comuns são dor, fadiga, alteração do padrão do sono, dor de cabeça, problemas de concentração e de memória, e alteração do humor. Resultado, a pessoa fica limitada e não raro deixa de fazer suas atividades.  Um estudo procurou avaliar se 30 minutos diários de atividade física de lazer poderia ser eficaz clinicamente.

             Assim 84 pessoas sedentárias com fibromialgia foram alocadas para um dos dois 2 grupos: meia-hora de exercícios diários de intensidade moderada ou apenas recebimento de informações. Após 12 semanas a evolução clínica do grupo que se exercitou foi notável: eles referiram menos incapacidade funcional e menos dores. No entanto, alteração do humor, fadiga e sensibilidade não variaram entre os grupos. O estudo tem algumas limitações, como por exemplo, se basear em auto-avaliações e o conhecimento pelo participante do grupo para o qual foi alocado.

           Mas levanta uma questão interessante: o papel dos exercícios na fibromialgia. Se por um lado se admite que o exercício é muito útil, por outro lado reconhece-se também que os sintomas acabam criando obstáculos para sua prática. E fica aquele círculo vicioso: doi e por isso não exercita, não exercita e isso piora a dor. A pesquisa sugere romper esse ciclo vicioso e exercitar-se prazerosamente. E quem achar ruim deve se lembrar de um conhecido ditado em inglês: “no pain, no gain”. (Fontaine et al. Effects of lifestyle physical activity on perceived symptoms and physical function in adults with fibromyalgia: results of a randomized trial Arthritis Research & Therapy 2010, 12:R55 )

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h45

06/06/2010

Air bag é benéfico para a proteção do feto

         

    Muitas pessoas temem o impacto do air bag sobre o feto no caso de um acidente automobilístico envolvendo gestantes. Um estudo americano esclarece essa questão

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           Por razões não muito claras, algumas pessoas temem o impacto do air-bag sobre a gestação no caso de uma batida. Talvez pela idéia de que ele possa apertar e machucar o bebê. Ou talvez, pelo registro de casos isolados e, não totalmente documentados, onde se assumiu um malefício do uso do air-bag. Pois bem, um estudo americano no Estado de Washington faz uma análise retrospectiva da associação entre parto prematuro e morte do feto com a presença ou não do air-bag no veículo, em acidentes automobilísticos.

           A boa notícia é que não houve associação significativa entre essas complicações obstétricas e o uso do air-bag. Uma limitação do estudo, no entanto, foi o fato de terem ocorrido, por exemplo, poucos casos de mortes fetais: 2 mortes em quase 200 acidentes nos carros air-bag contra 2 em mais de 600 acidentes nos carros sem air-bag. A mesma coisa ocorreu para partos prematuros: mais comuns no grupo que tinha air-bag, mas sem significância estatística pelo pouco número de casos. Isso obviamente reduz a possibilidade de comparações adequadas. Mas, espera-se que os resultados do impacto do air-bag sejam semelhantes aos do cinto de segurança, ou seja, favoráveis as gestantes e bebês.

            Quanto ao cinto de segurança já é bem estabelecido que ele reduz risco de morte da mãe e do futuro bebê. E se isso se confirmar para o air-bag será uma ótima notícia, já que mais de 32 gestantes americanas sofrem um acidente de automóvel. Dito de outro modo, entre 1 e 3% das gestantes tem risco de vir a sofrer uma batida de carro. 

             Portanto se você é gestante e motorista, até que se prove o contrário, vale a pena dar ao seu bebê, além da proteção do seu útero, a proteção extra do air-bag. (Schiff et al. The Effect of Air Bags on Pregnancy Outcomes in Washington State 2002–2005 Obstet Gynecol 115(1), 85-92, 2010)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h48

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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