Blog do Dr. Alexandre Faisal

04/03/2011

Depilação total dos genitais femininos é comum?

    No carnaval, minibiquinis e tapa-sexos revelam o padrão de depilação de muitas mulheres. Um estudo americano discute se depilação total dos genitais é comum e como isso se relaciona à sexualidade da mulher

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          Qual é a prática atual das mulheres em relação à remoção dos pêlos pubianos?. A questão pode soar estranha, mas foi o objetivo de um estudo americano que procurou saber mais sobre estes padrões estéticos e relacioná-los as características sócio-demográficas e sexuais das mulheres. Para isso os autores entrevistaram mais de 2.400 mulheres, com idades entre 18 a 68 anos, por meio da internet. Eles usaram escalas medidoras da função sexual e incluíram questões delicadas tais como: ter olhado atentamente os próprios genitais e algumas modalidade de sexo oral nas últimas 4 semanas.

 

          Vamos aos resultados: as mulheres relataram uma diversidade de práticas de cuidado dos pêlos púbicos. Ou seja, uma enorme variedade de tratamento dos pêlos púbicos: diferentes cortes, desenhos e quantidade de pêlos pubianos foram descritos pelas mulheres. Os pesquisadores concluem que os estilos de pêlos pubianos são diversos e que ter ou manter pelos pubianos é mais comum do que se pensa. Pelo contrário, a remoção total é que é menos freqüente. Além disso, a remoção completa dos pêlos pubianos esteve associada com ser mais jovem, ter parceiro, ter olhado seu próprio genital, à determinada prática sexual nas últimas quatro semanas, ter auto-imagem mais positiva e ter bom desempenho sexual.

 

          No Brasil, até o momento, não se conhece exatamente nem a freqüência nem as características sócio-demográficas associadas à depilação total dos pêlos pubianos. Assim é com estes dados americanos que nós vamos tentar entender porque e para que as mulheres brasileiras se depilam. (Herbenick et al. Pubic hair removal among women in the United States: Prevalence, methods and characteristics. J Sex Med 2010)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h28

03/03/2011

Por que elas não são vacinadas contra o HPV ?

   A infecção pelo HPV está fortemente associada ao câncer do colo uterino. Apesar da existência de vacinação profilática, muitas mulheres alegam diversas razões para não serem vacinadas. Um estudo americano tenta explicar quais são estes "motivos"   

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          O papilomavírus humano, mais conhecido como HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum nos Estados Unidos e em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Alguns tipos de HPV, como o HPV 16 e 18, são considerados os principais causadores de câncer do colo uterino, vagina, anus e pênis. Já há alguns anos foram aprovadas vacinas preventivas que devem ser usadas por jovens meninas que ainda não iniciaram vida sexual. Apesar das muitas evidências em favor da vacinação preventiva contra o vírus, as taxas de cobertura vacinal são baixas, não ultrapassando 10%, em certos grupos de mulheres.

          Pois bem. Um estudo americano procurou compreender as razões para a não-vacinação em mulheres com idade entre 19-26 anos e as intenções futuras de uso da vacina. De uma amostra de mais de 1300 mulheres sem histórico de vacinação para proteção do HPV foram analisadas as respostas de 185 participantes, sendo que uma em cada quatro era casada e a grande maioria tinha nível superior. A vacina foi descrita como muito importante por 32% das entrevistadas, e um terço tinha discutido a vacina com um médico, que recomendou o uso. Um dado interessante é que se interessar pela vacina, discutindo com o profissional, pesquisando sobre e esclarecendo dúvidas foi mais comum do que a atitude contrária. Mas ainda assim, muitas mulheres não planejavam se aprofundar sobre o tema ou serem vacinadas.

         E as explicações para esta atitude foram: estar casada ou em uma relação monogâmica (54,9%), crença de que a vacina é muito nova (35,4%), não ter informações suficientes sobre a vacina (31,7%), as preocupações sobre os efeitos colaterais (24,4%), e a incerteza sobre a cobertura do seguro (24,4%). São argumentos sólidos também, mas que não justificam completamente a decisão da mulher de não ser vacinada. Por outro lado, os resultados ajudam a esclarecer quais intervenções educativas podem ser necessárias para melhorar as taxas de vacinação contra o HPV, em mulheres jovens.

          Trabalhos anteriores destacavam que as baixas taxas de vacinação eram também explicadas pela recomendação insuficiente ou contrária do médico sobre o uso da vacina. Este estudo, por sua vez, destaca as preocupações da mulher. E como se observa, se a mulher não indagar e o médico não indicar, dificilmente, ela vai ser vacinada. (Zimet GD et al. Reasons for non-vaccination against HPV and future vaccination intentions among 19-26 year-old women. BMC Women's Health 2010, 10:)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h36

01/03/2011

Satisfação sexual feminina vai além do ato sexual?

    Satisfação sexual é assunto complexo e importante para muitas mulheres, após os 40 anos de idade. Um estudo internacional mostra quais fatores, além da   "performance sexual" influenciam o bem estar sexual da mulher

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          Satisfação sexual é um tema complexo. Não é fácil definir o que é satisfação sexual, nem caracterizar os fatores que predizem a completude sexual. Mas alguns deles estão em várias listas de muitos estudos: fatores psicológicos, qualidade do relacionamento, presença de doença, envelhecimento, etc, etc. A lista é longa e nem sempre é possível estimar o efeito direto destes fatores, independentemente do próprio desempenho sexual. Em mulheres de meia idade, isso pode ser absolutamente relevante para compreender a satisfação sexual.

 

          Um estudo com 86 mulheres recrutadas de uma clínica ginecológica, com idades entre 40 e 70 anos, objetivou avaliar quais fatores influenciavam o bem-estar sexual, para além do desempenho sexual. Os autores usaram diversos questionários afins. Vejamos o que eles descobriram. O grau de ajustamento na relação com o parceiro, o bemestar psicológico e os sintomas da menopausa são preditores da satisfação sexual que extrapolam, ou seja, que vão além do funcionamento sexual restrito. Curiosamente e ao contrário do que muitos, ou muitas acreditam, a atitude corporal não se associou com o desfecho sexual positivo.

 

          O resultado, no geral, indica que o prazer sexual não é, segundo estas mulheres, avaliado apenas pela “performance” física do ato ou da prática sexual. Em outros termos, a satisfação sexual envolve também outras dimensões subjetivas e que a função sexual explica apenas uma parte deste bem estar. Aspectos relacionados à vida da mulher, da sua história pregressa e do seu momento atual, o que inclui com menor peso, o impacto negativo da menopausa, contam tanto quanto o desempenho sexual. Aposto que muitos vão dizer: eu já sabia.

 

          A conclusão do estudo é um modo de afirmar, cientificamente, que existem muitos meios de se gozar a vida. E que um deles é fazer sexo. (Dundon & Rellini. More than sexual function: Predictors of sexual satisfaction in a sample of women age 4070. J Sex Med 2010;7:896904).

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h05

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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