Blog do Dr. Alexandre Faisal

30/09/2010

Laqueadura tubária diminui risco de câncer de ovário

   Muitas mulheres, incluindo as brasileiras, optam pela laqueadura tubária como método  anticoncepcional. Uma revisão sistemática mostra um benefício adicional da ligadura das trompas

  Você optaria (ou optou) pela laqueadura tubária como método contraceptivo?.   

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        Laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico, com finalidade contraceptiva, muito popular em alguns países do mundo, incluindo o Brasil. Muitas mulheres optam pela LT para ficarem completamente despreocupadas com gestações não planejadas. Mas um aspecto menos conhecido pelas mulheres sobre este método é a associação entre LT e a redução do câncer de ovário. Diversos estudos com populações pequenas relatam este achado.

 

        Pois bem, uma revisão sistemática de vários destes estudos foi realizada para esclarecer melhor esta evidência que pode ajudar ainda mais a mulher a decidir pelo seu método anticoncepcional. Nesta revisão foram incluídos 40 estudos e os resultados são animadores. 13 estudos rigorosamente selecionados mostraram que a LT reduz o risco de câncer epitelial do ovário em 34%. Mesmo mulheres que se submeteram a LT num período de 10 a 14 anos apresentavam esta proteção contra o câncer de ovário. Quanto aos outros tipos de tumor maligno ovariano, a proteção só não foi observada para um deles: o mucinoso.

 

       

         Uma das explicações para tal resultado pode estar no bloqueio da passagem de células endometriais, ou seja, de dentro da cavidade uterina, para os ovários favorecendo o surgimento do câncer. Já se atribuía o mesmo mecanismo para a passagem de outras substâncias cancerígenas, tais como o talco ou os agentes infecciosos, a partir da vagina e do meio ambiente.

 

      

         Ótima notícia para as mulheres que ainda assim tem que conhecer as demais vantagens e desvantagens da laqueadura tubária, já a exemplo de que todos os métodos contraceptivos ela vai bem para algumas mulheres, mas não para outras. E não pode ser, como muitas vezes é, a solução da mulher para um marido despreocupado e desinteressado em participar deste tipo de decisão (Cibula, Widschwendter & Dusek. Laqueadura tubária e do risco de câncer de ovário: revisão e meta-análise Human Reproduction Update, 2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h05

27/09/2010

Mulheres sofrem mais com o estresse pós-traumático

 As mulheres sofrem com o transtorno do estresse pós-traumático. Um estudo dinamarquês, no entanto, revela quanto isso é mais frequente para elas e também para eles

 Você conhece o transtorno do estresse pós-traumático?.   Clique   aqui para   votar 

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       O transtorno de estresse pós-traumático é perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento fortemente ameaçador ao próprio paciente. A pessoa revive o fato ameaçador e pode apresentar diversos sintomas, tais como angústia, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, respostas exageradas a estímulos normais ou banais. Este estudo realizado na Dinamarca objetivou analisar o efeito combinado do sexo e da idade sobre estresse pós-traumático (TEPT), a fim de descrever uma possível diferença de gênero na distribuição do tempo de vida do TEPT. Participaram mais de 6.500 pessoas, sendo quase 60% de mulheres. Um questionário mediu a prevalência do transtorno.

 

       

        Quanto aos resultados, cerca de 21,0% dos entrevistados sofriam de TEPT, sendo 13% em homens e 27.0% em mulheres. Um dado muito interessante é que homens e mulheres diferem na distribuição do problema ao longo da vida. A maior prevalência do transtorno foi visto no início dos anos 40, para os homens e, no início dos anos 50, para as mulheres. Para ambos os sexos, a menor prevalência foi no início dos anos 70. Ainda em termos de comparação entre os gêneros: em algumas faixas etárias, a freqüência do problema na relação mulher/homem era quase 3 para 1. E a maior proporção do sexo feminino para masculino foi encontrada para 21-25 anos de idade.

 

       

         Fica claro que existem diferenças entre mulheres e homens na apresentação do problema, que podem estar relacionadas tanto aos aspectos biológicos como sociais. A explicação neurobiológica para a maior prevalência do transtorno, na faixa dos 51 a 55 anos de idade, em mulheres pode estar nas flutuações dos hormônios reprodutivos que influenciam a reatividade do sistema nervoso simpático. 

 

         Mas, obviamente, existem muitos outros determinantes não biológicos que precisam ser compreendidas e analisadas conjuntamente. Mas é curioso perceber que os picos do transtorno diferem entre os dois grupos: homens mais vulneráveis na faixa etária de 41-45 anos, enquanto que, as mulheres são mais vulneráveis entre 51 a 55 anos. Ou seja, uma década depois. Como a expectativa de vida de homens e de mulheres já atinge 76 e 82 anos, respectivamente, este assunto passa a ser importantíssimo. Em particular paras as mulheres.

 

     

         Porque melhor do que viver longamente é viver, longamente, e bem  (Ditlevsen & Elklit. The combined effect of gender and age on post traumatic stress disorder: do men and women show differences in the lifespan distribution of the disorder? Annals of General Psychiatry 2010, 9:32)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h18

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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