Blog do Dr. Alexandre Faisal

23/11/2010

Condescendência com atividade sexual dos adolescentes varia entre países

    Muitas pesquisas sobre sexualidade feminina incluem apenas mulheres adultas. Uma revisão recente mostra alguns aspectos da vida sexual (e dos problemas sexuais) de adolescentes

   Você acha que adolescentes tem mais problemas sexuais que adultos?  Clique aqui para votar 

    Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

  

         Vários estudos abordam a importante questão das disfunções sexuais femininas. Mas nem sempre incluem adolescentes. Por exemplo, embora muitos artigos mencionem que cerca de 40% das mulheres adultas tem alguma disfunção sexual, este número não é tão claro quando se trata das teen-agers. Até porque muitas pesquisas na área incluem apenas mulheres com mais de 18 anos.

          Uma revisão recente procura preencher esta lacuna. Os autores observam que embora mais da metade dos adolescentes sejam sexualmente ativos, a classificação de disfunção sexual nem sempre é bem aceita por pesquisadores e público leigo. Em geral, ela é definida como um dos seguintes grupos: falta de desejo sexual, dor durante a relação sexual  ou dispareunia, a anorgasmia e a falta de excitação sexual. As causas incluem problemas de saúde, problemas ginecológicos, que começam, em alguns casos, na adolescência, doenças psiquiátricas, e as complicações de medicamentos como, por exemplo, antidepressivos. Raramente são causadas por mal-formações genitais.

        Os pesquisadores, felizmente, recomendam psicoterapia quando os fatores psicológicos são importantes causadores das disfunções. Elas alertam quanto ao uso de drogas ilícitas e doenças sexualmente transmissíveis que podem ser comuns nesta época da vida. E concluem afirmando que, até o momento, nenhum medicamento é aprovado pelo Food Drug Adminstration, o FDA, dos Estados Unidos, para tratamento da disfunção sexual nas mulheres, nem nas adultas, nem nas adolescentes. Embora o artigo esclareça pouco sobre as dificuldades sexuais em adolescentes, ele contribui para o debate uma vez que enfatiza que o comportamento sexual é profundamente influenciado por normas sociais e pela cultura, e não só pelas questões biológicas.

           E para citar um dado impressionante eles mostram que a atitude condescendente com o início da vida sexual oscila em diferentes países, variando de 16 a 18 anos, na Europa e Estados Unidos, 13 na Espanha, a 7 em alguns países africanos. É isso mesmo, 7 anos, em países da África; o que deve causar na maioria das pessoas uma incrível sensação de mal-estar. Porque se tratar jovens adultos como eternos adolescentes é ruim, tratar uma criança como adulto é mais do que péssimo. É deprimente.

 (Greydanus DE, Matytsina L Female sexual dysfunction and adolescents. Current Opinion in Obstetrics and Gynecology 22:375-380, 2010) 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h19

22/11/2010

Qual dieta é melhor para perder peso?

   As mulheres (e os homens também) querem saber se existe uma dieta ideal. Um estudo americano avalia qual dieta é melhor para a perda de peso: a dieta pobre em carboidratos ou em gorduras?.

  Na sua opinião, qual é o aspecto mais importante para perder peso? Clique aqui para votar 

   Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra 

 

 

         Sonho de consumo de muitas mulheres, e de homens também, embora nem sempre eles confessem, a dieta ideal que promova perda de peso é um tema polêmico e controverso. Pois bem, um estudo americano objetivou avaliar o efeito, após 2 anos, de dois tipos de dietas: uma com pouco carboidratos e outra com baixo nível de gordura. Ambas as dietas foram associados a vasto programa de mudanças no estilo de vida para otimizar o resultado da intervenção, já que estudos anteriores que confiaram apenas no poder das dietas apresentaram resultados aquém do esperado.

 

        No total, três centros médicos acadêmicos incluíram mais de 300 participantes cuja idade média era de  45 anos e o índice de massa corporal era de 36,1. Ou seja, indivíduos bem gordinhos. A dieta baixa em carboidratos  consistia em limitar a ingestão de carboidratos a 20 g/dia durante 3 meses, na forma de vegetais com baixo índice glicêmico. Neste grupo o consumo de gorduras e proteínas era ilimitado. Depois de três meses, os participantes do grupo da dieta restrita em carboidratos aumentavam a ingestão de carboidrato até a obtenção de peso estável e desejado. A dieta pobre em gordura consistia de dieta limitada entre 1200 e1800 calorias por dia, sendo que no máximo 30% destas calorias eram provenientes de gorduras.

 

      Quanto aos resultados, a perda de peso foi de aproximadamente 11 kg, com 1 ano e 7 kg, em dois anos. Não foram observadas diferenças no peso, composição corporal, ou na densidade mineral óssea entre os grupos ao longo do estudo.  Durante os primeiros seis meses, o grupo da dieta pobre em carboidratos teve maiores reduções na pressão arterial diastólica, nos triglicérides, mas apresentaram mais sintomas adversos do que o grupo com dieta pobre em gordura. O grupo de dieta pobre em carboidratos teve maior aumento no HDL, o colesterol protetor do acidente cardiovascular;  um aumento estimado de 23% em 2 anos.

 

       No entanto, os autores fazem uma ressalva quanto aos promissores resultados: o estudo não incluiu pacientes com diabetes e dislipidemia, ou seja, alterações inatas do nível de colesterol, que seriam muito beneficiados por este tipo de intervenção. Isso sem contar que o programa de mudança de estilo foi muito intenso nos dois grupos.

 

        No final das contas, a conclusão é que a perda de peso, em até 2 anos, pode ser alcançada com uma dieta com baixo teor de gordura ou com dieta pobre em carboidratos quando combinada com tratamento comportamental. Mas muitos ouvintes podem estar dizendo: assim eu já sabia.

 

(Foster GD, Wyatt HR, Hill JO, et al. Weight and metabolic outcomes after 2 years on a low-carbohydrate versus low-fat diet: a randomized trial. Ann Intern Med. 2010;153(3):147-57)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h34

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico