Blog do Dr. Alexandre Faisal

02/12/2010

Pílula do dia seguinte: 50% dos universitários já usaram

  A pílula do dia seguinte é indicada em situações de emergência. Mas um estudo brasileiro mostra que jovens universitários estão "inovando" 

   Você já usou a pílula do dia seguinte alguma vez?  Clique aqui para votar 

    Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

    

 

 

        A anticoncepção de emergência, ou pílula do dia seguinte, como é popularmente conhecida, é indicada somente em casos de emergência e não como método anticoncepcional de uso rotineiro. Ela é indicada em diversas situações: na ocorrência de violência sexual, na rutura acidental de preservativo ou diafragma, na expulsão do DIU, quando há falhas na ingestão das pílulas anticoncepcionais, etc, etc. O uso do método deve ocorrer até 72 horas do ato sexual suspeito e sua eficácia é discutível se for usada rotineiramente. Mas será que é isso que os jovens estão fazendo?. Um estudo nacional investigou as práticas contraceptivas de 487 jovens estudantes de uma universidade pública paulista, por meio de questionário enviado pela internet.

 

         Os resultados mostram que os jovens referiram altas proporções de uso de métodos, principalmente o preservativo masculino e a pílula. A anticoncepção de emergência já havia sido utilizada por metade dos estudantes, muitas vezes, concomitantemente a métodos de alta eficácia. Entre as mulheres, houve associação do uso da anticoncepção de emergência com a idade, idade de início da vida sexual, ter deixado de usar preservativo masculino em alguma relação sexual, ter vivenciado rutura acidental do preservativo masculino e conhecer alguém que já a tinha utilizado a pílula do dia seguinte.

 

       Um dado chama a atenção: aproximadamente metade dos jovens que já havia utilizado a anticoncepção de emergência repetiu o uso dessa medicação por mais de uma vez. Assim, a anticoncepção de emergência não representa apenas um marcador de inconsistência no uso de anticoncepção, mas também um recurso adicional para postergar um evento que poderia comprometer projetos de vida. Ou seja, a opção pela anticoncepção de emergência mostrou-se mais relacionada a inconsistências no uso de métodos regulares, do que ao não uso propriamente dito. Como diriam os próprios jovens, eles vacilam e pelo jeito compensam "o vacilo" usando a pílula do dia seguinte para garantir. Neste sentido, o resultado não diferencia muito essas jovens de universidade privada das jovens mais carentes que estudam, por exemplo, no serviço público.

 

        Dito de outro modo, apesar do melhor nível sócio-econômico, elas também correm riscos. Alguns pais devem estar pensando: além das crianças e adolescentes, adultos jovens também são todos iguais, só mudam de endereço.

 

(Borges et al. Práticas contraceptivas entre jovens universitários: o uso da anticoncepção de emergência. Cad. Saúde Pública 26(4); 2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h02

29/11/2010

1 em cada 5 gestantes brasileiras apresenta sintomas depressivos

  Depressão na gravidez é um sério problema para a mãe e para o bebê que vai nascer. Um estudo brasileiro mostra qual a frequência e fatores associados à depressão na gestação

   Na sua opinião, qual o principal fator desencadeador da depressão na gravidez?  Clique aqui para votar 

    Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

  

 

   

 

        A gravidez é um período delicado na vida da mulher que acarreta enormes mudanças físicas, sociais e psicológicas. A maioria das mulheres passa bem por esta fase, mas ainda assim um número significativo delas pode-se deprimir. E, infelizmente, nem sempre recebem o diagnóstico e tratamento adequados.

 

        Pois bem, um estudo nacional procurou estimar a prevalência de depressão, bem como os fatores clínicos e as características demográficas associados, em grávidas atendidas por meio do sistema público de saúde da cidade de Pelotas. No total foram rastreadas mais de e 1.200 mulheres grávidas com idade de 12 a 46 anos, sendo que dentre as participantes cerca 21% apresentaram episodio depressivo durante a gravidez.

 

        Outros dados significativos foram que a presença de depressão foi associada com ter mais idade, menor grau educacional, não morar com companheiro, ter tido outra gestação previamente, ter pensado em interromper a gravidez por meio de aborto, ter feito tratamento psicológico ou psiquiátrico, consumir tabaco e/ou álcool durante a gravidez e ter sofrido algum evento estressor. Um dado inesperado e de difícil explicação da pesquisa é que planejar a gravidez também se associou com depressão.

 

        No geral, o estudo brasileiro confirma dados de pesquisas internacionais e mesmo de pesquisas nacionais anteriores, inclusive pesquisas nossas, que mostram mescla de fatores psico-sociais e biológicos contribuindo para a depressão na gravidez. Que ao contrário do que muitos querem acreditar não é assim tão rara. Pelo contrário, já que como demonstra o estudo uma em cada 5 gestantes apresentou o problema. Na verdade, trata-se de um problema delicado que vai contra as usuais idealizações acerca da gravidez feliz e perfeita.

 

        Está mais do que na hora de enxergamos como algumas grávidas se sentem e não como nos imaginamos que elas devem se sentir  

 

(Silva et al. Depressão durante a gravidez no sistema público de saúde brasileiro Revista Brasileira de Psiquiatria, 2010)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h06

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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