Blog do Dr. Alexandre Faisal

21/10/2010

Quando engravidar após abortamento?

  Abortamento espontâneo ocorre em cerca de 15% das gestações e muitas mulheres não sabem quando podem tentar engravidar novamente. Um estudo americano tem a resposta

  Após quanto tempo de um abortamento espontâneo, você tentaria nova gravidez ?  Clique aqui para votar 

   Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

 

 

  

        Uma em cada 6 gestações resulta em abortamento espontâneo, a perda do bebe nos primeiros meses da gravidez. Muitas mulheres sofrem com isso e, ao mesmo tempo, que desejam tentar engravidar novamente, tem dúvidas sobre quanto isso deve ocorrer. E elas não estão sozinhas, pois os médicos também não têm certeza dessa resposta e, frequentemente, ficam angustiados com este tipo de recomendação.

 

        Mas vem aí uma boa notícia para ambos. Uma pesquisa realizada na Escócia procurou determinar o melhor intervalo entre o primeiro abortamento e a nova gravidez, utilizando dados retrospectivos de mais de 30 mil mulheres que tiveram um aborto espontâneo, por ocasião da primeira gestação e que, posteriormente, ficaram grávidas. E o principal resultado do estudo é que um intervalo menor do que 6 meses é o mais adequado. Isso mesmo, mulheres que engravidaram novamente em até 6 meses tiveram menos risco de novo abortamento e gravidez ectópica. Mais ainda, mulheres que engravidaram após intervalo entre seis e doze meses tiveram mais risco de terem bebe prematuro e de baixo peso ou de virem a ter uma cesariana. Os resultados vão na contramão de algumas evidências prévias e até mesmo de orientações da WHO que até então sugeria nestes casos um prazo mínimo de 6 meses para nova tentativa de gestação.

 

        Vale destacar, no entanto, que estes resultados se aplicam apenas às mulheres que abortaram previamente. Em se tratando de mulheres que tiveram seus bebes, ou seja, tiveram um parto normal ou uma cesariana, a história é totalmente diferente. E como problema do abortamento é freqüente e as mulheres estão deixando as gestações para mais tarde essa questão é importantíssima. Basta imaginar a situação da mulher que engravida por volta dos 33 anos e é surpreendida com um abortamento espontâneo. Uma recomendação para que ela espere 2 anos ou mais para nova tentativa pode soar como ameaça ao desejo de vir a ser mãe. Propor espera menor do que 6 meses, pelo contrário, pode causar um enorme alívio.

      

         E alívio é fundamental nesta hora. Alívio para as mulheres, mas também para os obstetras.

(Love et al. Effect of interpregnancy interval on outcomes of pregnancy after miscarriage: retrospective analysis of hospital statistics in Scotland.BMJ 2010)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h07

17/10/2010

Impacto da mastectomia profilática na sexualidade

   A retirada profilática das mama é uma opção de tratamento para mulheres com alto risco de desenvolverem o câncer mamário. Um estudo sueco mostra com as mulheres se sentem 2 anos após a cirurgia

  Você faria a retirada preventiva das mamas?  Clique aqui para votar 

   Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

 

 

 

 

       A mastectomia profilática ou retirada das mamas em mulheres com alto risco genético de desenvolverem cã de mama é uma opção de tratamento para este grupo de mulheres. A idéia é enfrentar antes uma cirurgia e suas consequências imediatas para não lamentar o surgimento do câncer mamário.

 

       Embora isso faça sentido, a questão é mais complexa já que existe a possibilidade de arrependimento. Pois bem um estudo sueco seguiu 59 mulheres que foram submetidas à retirada das mamas preventivamente já que tinham alterações nos genes BRCA 1 e BRCA2, o que lhes conferia risco maior para o aparecimento do câncer da mama. Ao final do estudo, dois anos após a cirurgia elas foram avaliadas por meio de diversos parâmetros.

 

       E os resultados surpreendem: 70% delas referiam dor ou desconforto no local da cirurgia e cerca de 80% referiam algum prejuízo na função sexual, quer pela perda ou diminuição do interesse na prática sexual, quer pelo impacto negativo da cirurgia na sexualidade. Mas curiosamente este prejuízo da função sexual não foi decorrente da dor no local, mas sim da importância que as mamas têm no exercício pleno da sexualidade. Se até ai as coisas não parecem tão boas, elas mudam completamente quanto o assunto é qualidade de vida e arrependimento após a cirurgia. Ambos os parâmetros não foram afetados pela cirurgia e, dois anos após, grande parte das mulheres não se dizia arrependida. Isso tudo sugerindo que o alívio em não vir a ter câncer mamário supera as complicações e sintomas frequentes da mastectoma profilática.

 

      Mostrando que se as mulheres consideram o câncer de mama uma coisa séria e preocupante, ao mesmo tempo, elas têm a coragem de enfrentá-lo. Afinal quem é mesmo o sexo frágil?

 

(Gahma et al. Bilateral prophylactic mastectomy in women with inherited risk of breast cancer e Prevalence of pain and discomfort, impact on sexuality, quality of life and feelings of regret two years after surgery. Breast 2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h49

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico