Blog do Dr. Alexandre Faisal

19/11/2010

Diferenças na atividade sexual entre homens e mulheres

Existem diversos fatores que influenciam a atividade sexual. Entender se homens e mulheres diferem neste aspecto é                              tema de uma pesquisa americana recente 

Você acha que a auto-avaliação do estado de saúde interfere na vida sexual? Comente

Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

                                              

                                                              

  

 

        Você já ouviu aquela história de homens e mulheres fazem sexo por motivos diferentes? . E que para ter sexo é importante estar se sentindo bem de saúde? Pois bem, se você já ouviu, disse ou acredita nessas afirmações, um estudo americano vai colocar um ponto de interrogação nas suas convicções. Os autores do estudo procuraram avaliar os fatores que influenciam a freqüência de relações sexuais em homens e mulheres adultos jovens e de meia idade nos Estados Unidos e qual a relação desta medida com a auto-percepção de saúde.

         Para isso, eles estudaram mais de 2400 homens e mais de 5 mil mulheres, todos com idades entre 25 e 45 anos. O principal resultado é que homens e mulheres referiam uma média de relações sexuais mensais de 5.7 e 6.4, respectivamente. Ser casado se associava a maior número de relações apenas para as mulheres, mas não modificavam o número de relações para os homens. Para eles, os fatores que se associaram com maior número de relações sexuais foram: ser mais alto, ser mais jovem e ter atingido apenas o equivalente ao nosso fim do colegial. Pra ambos, homens ou mulheres, a gravidez era importante marcador da menor freqüência de atividade sexual.

       A conclusão dos pesquisadores é que entre os jovens adultos do sexo masculino, a frequência coital é associado com características socioeconômicas, demográficas e antropomórficas, o que já não ocorre para as mulheres. Neste caso, fazer sexo realmente pode ser impulsionado por questões diversas entre homens e mulheres.

        Mas o dado mais surpreendente foi a observação que auto-avaliação da própria saúde não é fator preditivo da atividade sexual nessa faixa etária, ou seja, ter melhor auto-avaliação de saúde não significa mais sexo. Assim, quem anda se sentindo meio mal de saúde pode enfim dizer; “doentinho sim, mas fazendo sexo”

(Eisenberg M, Shindel AW, Smith JF, Breyer BN, and Lipshultz LI. Socioeconomic, anthropomorphic, and demographic predictors of adult sexual activity in the United States: Data from the national survey of family growth. J Sex Med 2010;7:50–58.)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h16

16/11/2010

Sentir-se "para baixo" causa dor

   Humor deprimido e dor crônica, problemas comuns em mulheres, ocorrem simultaneamente. Um estudo inglês esclarece essa associação, o que pode vir a ser útil nos futuros tratamentos da dor

  Você acha que sentir-se triste pode causar ou agravar a intensidade da dor?  Comente 

   Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

 

       Uma pesquisa inglesa faz uma revelação incrível sobre a sensação da dor: humor deprimido e dor crônica ocorrem simultaneamente. Ou seja, em se tratando de dor, nem tudo está só na cabeça, nem tudo está só no corpo. Na verdade, a associação entre depressão e dor era admitida, mas os mecanismos fisiopatológicos para isso não eram bem conhecidos

 

        Neste estudo 20 pacientes sem dor foram induzidos a experiências emocionais neutras ou de tristeza e foram monitorados clinicamente, por meio de questionários e radiologicamente, por meio de ressonância magnética funcional cerebral. Este método possibilitou analisar imagens cerebrais dos voluntários quando estavam se sentindo pra baixo.

 
        Os resultados revelaram que a indução de humor deprimido afeta parte da integridade do circuito neural que controla e regula a emoção, causando uma maior percepção da dor. Em outras palavras, quando as pessoas saudáveis foram induzidas a sentimentos de tristeza, por meio de pensamentos negativos ou de uma música triste, observou-se que os cérebros dos participantes processavam a dor mais emocionalmente, o que os levava a sentir dor de modo mais desagradável.
 
        Os autores especulam que estar em um estado de espírito triste e sentindo-se meio “down” atrapalha a capacidade de regular as emoções negativas associadas com a sensação de dor. Desse modo, a d
or passa a ter maior impacto. Em vez de ser meramente uma conseqüência da dor, o humor depressivo pode causar ou agravar a dor

 

       A pesquisa abre as portas para o desenvolvimento de novas drogas para combater a dor, nos portadoras de dor crônica e em deprimidos. Para as mulheres, mais vulneráveis aos dois problemas é uma excelente perspectiva. Mas vale destacar também que nós estamos falando de milhões de pessoas que quando não estão tristes, tem dor, ou vice-versa. Ou, como mostra a pesquisa, apresentam as duas coisas ao mesmo tempo. E assim deixam de aproveitar a vida sorrindo e sem dor

 

(Berna et al,. 2010. Induction of Depressed Mood Disrupts Emotion Regulation Neurocircuitry and Enhances Pain Unpleasantness”. Biological Psychiatry).

 

Escrito por Interação às 10h16

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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