Blog do Dr. Alexandre Faisal

15/10/2010

Reter 3 kg logo após o parto é comum

   Gestantes são um grupo particularmente vulnerável à obesidade, após o parto. Um estudo brasileiro como (e quanto) a mulher retêm peso após o nascimento do bebê

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Muitas vezes nos já comentamos e discutimos o problema da obesidade em termos de saúde pública em diversos países. Um aspecto crucial desta questão é identificar os grupos populacionais mais susceptíveis, bem como as estratégias adequadas para a prevenção do ganho de peso excessivo. Mulheres, principalmente durante a gestação, se encaixam perfeitamente neste perfil.

 

Diversos estudos revelam que as mulheres tornam-se obesas durante ou após a gravidez e parto. Um estudo nacional procurou investigar os fatores associados à retenção de peso após o parto. Para isso, foram avaliadas 104 mulheres, no primeiro trimestre da gravidez, recrutadas em serviço público no município do Rio de Janeiro, e que foram acompanhadas até 55 dias pós-parto. Vamos aos resultados: a média de peso retido foi 3,2 kg.

 

Estudando a relação entre o ganho de peso na gravidez e a retenção de peso no pós-parto, os autores observaram a existência de diferentes padrões de ganho ponderal: as mulheres com ganho de peso gestacional excessivo na gravidez retiveram 5,0 kg, em comparação a 3,6 kg em mulheres com ganho de peso adequado. Houve ainda um terceiro grupo: mulheres com ganho de peso insuficiente na gestação. Neste caso elas retiveram 1,4 kg após o parto. Tanto o ganho ponderal na gestação quanto o IMC, Índice de Massa Corporal, pré-gestacional, mantiveram associação significativa com a retenção de peso após o parto.

 

Dois cálculos são bem interessantes: um, é que para cada quilo de peso ganho na gestação, quase 50% ficou retidos no pós-parto; o segundo é cada 1,0 kg/m2 a menos no IMC pré-gestacional correspondeu a uma retenção de aproximadamente 150g.

Pelo jeito nos vamos ver mais gestantes fazendo cálculos matemáticos. Mas não adianta fazer conta de chegar já que os resultados não deixam dúvidas. Se (a gestante) não quiser ficar obesa ou com sobrepeso após o parto é fundamental estar em forma antes de engravidar e controlar os desejos, ou melhor, a fome, durante a gravidez.

 

(Rebelo et al. Fatores associados à retenção de peso pós-parto em uma coorte de mulheres, 2005-2007 Rev Bras Saude Mater Infant. 10(2):219-227, 2010 )

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h36

11/10/2010

Prisão de ventre: mulheres sofrem mais que os homens

   Constipação intestinal, mais conhecida como prisão de ventre, atrapalha a vida de muita gente. Um estudo brasileiro mostra se as mulheres sofrem mais com ela do que os homens

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        Pode parecer um problema banal e sem importância, mas na verdade constipação intestinal é um problemão. Dados americanos indicam que ela é a queixa digestiva mais comum na população geral, sendo responsável por cerca de 2,5 milhões de visitas médicas, pelo gasto de vários milhões de dólares com laxantes e, indiretamente, por 92 mil hospitalizações anualmente. Isso sem contar que a constipação propriamente dita pode ser um sintoma inicial de doenças graves, como por exemplo, o câncer do cólon e do reto que é o quinto câncer mais freqüente entre os homens e o quarto entre as mulheres no Brasil.

 

        Um estudo brasileiro realizado em Pelotas, RGS, procurou, ineditamente, estimar a prevalência de constipação intestinal e fatores associados entre adultos de 20 anos ou mais. Constipação intestinal foi definida de acordo com o consenso prévio que incluía seis critérios: esforço ao evacuar, fezes endurecidas ou fragmentadas, sensação de evacuação incompleta, sensação de obstrução ou bloqueio anorretal, manobras manuais para facilitar as evacuações e menos de três evacuações por semana. A presença de dois ou mais desses critérios nos últimos seis meses caracterizou a presença de constipação intestinal.

 

        Na pesquisa os indivíduos foram orientados para que respondessem às perguntas sobre o funcionamento intestinal natural, ou seja, sem o uso de laxantes, chás ou qualquer outro tipo de ajuda. Quanto aos resultados a prevalência de constipação intestinal encontrada foi de quase 27%. As mulheres apresentaram 2,5 vezes mais constipação que os homens, ou seja, 37% para as mulheres contra 14% para os homens.

 

        E isso tem explicação ou, melhor dizendo, explicações que incluem as alterações hormonais próprias do sexo feminino, já que o aumento dos níveis de estrogêno durante parte do ciclo menstrual se associa a um tempo de trânsito intestinal mais prolongado. Outro fator importante diz respeito às diferenças comportamentais entre os sexos. Desde a infância, o cuidado por parte das meninas em utilizar banheiros desconhecidos pode contribuir para que estas se tornem mais propensas a ignorar o reflexo evacuatório normal. Até mesmo histórias de abuso sexual, físico e emocional, mais freqüentes no sexo feminino, podem estar envolvidas em alguns distúrbios funcionais do sistema digestivo.

 

       Um fato curioso é que ao contrário dos homens, quanto maior a idade menor a presença de obstipação. Para as mulheres, o envelhecimento parece exercer uma proteção contra a obstipação, mostrando que nem tudo piora com o passar dos anos. E que algumas pressões até desaparecem.

 

(Collete et al. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007. Cad. Saúde Pública 26(7),2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h09

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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