Blog do Dr. Alexandre Faisal

03/09/2010

Suicídio: Brasil está em 67 no mundo

  Dados da OMS indicam que até 2020 mais de 1.5 milhões de pessoas vão cometer suicídio. Um artigo nacional apresenta estatísticas nacionais e o local que o Brasil ocupa neste insólito ranking

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         O número é impressionante: até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas vão cometer suicídio. Isso segundo dados da OMS, o que torna o suicídio um sério problema de saúde pública no mundo inteiro. A taxa de suicídio é mais alta entre os indivíduos mais velhos do que entre os mais jovens; mas mesmo esta tendência está mudando nas últimas décadas e o suicídio já é uma das quatro principais causas de morte entre as pessoas com idade entre 15 e 44 anos, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento. E no Brasil, como estão as taxas de mortalidade por suicídio?.

         Esta delicada questão foi respondida por um estudo nacional que fez uma análise epidemiológica dos índices de suicídio registrados entre 1980 e 2006, em diversas regiões e capitais estaduais brasileiras. Vamos aos resultados: entre 1980 e 2006, foram registrados quase 159 mil casos de suicídio, sem contar os casos de suicídio em crianças de menos de 10 anos. No período estudado, o índice total de suicídio cresceu de 4,4 para 5,7 mortes por 100.000 habitantes, ou seja, um crescimento de quase 30%. Os índices médios mais altos foram registrados nas regiões Sul (9,3) e Centro-Oeste (6,1). Ser homem e ter mais de 70 anos está fortemente associado ao risco de suicídio, mas os maiores aumentos das taxas aconteceram na faixa etária dos 20 aos 59 anos.

        Outras características das pessoas que cometeram suicídio neste período foram o baixo nível educacional e estado civil solteiro. Os métodos mais comuns de suicídio foram por enforcamento, armas de fogo e envenenamento. No meio de dados tão impactantes, uma observação é mais tranquilizadora: apesar deste crescimento de 30% neste intervalo de 26 anos, o índice nacional ainda é considerado baixo se comparado aos índices de suicídio mundiais e ocupa, ainda assim, infelizmente, a 67ª posição numa classificação mundial (Lovisi et al. Análise epidemiológica do suicídio no Brasil entre 1980 e 2006. Rev. Bras. Psiquiatr. 31 supl.2  2009, 31(supII), S86-94)

  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h06

01/09/2010

Taxar refrigerantes para diminuir consumo?

  Refrigerantes (em excesso) engordam, como bem sabem as mulheres. Um editorial inglês aborda uma estratégia radical para diminuir o consumo de refrigerantes: taxar essas bebidas

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          Se você é do tipo que usa e abusa do consumo de refrigerantes, vem aí uma má notícia. Um editorial no prestigioso periódico New England Journal of Medicine propõe taxar este tipo de bebida, com o intuito de diminuir o consumo pela população. A história toda começa com o fato de que diversas publicações científicas têm mostrado uma forte associação entre obesidade, diabetes e doenças cardíacas com o uso de refrigerantes. E nada indica que o consumo vá diminuir espontaneamente. Pelo contrário, dados sugerem que ele vem aumentando. Para dar um exemplo, nos Estados Unidos, entre os anos de 1977 e 2002, o consumo calórico de bebidas por pessoa dobrou, em todos os grupos etários. Os dados brasileiros devem ir na mesma direção.

          No que concerne ao ganho de peso, o impacto do refrigerante é bem evidente. Um estudo que avaliou até 8 anos a dieta de mulheres mostra que aquelas que aumentaram seu consumo de bebida adocicada, no quarto ano do estudo, ganharam 8 kg ao final da pesquisa. Muito diferente daquelas que diminuíram o consumo e chegaram ao final do estudo apenas 3 kilos mais gorda. Bem, nesta altura você deve estar se perguntando: como funciona a tal taxação da bebida?.

         O cálculo dos autores é que uma taxa de 1 por cento para cada 30 ml aumentaria o preço de uma bebida de 600 ml em até 20% e isso reduziria o consumo pela população em pelo menos 10%. E isso já ajudaria as pessoas a emagrecerem.  A mesma idéia, eles defendem, já foi aplicada ao tabagismo e ao consumo de álcool e pelo jeito funciona. Mas nem tudo é simples como parece e existem ainda algumas dúvidas sobre a eficácia do método. Será que as pessoas em vez de substituírem sua coca-cola ou guaraná por suco natural ou água não optarão por um refrigerante mais barato ?. Será que a migração para as bebidas dietéticas ou light não acarretará outros tipos de riscos ainda não bem estabelecidos?.

          O debate apenas começou e com certeza vai opor cientistas preocupados com o gerenciamento da saúde pública e as poderosas indústrias de refrigerantes. Neste intervalo fica minha sugestão “mate a sua sede, de curiosidade, com muita informação”. (Brownell et al. The public health and economic benefits of taxing sugar-sweetened beverages. NEJM 36116:1599-1605, 2009)   

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h36

30/08/2010

Alimentação fora de casa: prefira um PF

 A obesidade que já complica a vida de 50% dos brasileiros tem muito a ver com a alimentação fora de casa. Saiba como se alimentam homens e mulheres quando não estão em casa

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          O número de pessoas com sobrepeso e obesas vem aumentando em muitos países, incluindo o Brasil. Estima-se que cerca de 50% dos brasileiros, o quê, obviamente, inclui as mulheres brasileiras, estão acima do peso. Dietas inadequadas e sedentarismo são apontados como as duas principais causas desta verdadeira epidemia de obesidade. Em um dos aspectos relacionados à dieta é o consumo de alimentos fora do domicílio, em geral, alimentos menos saudáveis e mais calóricos do que os alimentos consumidos dentro de casa. Alimentos ricos em açúcar, sal e gordura, pobres em fibras, cálcio e ferro. Pois bem, um estudo nacional calculou quanto e como o brasileiro gasta com a alimentação fora de casa. E os resultados não são nada animadores.

          Os dados foram obtidos de uma amostra 48.470 domicílios, que foram incluídos numa pesquisa realizada nos anos de 2002-2003. O consumo de alimentos fora do domicílio foi definido como a aquisição de, pelo menos, um tipo de alimento para consumo fora de domicílio no período de sete dias. A freqüência de consumo de alimentos fora do domicílio foi de 35%, sendo maior na região Sudeste, com 39% e, menor, na região Norte, com 28,0%. Indivíduos de 20 a 40 anos, do sexo masculino, com maior nível de renda e maior escolaridade foram os que mais consumiram alimentos fora de casa. 

          E os alimentos mais freqüentemente consumidos fora do domicílio foram em ordem decrescente: refrigerantes (12%), refeições (11,5%), doces (9,5%),salgados fritos e assados (9,2%) e fast foods (7,2%). Quanto ao impacto econômico, os gastos com refeição foram 12 vezes maior do que os gastos com biscoitos e dez vezes maior do que os gastos com doces. Menos mal. Mas ainda assim um problemão se considerarmos que para muitos brasileiros que trabalham longe de casa a fome é grande e o dinheiro é curto. Neste caso o mais indicado é achar um PF, ou popular prato feito ou comercial, bom e barato, e evitar tentação de tapear a fome comendo bolachas e salgadinhos. (Bezerra & Sichieri. Características e gastos com alimentação fora do domicílio no Brasil. Rev Saúde Pública 2010;44(2):221-9).

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h21

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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