Blog do Dr. Alexandre Faisal

08/10/2010

Vaginismo e ansiedade estão muito associados

    Vaginismo é um sério problema para algumas mulheres que não conseguem ter vida sexual satisfatória. Um estudo americano mostra o papel da ansiedade nestes casos

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         Vaginismo é um problema muito sério para algumas mulheres, que ficam impossibilitadas de terem vida sexual ativa e plena. Nesta disfunção sexual, contrações involuntárias das pernas, quadril e musculatura da região genital impedem a penetração e o ato sexual. Muitas pesquisas mostram que a ansiedade desempenha um papel importante nos sintomas de vaginismo. Um estudo recente comprova esta afirmação.

        Os autores compararam as respostas de 244 mulheres com vaginismo com um grupo controle de 101 mulheres, por meio de um questionário online. O objetivo era determinar o grau de auto-percepção de ansiedade generalizada em mulheres com vaginismo, e determinar se a ansiedade é uma conseqüência da doença ou fator predisponente.

         Para isso eles estudaram características de personalidade, história de transtornos de ansiedade, e a percepção de sintomas pelas participantes. O resultado é que as mulheres com vaginismo apresentaram escores maiores nas medidas de traços de ansiedade, de neuroticismo, e menor tendência a extroversão do que as mulheres do grupo controle. Houve também uma tendência para uma maior prevalência de transtornos de ansiedade no grupo do vaginismo.

         Os níveis de ansiedade foram maiores em mulheres com vaginismo, especialmente quando elas se sentiam sem apoio dos seus parceiros ou se sentiam pressionadas pela cura. Resumo da história é que a propensão à ansiedade pode ser um fator predisponente para o vaginismo e o tratamento deve enfocar este aspecto crucial do problema. E é claro que os parceiros precisam saber disso já que como diz o ditado popular: "faça o amor, não faça a guerra".

(Watts G &  Nettle D. The role of anxiety in vaginismus: A case-control study. J Sex Med 2010;7:143–148)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h25

05/10/2010

Técnica não interefere com resultado estético da cesariana

   O resultado estético após a cesariana é uma das principais preocupações das mulheres e dos obstetras. Um estudo americano compara diferentes técnicas de fechamento da pele na cesariana e...

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        O Brasil é um dos países no mundo onde mais se realizam cesarianas. De certo modo, o procedimento, uma cirurgia com riscos inerentes e mesmo imprevisíveis, até se banalizou. A ponto de uma das maiores preocupações com a cesariana ser o resultado estético pós-cirurgia.  De fato, obstetras e gestantes se preocupam bastante com isso: o tamanho do corte, a altura e a cicatrização da pele estão entre essas preocupações.

        Mas é fato que algumas mulheres, principalmente as mais jovens podem se sentir inseguras com uma cicatriz feia e em alguns casos o local pode ficar sensível e dolorido. Sem julgar o mérito da questão, um estudo americano comparou a qualidade da cicatriz associada com diferentes tipos de métodos de fechamento da ferida após cesariana.

        Para isso, eles realizaram um ensaio randomizado onde as gestantes foram alocadas para diferentes tipos de sutura da pele. No total 4 técnicas, sendo que uma incluiu o uso de grampos cirúrgicos, menos usados por aqui. A qualidade da cicatriz foi avaliada 2 e 6 meses após a cesariana, sendo que o próprio paciente também participou da avaliação.

        Bem, das 180 pacientes que foram recrutados, 123 completaram com êxito o estudo. Não houve diferença na avaliação subjetiva e objetiva da cicatriz entre os grupos tanto aos dois como aos seis meses do pós-operatórioE a avaliação subjetiva da paciente e objetiva, a partir dos instrumentos de avaliação, se correlacionaram.

 

        A conclusão que vai alegrar as mulheres é que no final todas as técnicas tiveram bons resultados e as cicatrizes ficaram muito semelhantes do ponto de vista estético. Vai alegrar, mas não deve encorajar, já que cesariana está se tornando tão comum que parece que é, de fato, o parto natural.

 (Cromi et al. Cosmetic outcomes of various skin closure methods following cesarean delivery: a randomized trial. Am J Obstet Gynecol 2010;203:36.e1-8)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 21h07

03/10/2010

Massagem pode aliviar cólica menstrual

  Cólicas menstruais afetam a vida de muitas mulheres, principalmente jovens e de meia idade. Um estudo brasileiro testa a eficácia da massagem para alívio das dores nas menstruações

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         Cólica menstrual é grave problema na vida de algumas mulheres. Elas sofrem, são obrigadas a usarem e abusarem de medicamentos e não raro perdem dias de trabalho. Acomete até 90% das mulheres ao longo da vida, mas é mais freqüente em adolescentes e mulheres jovens. Em muitos casos não tem nenhum doença associada e é denominada dismenorréia primária.

 

          Para complicar, os tratamentos, em geral, antiinflamatórios ou pílulas anticoncepcionais, nem sempre funcionam. Nestes casos uma alternativa terapêutica é o uso de massagem. Um estudo brasileiro procurou avaliar a possível efetividade da massagem do tecido conjuntivo para o tratamento não medicamentoso da dismenorréia primária. Foram avaliadas setenta e duas mulheres jovens com cólica atendidas em Clínica Universitária. Estudantes de fisioterapia e fisioterapeutas receberam treinamento de 20 horas para aplicar a massagem. Todas as voluntárias receberam massagem do tecido conjuntivo lombar duas vezes por semana, no período intermenstrual durante os três ciclos menstruais após a admissão. Foram manipuladas as regiões sacral, lombar, última vértebra torácica e sub-costal.

 

          Como critérios foram analisados escores de dor, uso de medicamentos e ocorrência de outros sintomas sistêmicos antes durante e 2 meses após o tratamento. A boa notícia é que o escore de dor diminuiu significativamente após o primeiro mês de tratamento e a porcentagem de voluntárias que precisou de medicamentos para dor e que relatou sintomas sistêmicos diminuiu com o tempo de tratamento.

 

       O problema é que os autores da pesquisa não sabem se esta melhora pode ser atribuída a um eventual efeito placebo. Mas aparentemente a massagem do tecido conjuntivo causou uma redução da dor menstrual, que precisa ser confirmada por novos estudos. Ahn: quem sabe no futuro a massagem ficará tão popular quanto Buscopan, Ponstan, Atroveran.

 

(Reis et al.  Efetividade da massagem do tecido conjuntivo no tratamento da dismenorréia primária em mulheres jovens. Rev. Bras. Saude Mater. Infant.10(2): 2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 18h46

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico