Blog do Dr. Alexandre Faisal

09/12/2010

Balanço de final de ano (e década) da saúde feminina

  Um balanço (positivo) dos indicadores de saúde feminina mostra que as mulheres brasileiras estão melhores hoje do que em anos passsados. Veja uma pequena lista de avanços

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       Fim de ano é época propícia para balanços. É uma oportunidade de avaliarmos o que fizemos e o que deixamos de fazer no ano que termina.  Por que então não fazermos o mesmo para o domínio da saúde feminina. É isso aí. Uma  análise cuidadosa nos avanços conquistados para e pelas mulheres.  Uma lista que, ao mesmo tempo, nos faz celebrar, pelo que foi feito, e sonhar, pelo que ainda está por vir. Uma lista pequena, mas com itens variados que mostram como as mulheres andaram para frente nos últimos anos. Então vamos lá.

1.     As mulheres estão amamentando mais seus bebês. Em 1999, 35.5% dos bebês de até 4 meses eram amamentados, exclusivamente, no peito. Em 2008, este número subiu para  51.2%. Um aumento de 43%.

2.    Mas elas, as mulheres, estão tendo cada vez mais, menos filhos. A taxa de fertilidade, ou seja, número de filhos por mulher caiu novamente, como já vinha acontecendo. Era de 4.4 filhos, em 1980 e passou para 2.9, em 1981. Agora está em 1.8.

3.    O uso de contraceptivos se expandiu em mulheres de todos os extratos econômicos, das mais pobres às mais ricas. Por exemplo, nas mulheres mais pobres, ele variou de 55.8% , em 1996, para 82.7%, em 2006-2007.

4.    Realizar pelo menos 4 consultas de pré-natal, caminho seguro para a gestação e parto, atinge mais de 92% das gestantes do país.

5.    E ter um parto seguro, com assistência obstétrica adequada está chegando perto dos 100%.

6.    A escolaridade das mulheres brasileiras também melhorou. Para citar um exemplo, no extrato mais pobre da população, a porcentagem de  mulheres com pelo menos 8 anos de educação passou de 5.6%, na década de 90 para 29.4%, nesta década.

       Gostou?. Claro que sim, já que todos brasileiros, homens ou mulheres, almejam melhores indicadores de saúde. A explicação    possivelmente está no desenvolvimento econômico moderado, mas sustentável, do Brasil nos últimos 10 anos, que foi, felizmente, acompanhado de diversas práticas e políticas públicas de saúde. Práticas que vem dando certo. A tal ponto que o Brasil está próximo de cumprir algumas das (duras) metas do Millennium Development Goals (MDG), definidas e acordadas, por diversos países para o ano de 2015. Metas que incluem a redução da mortalidade infantil, materna e erradicação da miséria, entre outras. É. Nada como terminar o ano com a convicção de que Papai Noel trouxe uns presentões

 

  

  

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h54

07/12/2010

Discriminalizar o uso de drogas: você é contra ou a favor?

    O tema á atualíssimo para os brasileiros: o combate ao comércio ilegal de drogas, problema que afeta, direta ou indiretamente, às mulheres. Um editorial do British Medical Journal esquenta o debate sobre a discriminalização

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        Um editorial recente do famoso periódico BMJ vai esquentar o debate sobre as políticas de combate ás drogas. Um problema mais freqüente entre os homens, mas que atinge, direta ou indiretamente, as mulheres, muitas vezes mães e esposas de usuários ou traficantes. O fato é que existências muitas evidências de que as políticas atuais, repressivas, não têm dado o resultado esperado e, apesar de toda legislação e atuação policial, o comércio das drogas não diminui. Pelo contrário ele vem crescendo.

 

        Admite-se que o mercado ilegal das drogas movimente 261 bilhões de euros e nada indica que ele vai estagnar ou mesmo recuar, já que surgem, a todo instante, drogas cada vez mais puras e mais baratas. Por outro lado, especialistas em saúde pública citam medidas utilizadas em alguns países que são promissoras.

 

     Basicamente duas políticas que mudam o foco de atuação, trazendo o problema para o âmbito da saúde pública: a redução de danos e a descriminalização. A redução de danos surgiu em meados da década de 80 em função da epidemia de AIDS, em particular em usuários de drogas injetáveis. A idéia simples é controlar o uso e a troca de seringas entre eles, promovendo, senão, o fim do vício, pelo menos, menor risco de contrair HIV ou outras doenças. A prática já é utilizada em 93 países.

 

      A outra política é a descriminalização, cujo objetivo é essencialmente evitar tratar o usuário, nem sempre um usuário problemático, como marginal ou criminoso de alta periculosidade. Mas como implementar essas medidas?. O autor do editorial indica alguns caminhos que de fato ainda precisam ser testados. Este modelo regulador inclui a emissão de prescrição de receitas médicas, para certas drogas, em geral drogas pesadas, que deverão ser consumidas em determinados locais supervisionados; a liberação de pontos de venda e consumo, tais como os cafés holandeses, para drogas mais leves, como, por exemplo, a maconha; e até a venda sem licença e regulamentação mínima, para drogas de baixo risco. As atividades que não obedecem a estrutura regulatória continuariam, neste caso, sendo proibida.

 

       São medidas ousadas que, no entanto, como reconhece o autor, não enfrentam os problemas da desigualdade e do isolamento social que, via de regra, estão na raiz da droga adição. Mas podem vir a reduzir os danos associados ao consumo de drogas, diminuir comportamentos de risco e tornar os ambientes mais seguros. Com a palavra, você ouvinte

 

(Wood.  Evidence based policy for illicit drugs. BMJ 2010;340:c3374)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 20h16

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico