Blog do Dr. Alexandre Faisal

30/07/2010

Cesariana com música

   Música na sala de parto é uma idéia tão simpática quanto interessante. Uma revisão avalia os benefícios da cesariana com música 

  Você apoia a idéia de parto normal ou cesariana com música?.  Clique   aqui para   votar 

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         Imaginemos a seguinte situação. Seu parto será uma cesariana e você gostaria de durante a cirurgia houvesse música na sala de parto. O obstetra não se opõe, mas ele não sabe lhe esclarecer se esta idéia tem algum benefício para você ou para seu bebê. Bem, a dúvida dele sobre os benefícios da música durante a cesariana está prestes a acabar. Ou quase isso. Uma revisão sistemática dos estudos que abordaram a questão sugere que existem sim alguns benefícios. Entre eles a diminuição da freqüência cardíaca materna, observado em dois momentos, ao final do contato com o bebe na sala cirúrgica e ao final da sutura da pele. Isso aponta para diminuição do estresse natural que acompanha uma cirurgia, ainda mais quando se trata do nascimento do próprio filho.

          Mais importante ainda foi o registro de satisfação da mãe com o próprio parto. Mães que se submeteram a cesariana com música tinham até 5 vezes mais chance de se sentirem satisfeitas com o parto, na comparação com mães que pariram da mesma maneira, mas sem música. Muito legal, mas antes que a moda peque é importante destacar que, segundo essa publicação da fundação Cochrane, a magnitude dos efeitos foi pequena e, portanto, o significado clínico destes benefícios é incerto. Logo, novos estudos com grande número de gestantes são necessários.

          Até lá vamos ter que esperar para acolher de vez essa simpática e agradável idéia, a de parir, ainda que por meio de cesariana, com música. E vamos ter que torcer para que isso não inclua música Techno, House, Tranch. E muito menos Heavy metal. Porque ia ser muito louco ter um bebe escutando o som do Metálica.  (Laopaiboon et al. Music during caesarean section under regional anaesthesia for improving maternal and infant outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h38

27/07/2010

Menos QI, mais acidente?

    Prevenção de acidentes é fundamental em determinados grupos etários. Um estudo sueco aborda a importância do QI (quociente de inteligência) sobre o risco de sofrer um acidente 

  Você acha que existe alguma relação entre inteligência e risco de acidentes?.   Clique   aqui para   votar 

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          Você acha que existe alguma relação entre inteligência e risco de acidentes?. Se você for mulher, ficará ainda mais tranqüila para dizer  que sim. Pois esta é a conclusão de um interessantíssimo e curioso  estudo realizado na Suécia, apenas com homens. Vamos aos detalhes do  estudo. Cidadãos suecos nascidos entre 1950 e 1976 e que prestaram  serviço militar por volta dos 18 anos de idade foram submetidos a  avaliações físicas e psicológicas, incluindo  avaliação do quociente  de inteligência. Posteriormente, graças a um eficiente sistema de identificação pessoal, este grupo de mais de 1 milhão e 100 mil homens foram seguidos por um período médio de 24 anos, quando foram anotados  os registros de internações hospitalares por acidentes involuntários.  

          Resultado: cerca de 198 mil homens, ou 18% dos participantes, tiveram  pelo menos uma admissão hospitalar por acidente. A causa mais comum de  acidente foi queda, seguida por acidentes nas estradas, envenenamento, queimadura e afogamento. Após ajustes que controlaram efeito do  álcool, das doenças e da idade, as análises revelaram que escores mais  baixos de QI se associavam com aumento do risco para acidentes .Os  autores estimaram por exemplo que risco de queda e afogamento era 17% e 53% maior nos indivíduos com QI mais baixo.

           E eles observaram também  um gradiente muito interessante. Quanto mais baixo o nível de  inteligência maior o risco de acidente involuntário. Pode parecer  anedótico, mas esta conclusão é fundamental para entender e prevenir  os acidentes que são, em alguns países, a causa mais importante de  morte precoce e de incapacitação de jovens. Isso sem contar o impacto  econômico destes acidentes que incidem sobre população não deveria  estar parada ou no hospital, mas sim trabalhando. De qualquer maneira,  a conclusão do estudo é que menor inteligência em adultos jovens é  fator de risco para acidentes nos anos posteriores. Talvez porque  indivíduos mais limitados intelectualmente tenham menos habilidades  específicas ou tenham menor percepção de riscos na execução de algumas  atividades.

          Pior ainda se além de limitado intelectualmente fizer uso abusivo do álcool na execução das muitas tarefas do dia a dia. Neste caso o risco é ainda maior. Mais aí todos devem concordar que não é só  burrice, mas, também, estupidez. (Whitley et al. Intelligence in early adulthood and subsequent risk of unintentional  injury over two decades: cohort study of 1,109,475 Swedish men. JECH 2009)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h02

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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