Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/02/2011

Vasectomizados se dizem mais felizes com suas parceiras

    A vasectomizada é um método muito interessante de contracepção para alguns casais. No entanto, homens e mulheres se preocupam com possíveis efeitos da vasectomia sobre a sexualidade. Um estudo australiano avalia esta questão e descobre algo muito curioso

    Você acha que homens vasectomizados são mais felizes nas suas relações amorosas?  Clique aqui para votar 

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          A resposta à seguinte questão vai interessar homens e mulheres. “Problemas sexuais são mais comuns em homens que se submeteram à vasectomia?”. Um estudo de base populacional australiano ajuda a esclarecer a questão. E ainda por cima ele avalia a vida sexual dos homens vasectomizados. Mas antes de matar sua curiosidade, vamos dar uma olhada nos detalhes do estudo que tem um ponto muito forte: trata-se de um estudo de base populacional, com muitos participantes.

          Quase 3400 homens responderam, por telefone, a uma entrevista sobre suas experiências sexuais, incluindo dificuldades, problemas, mas também grau de satisfação sexual. Ter tido um problema sexual, por pelo menos 1 mês, nos últimos 12 meses, e classificar a vida sexual, variando de muito ruim a muito boa, foram os desfechos mais importantes do estudo. Os homens também foram classificados em 2 grupos: os vasectomizados ou não. Cerca de 25% dos homens haviam realizado a vasectomia, sendo que dentre esses, 70% tinham entre 40 e 59 anos de idade.

          Bem, para quem está curioso (ou curiosa), o resultado mais importante é que a vasectomia não se associou com nenhum problema específico sexual, tal como falta de interesse em sexo ou demorar muito para atingir orgasmo. Embora 10% dos homens vasectomizados contra 8% dos não vasectomizados apresentassem mais dificuldade de manter uma ereção, esta diferença sumiu quando a idade e o nível socioeconômico foram controlados simultaneamente na análise.

         E a última boa notícia é que ambos os grupos se diziam muito satisfeitos sexualmente, mas os vasectomizados, na comparação com os não vasectomizados, se sentiam ainda mais felizes com suas parceiras. Que beleza. Agora, só falta mesmo eles criarem coragem. Porque como sabem bem as mulheres, se o assunto é vasectomia, quando eles dizem sim, eles querem dizer talvez e quando eles dizem talvez isso significa nunca.  (Smith et al . Are sexual problems more common in men who have had a vasectomy? A population-based study of Australian Men. J Sex Med 2010;7:736–742.)

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h07

15/02/2011

Reposição hormonal e falso positivo na mamografia?

   Um resultado "falso positivo" na mamografia causa grande impacto na vida da mulher. Um estudo dinamarquês procurou avaliar qual tipo de reposição hormonal se associa mais com o resultado "falso positivo" no rastreamento do câncer de mama  

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          As mulheres sabem bem da importância da mamografia como método de rastreamento e prevenção do câncer de mama. Mas elas sabem também que nem sempre o resultado é definitivo e não raro levanta mais dúvidas que certezas: é o famigerado falso +. Situações em que o exame sugere a existência de câncer, mas de fato não há malignidade. O que é um problemão, já que nestes casos, procedimentos adicionais, como realização de ultrassonografias e biópsias, são indicados. Mas será que existem grupos de mulheres mais sujeitas a este risco?.

          Pois bem, um estudo dinamarquês procurou avaliar se os erros de classificação da mamografia que são, em geral, mais comuns em usuárias da terapia hormonal (TRH), estão associados aos tipos de tratamento utilizado. Em outras palavras, se o risco de erros de classificação depende do tipo de hormônio, da administração e da dose da terapia hormonal. Os autores relacionaram dados de registros de mamografia com registros de prescrição de medicamentos hormonais, identificando mulheres que nunca usaram ou usaramm a TRH. E compararam os riscos de falso-positivos e as proporções de câncer entre os atuais usuários da reposição hormonal, segundo as diferentes preparações usadas. A idade das mulheres, a densidade mamária, o número de imagens e época da mamografia prévia foram levados em conta nesta análise.

          O resultado mais importante é que usuárias de terapia estrógeno apresentavam um risco significativamente maior de falso-positivo quando a administração foi feita por via injetável, em vez de via oral. Mulheres que usavam a terapia seqüencial estrógeno-progesterona também apresentaram risco significativamente maior de resultado falso-positivo, quando a administração dos hormônios foi por via transdérmica, ou seja, sobre a pele, em vez da via oral. Por outro lado, o uso da Tibolona na comparação com outros hormônios comparável se associou com risco menor, ainda que não significante, de resultados falso-positivos na mamografia. Neste caso, quase uma boa notícia. Mas a conclusão de que os diferentes tipos de reposição se associam com maior risco de falso-positivo na mamografia, serve pelo menos como um alerta para as mulheres que não podem ou não querem ficar sem a TRH.

          Claro que falso positivo não é câncer, mas assusta bastante. Mas algumas mulheres podem argumentar que viver bem, é, com ou sem reposição hormonal, sempre perigoso (Njor et al, 2010. Type of hormone therapy and risk of misclassification at mammography screening. Menopause)

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h36

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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