Blog do Dr. Alexandre Faisal

21/01/2011

Estresse crônico, mais do que agudo, prejudica fertilidade

     Infertilidade conjugal interfere na vida de até 15% dos casais. Um estudo americano avalia o papel do estresse agudo e crônico sob a função ovariana

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          Cerca de 10% dos casais não conseguem ter filhos e muitos deles optam por técnicas de fertilização assistida. E uma das preocupações dos profissionais desta especialidade é com a chamada reserva ovariana da mulher, ou seja, a capacidade do ovário responder à estimulação hormonal e/ou de produzir hormônios e óvulos adequadamente.

          O mais importante parâmetro hormonal nesta avaliação da reserva ovariana é o FSH (folículo estimulante). Sabe-se também que fatores ambientais e  biológicos podem influir na reserva ovariana, sendo que com o envelhecimento há um declínio natural e fisiológico. Mas será que os estresse psicosocial, agudo ou crônico, pode interferir na capacidade funcional ovariana?. Essa interessante questão foi o tema de um estudo americano, com 89 mulheres, com idade inferior a 42 anos, que freqüentavam clínica de infertilidade.

          Os autores da pesquisa procuraram avaliar simultaneamente as dosagens de FSH, nos primeiros dias do ciclo menstrual, e outros parâmetros biológicos e psicosociais. O estudo conclui que mais idade, história familiar de menopausa precoce,  a obesidade, estimada pelo IMC e estresse crônico se associam independentemente com menor reserva ovariana. O uso de drogas recreacionais e de álcool, bem como história de abuso , também se associaram com menor reserva ovariana. Por outro lado, estresse agudo, avaliado por meio da dosagem do cortisol e por meio de questionários sobre humor, não estava relacionado com essa redução.  O resultado tão interessante quanto  curioso aponta para um efeito negativo do estresse ao longo da vida, e não apenas num curto período de tempo, sobre a fertilidade da mulher.

         E os autores explicam que isso pode acontecer por conta da alteração conjunta de diferentes sistemas neuro-endócrinos. Mas eles mesmos ressaltam que é preciso ter cautela com os resultados, já que o ser humano é muito mais complexo do que parece. Alguém duvida? (Pal et al. Chronic psychosocial  stressors are detrimental to ovarian reserve: a study of infertile women. JPOG 2010;31:130-139).

        

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h20

16/01/2011

Mulheres hesitam em falar de sexo com seus médicos

     Mulheres na pós-menopausa podem ter dificuldades em falar de sexo com seus médicos e, eventualmente, podem não falar a verdade. Esta é a conclusão de um estudo australiano que tenta explicar como isso ocorre

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          Mulheres pós-menopáusicas, muitas vezes, hesitam em discutir suas atitudes sexuais e experiências sobre sexualidade com seus médicos. E, às vezes, mentem quando o assunto é sexo. Isso pode ser explicado por fatores socioculturais, étnicos e antecedentes médicos que intereferem na atitude sobre a menopausa e sobre as expectativas ligadas à sexualidade.

        Um estudo entrou fundo nesta questão tentando investigar a comunicação sobre sexo entre pacientes e médicos e sobre os fatores externos que limitam este diálogo. Mais de 2300 mulheres, com idades entre 45 e 64 anos foram entrevistadas, direta ou indiretamente, por meio de questionário, fornecendo dados sobre a atividade sexual e o impacto da mesma na qualidade de vida. Quanto aos resultados, os pesquisadores observaram que a porcentagem de mulheres que tiveram parceiro ocasional ou pouco convencional variou conforme o tipo de entrevista, sendo o dobro na entrevista anônima, na comparação com a entrevista médica. Outra diferença relevante é que na entrevista médica, apenas 15% das mulheres reconheceram que a sexualidade não era muito importante; muito diferente dos 40% relatados no questionário anônimo.

       A mensagem é clara, mulheres nesta faixa etária tem dificuldades para falar de sexo com seus médicos. Isso pode ser explicado pelas características das mulheres, do médico ou de ambos. E não falar pode ser ruim para as mulheres ou mesmo para a relação médico-paciente.

       Mas vale uma ressalva. Um dos poucos itens em que os métodos, por entrevista médica e questionário, foram concordantes foi sobre “a ausência de vida sexual atual”. Houve concordância entre os métodos e quase 90% das mulheres diziam estar sem atividade sexual no momento. Pelo jeito, quando se trata de sexo, é mais fácil falar o que não se faz do que o que se faz ocasionalmente ou escondido. (Castelo Branco-C, Palacios S, J Ferrer-Barriendos, Alberich X e O Grupo de Estudo Cervantes. Do Patients Lie? An Open Interview vs. a Blind Questionnaire on Sexuality.  Sex J Med 2010; 7:873-880).

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h52

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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