Blog do Dr. Alexandre Faisal

23/09/2010

Como evitar estrias na gravidez?

   As mulheres temem as estrias, principalmente por ocasião da gravidez. Um estudo brasileiro investiga os fatores associados com o surgimento de estrias em mulheres que tiveram o primeiro parto 

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          Elas incomodam e muito as mulheres. E por ocasião da gravidez tornam-se um enorme problema a ser evitado: as estrias. Por definição, as estrias de distensão são lesões cutâneas lineares, atróficas, bem definidas e secundárias às alterações do tecido conjuntivo. Aceita-se que a combinação de fatores genéticos com alterações endócrinas e estiramento mecânico da pele tem papel importante para o aparecimento de estrias, sendo que elas estão associadas com várias doenças, mas, também, com situações fisiológicas, tal como a gravidez.

          Alguns estudos afirmam que elas ocorrem em mais de 70% das gestantes e são encontradas, mais comumente, no abdome, no quadril, nas nádegas e nos seios. Pois bem, um estudo nacional procurou avaliar em 164 mulheres que deram a luz ao primeiro filho, em serviço público, os fatores associados ao surgimento de estrias. Quanto aos resultados, cerca de 60% delas desenvolveram estrias durante a gestação, que por sua vez esteve associada à faixa etária materna, ao peso materno adquirido durante a gestação e ao peso do recém-nascido. Assim, ser mais jovem, ganhar muito peso na gravidez e maior peso do recém-nascido são fatores que aumentam a chance da mulher vir a ter estrias. Os autores chegam a afirmar que se não ocorresse aumento do peso materno durante a gestação, nem nascimento de bebês com peso elevado, a prevalência do surgimento de estrias poderia ser reduzida em até 50%, aproximadamente. 

         Por outro lado, o estudo não mostrou associação significativa entre a presença de estrias na gestação e cor da pele, tabagismo, o tipo de parto, a história familiar e, atenção, atenção, com o uso de óleos ou cremes. Imagino que muitas mulheres devem ficar desapontadas com esta constatação, já que pensam que cremes hidratantes evitam, com certeza, o surgimento das estrias. 

          A mensagem do estudo é que em se tratando de prevenção de estrias na gravidez, melhor do que usar creminhos é manter a forma do seu corpinho (Maia et al. Estrias de distensão na gravidez: fatores de risco em primíparas. An. Bras. Dermatol. 2009)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h06

19/09/2010

Mais frio, mais infarto

   Brasileiros acostumados com dias ensolarados tem mais um motivo para comemorar o fim dos dias frios: temperturas frias se associam com maior risco de infarto do miocárdio. Um estudo inglês dá os detalhes

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          Os brasileiros acostumados com dias ensolarados comemoram a passagem do inverno e do frio. E eles têm, pelo menos, mais um motivo para isso: períodos de temperaturas mais frias estão relacionados com um aumento no risco de infartos agudos do miocárdio. Esta é a conclusão de um estudo feito no Reino Unido, no qual os pesquisadores verificaram que uma redução em 1º C, na temperatura externa, em um dia esteve associada com cerca de 200 infartos a mais do que a média anual.

          A pesquisa, publicada no British Medical Journal, foi feita a partir da análise de dados de 84 mil pacientes admitidos em hospitais com episódios de infarto, entre 2003 e 2006. Os dados foram comparados com temperaturas diárias das regiões em que eles moravam. Foram avaliadas 15 áreas na Inglaterra e no País de Gales. Os resultados foram ajustados para levar em conta fatores como poluição do ar, episódios de gripe, sazonalidade e tendências de longo prazo. O estudo identificou uma associação da redução em 1º C na temperatura média diária com um aumento cumulativo de 2% no risco de infartos, por um período de 28 dias, sendo o maior risco nas duas semanas subseqüentes à queda de temperatura.  .

         O maior risco foi observado em até duas semanas após a exposição a temperatura mais baixa. Embora o aumento no risco possa parecer pequeno, isso não é verdade, pois em uma região como o Reino Unido, onde ocorrem cerca de 146 mil infartos por ano, mesmo uma pequena elevação resulta em um impacto significativo. E o risco é maior em pessoas mais velhas, com idades entre 75 e 84 anos, e em indivíduos com histórico de doenças cardiovasculares. Um detalhe curioso é que embora os autores não tenham observado um aumento no número de infartos em temperaturas mais elevadas, eles sugerem que o risco aumenta com a queda de temperatura que, às vezes, ocorre no verão.

         Mas antes que os brasileiros, incluindo as mulheres, se apavorem com a chegada do próximo inverno e com as quedas intensas de temperatura no verão ficam registradas aquelas velhas recomendações e cuidados maternos: em caso de frio aqueça-se. Um casaquinho ou blusinha não faz mal a ninguém. (Krishnan Bhaskaran et al. Short term effects of temperature on risk of myocardial infarction in England and Wales: time series regression analysis of the Myocardial Ischaemia National Audit Project registry  BMJ 2010;341:c3823)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h44

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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