Blog do Dr. Alexandre Faisal

11/08/2010

O uso do celular aumenta o risco de câncer?

  No mundo, milhões de pessoas usam (e/ou abusam) o celular. Um editorial discute a controvérsia entre pesquisadores sobre o risco de câncer em usuários de telefonia móvel.

 Você considera que usa exageradamente seu celular?.  Clique   aqui para   votar 

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          Responda honestamente à seguinte questão: “Você consegue ficar horas sem fazer uma ligação telefônica do seu celular ?” ou “ Você considera que a vida seria impossível sem a existência do telefone móvel ?”.  Se a resposta é sim, não precisa se envergonhar. Você está na companhia de 4 milhões de pessoas no mundo e esta cifra deve continuar aumentando. Mas você já parou para pensar se o uso constante e prolongado do celular se associa a algum tipo de doença?. Provavelmente não. E este é o tema de um editorial no período JECH que aborda as evidências atuais do impacto do celular sobre a saúde das pessoas.

          A exposição à radiação não ionizante advinda dos aparelhos de telefonia móvel não é relacionada ao surgimento de doenças. Mas existem controvérsias. Para muitos, as ondas da rádio-frequência podem causar problemas, que, em geral, aparecem apenas após muitos anos de exposição. E eles citam estudos que mostraram associação entre uso de celular por mais de 10 anos e o surgimento de câncer cerebral. Um aumento de três vezes do risco. Eles defendem que o tempo de exposição atual é ainda pequeno e que com o passar dos anos e a manutenção dos padrões vigentes de sobreuso do celular, os problemas começarão a ficar evidentes. Para outros cientistas, isso é apenas suposição e o uso do celular é seguro. O autor do editorial destaca a necessidade de mais estudos, de melhor qualidade, e recomenda também o uso moderado do celular até que tenhamos menos dúvidas e mais certezas.

          Bem, quanto a idéia de restringir o uso do celular não sabemos se ela fará bem à nossa saúde. Mas, com certeza, fará muito bem ao nosso bolso. (Olsen J. Communicating evidence and uncertainties on health risks from use of mobile phones. J Epidemiol Community Health 2010,64(4):281-2) 

  

 

   

  

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h04

08/08/2010

Hiperatividade acomete também as meninas

   Déficit de atenção de hiperatividade são mais comuns nos meninos, mas ocorrem também nas meninas. Um editorial aborda as particularidades do problema no sexo feminino.

  Você conhece alguém com problema de hiperatividade?.  Clique   aqui para   votar 

  Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

     

 

         Déficit atenção e hiperatividade é uma doença crônica que em geral se inicia na infância e acomete até 5% da população mundial, sendo habitualmente descrita como problema de hiperatividade e impulsividade em meninos. Isso pode não ser completamente verdadeiro. Um editorial publicado no Canadá afirma que o problema também atinge jovens meninas e que em função deste mito muitas delas ficam sem diagnóstico e tratamento. Algumas particularidades ajudam a explicar esta falha. Meninas apresentam mais desatenção do que sintomas de hiperatividade, e, em geral, o quadro clínico não é tão exuberante. Mas isso não significa que elas sofram menos; mas sim que elas sofrem de um jeito diferente.

          Meninas mostram mais queixas de depressão e ansiedade, enquanto meninos apresentam mais comportamentos agressivos e impulsividade. Meninas também têm mais chance de desenvolverem desordens alimentares. Mas o autor do texto destaca que o início e a duração do problema, bem como o grau de prejuízo funcional, em particular, na escola tendem a ser iguais entre meninos e meninas. E conclui que é importante conhecer mais a fundo a relação entre o déficit de atenção e as alterações hormonais femininas decorrentes do período menstrual e da menopausa.

        Bem, em tempos de busca pela igualdade entre os sexos, descobrir que o déficit de atenção e hiperatividade é comum nas mulheres não é o melhor jeito de se igualar aos homens. Mas pelo menos é o caminho certo para ser tratada de um jeito diferente. (Sassi RB. Attention-deficit hyperactivity disorder and gender. Arch Womens Ment Health 2010;13:29-31)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h02

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico