Blog do Dr. Alexandre Faisal

25/06/2010

Profissionais de saúde precisam conhecer melhor o problema da violência contra a mulher

  Existe um consenso entre os profissionais de saúde de que é preciso enfrentar o delicado problema da violência contra a mulher. Mas como fazer isso é outra coisa. Um estudo nacional avalia a capacitação do profissional de saúde para lidar com o problema

 Você acha que a mulher se sente à vontade para pedir ajuda nos casos em que é vítima de violência? .   Clique   aqui para   votar 

  Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

    

 

          Todo mundo concorda: é preciso enfrentar o delicado tema da violência contra a mulher. Mas como fazer isso é outra coisa. Sabe-se, por exemplo, que os profissionais de saúde acham o tema de difícil abordagem. Um estudo nacional procurou avaliar o co­nhecimento e a atitude dos profissionais de saúde em relação à violência de gênero. Na pesquisa, 221 profissionais de saúde por meio de questionário estruturado. Dentre os participantes havia  51 enfermeiras e 170 médicos, com idade média de 38 anos e 12 anos de vida profissional.

         Os resultados surpreendem: apenas pouco mais da metade, quase 60%, mostrou conheci­mento geral adequado sobre a violência de gênero, o que indica a neces­sidade de capacitar os profissionais para este atendimento. Em relação às barreiras para averiguar a violência, os profissionais citaram a falta de uma política institucio­nal e o silêncio da mulher que não revela a violência. Os entrevistados, em particular as mulheres jovens, apresentaram atitudes mais favoráveis para o acolhimento da mu­lher em situação de violência. No geral, a maioria dos entrevistados demonstrou atitudes positivas, o que pode ser útil no caso de capacitação desses profissionais. E isso é urgente, já que a violência contra a mulher perpetrada pelo parceiro íntimo no Brasil é alta. Por sinal, bem alta, chegando a quase 40% quando se considera a violência física alguma vez na vida em mulheres da cidade de São Paulo.

          Mas, um outro dado do estudo mostra que o caminho não é fácil. Entre os profissionais que concor­daram que perguntar sobre a violência de gênero é papel do profissional, 28% diziam também que não consi­deram a violência de gênero um problema de saúde. Talvez porque não tenham aprendido como lidar com violência de gênero no curso de graduação.

           Muitos devem concordar que explica, mas não justifica. Vamos então torcer para que aprendam. (VieiraI  et al. Conhecimento e atitudes dos profissionais de saúde em relação à violência de gênero. Rev Bras Epidemiol 2009; 12(4): 566-77)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 16h27

20/06/2010

Depressão após adoção

   Muitas pessoas já vivenciararm o sério problema da depressão pós-parto. Mas você já ouviu falar da depressão "após adoção"?. Um estudo americando aborda este delicado e intrigante tema

 

   Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

  

  

  

     

          Você já ouviu falar em depressão pós-parto?. Possivelmente sim e, eventualmente, conhece alguém, parente ou amiga, que já viveu o problema. Mas é depressão pós-adoção, ou seja, em mulheres que não pariram, mas sim adotaram o bebê?.  Provavelmente não e deve estar pensando”como assim”?. Pois bem, um estudo piloto realizado nos Estados Unidos, com 86 mulheres que adotaram uma criança e que foram seguidas por até 1 ano, mostra que o problema é comum.

          Uma em cada 4 mulheres apresentaram sintomas de depressão, nos primeiros 3 meses da adoção. Após este período, os números melhoraram, mas 12% delas ainda estavam sofrendo. Os autores procuram explicar esses resultados com outros dados da pesquisa. Um deles é que os sintomas de depressão após adoção não eram mais comuns em mulheres com história prévia, pessoal ou familiar, de problemas psiquiátricos, sugerindo que a questão genética não está envolvida no problema. Diferente, por exemplo, do que hoje se admite para a depressão pós-parto, onde o antecedente de depressão é muito importante.

           Por outro lado, os autores observaram uma forte associação entre depressão pós-adoção e percepção do estresse e dificuldades no manejo do bebê e da nova situação. E de fato, neste grupo de mães, uma em cada cinco crianças foi considerada como portadora de necessidades especiais, o que convenhamos aumenta bastante o estresse. E quem já teve filhos sabe que os cuidados do primeiro ano de vida do bebê, natural ou adotivo, são intensos e constantes. Em alguns casos, por conta da inexperiência dos pais; em outros porque os pais se afligem, além da conta, e são muito, muito preocupados.

           E é claro que isso também pode acontecer com os pais adotivos. Nesse caso, o que era para ser uma solução acaba se tornando um problema, para não dizer um problemão. (Payne et al. Arch Womens Ment Health 2010,13:147-151).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h23

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico