Blog do Dr. Alexandre Faisal

16/03/2011

Pouco desejo sexual afeta 9% das brasileiras

             

       A ausência ou incapacidade para manter fantasiais sexuais interfere muito na vida do casal. Um estudo brasileiro mostra quantas mulheres apresentam o problema

    Na sua opinião, qual a principal causa para a falta de desejo sexual feminina?  Clique aqui para votar 

    Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

          Você já ouviu falar em desejo sexual hipoativo?. Pois bem, ele é definido como a ausência ou deficiência em ter ou manter fantasias sexuais, fundamentais para a prática sexual. Pode ser temporário ou persistente. Neste caso, o cenário é mais complicado, já que pode interferir nas relações pessoais da mulher ou do homem. Um estudo brasileiro conduzido em diversas capitais, com mais de 2800 mulheres, fez uma radiografia do tamanho do problema e quais fatores estão associados com ele.

          A primeira e mais importante conclusão é que 9.5% das mulheres apresentavam este tipo de disfunção sexual. A segunda é que esta condição está associada não só a fatores biológicos, tais como problemas cardiovasculares, câncer de mama, diabetes e estresse pós-traumático, como também a fatores psicosociais. E neste grupo estão incluídas variáveis como não ter recebido orientações sobre sexo quando criança, ter menor escolaridade e ser casada. Isso mesmo: ser casada aumentava em 50% o risco da mulher apresentar um desejo sexual hipoativo.

          Neste caso, a hipótese dos autores é de que o tipo de relação que se estabelece no matrimônio não dá espaço para desafios ou conquistas, e que isso não contribui para despertar o desejo da mulher. Nem do marido, convenhamos. Situação diversa daquela vivida pela mulher divorciada que pode, ocasionalmente, viver uma nova paixão. Outro dado muito interessante e igualmente problemático é que duas em cada três mulheres, com queixa de falta de desejo sexual, também reclamavam da falta de orgasmo. Uma observação coerente com outros estudos internacionais, que mostraram que em matéria de sexo, se uma coisa na vai bem, ela, em geral, não está sozinha. E, portanto, outros domínios da sexualidade também não vão bem.

          Mas muitos podem argumentar que a verdadeira surpresa está no outro terço das mulheres, aquelas que não têm desejo sexual, mas tem prazer. Em outras palavras, que não almejam iniciar a relação sexual, mas uma vez nela, acham bom e se satisfazem. É tem coisas que nem Freud explica. (Abdo et al. Hypoactive sexual desire disorder in a population-based study of Brazilian women: associated factors classified according to their importance. Menopause 17( 6):1114-1121, 2010)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h57

13/03/2011

Hidroginástica não afeta coração do bebê

    Na gravidez muitas mulheres optam pela hidroginástica como atividade esportiva. Um estudo brasileiro discute se a hidroginástica afeta o coração do bebê

    Na sua opinião qual a melhor atividade esportiva para a gestante?  Clique aqui para votar 

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         No passado, a prática de atividades físicas na gravidez era cercada de incerteza e as gestantes, na maioria das vezes, encorajadas a não se exercitarem. Atualmente, existe reconhecimento de que os exercícios moderados não trazem maiores riscos ou riscos adicionais para o bebê,  no caso de gestações sem complicações. Um estudo brasileiro confirma este consenso ao avaliar 133 grávidas sedentárias que se submeteram a  sessões de ginástica aeróbica em piscina aquecida. Vinte

 minutos antes e  logo após a prática esportiva, elas, as gestantes, realizavam uma cardiotocografia, exame que avalia a freqüência cardíaca fetal e é um bom indicador da vitalidade do bebê.  

         Diferentes grupos de grávidas, em diferentes períodos da gravidez foram estudados. Mas os resultados não mostraram diferenças significativas nos muitos parâmetros cardíacos fetais analisados, o que sugere que o exercício moderado não tem impacto negativo sobre o bebê, em desenvolvimento no útero da mãe. Pelo contrário, existem evidências de que atividades físicas e esportivas na água tem várias vantagens para as gestantes, tais como menor risco de lesões articulares e musculares, redução do inchaço nos membros inferiores e melhora da capacidade cardiovascular e respiratória.

          Isso tudo sem  causar grandes alterações no coração do bebê, que pode ainda se beneficiar com um eventual aumento do líquido amniótico. Outro tipo de efeito associado à atividade física sob imersão em água. Exercício na água; taí uma boa idéia para mãe e bebê se divertirem nas suas respectivas piscinas. (Silveira et al. Fetal cardiotocography before and after water aerobics during pregnancy (Silveira et al. Reproductive Health 2010, 7:23)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h15

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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