Blog do Dr. Alexandre Faisal

05/05/2011

Mulheres não conhecem bem o DIU

    O Dispositivo Intra-Uterino (DIU) é um interessante método de contracepção. Um estudo americano mostra que, no entanto, as mulheres não sabem bem como ele funciona  

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             Você já ouviu falar no DIU, o dispositivo intra-uterino?. Você sabe como ele funciona e quais são seus riscos?. Se a resposta é sim, saiba que você está mais bem informada que muitas mulheres americanas. Pois é esta a conclusão de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos: mulheres em idade reprodutiva têm concepções errôneas sobre os benefícios, riscos e eficácia do contraceptivo intra-uterino. Vamos aos dados mais importantes do estudo.

             Foram entrevistadas mais de 1.600 mulheres, com média de idade de 32 anos, escolhidas aleatoriamente. Quase 8% das participantes já haviam usado o DIU, em algum momento da vida e metade delas se dizia contente com o método. No geral, 4 em cada 5 mulheres diziam conhecer o DIU, mas apenas 1 em cada 4 discutiu com seu médico a possibilidade de vir a usá-lo. E neste caso, o estudo mostra que discutir sobre o DIU com o médico aumentava muito a chance de optar pelo seu uso. Até aí tudo bem. Mas o estudo mostra também que 61% das mulheres subestimavam sua eficácia e metade das mulheres respondeu erroneamente as questões sobre uso e segurança. E isso incluía questões como risco de infecção, infertilidade futura e até câncer. Ou seja, uma série de desinformações que levam a mulher a, eventualmente, deixar de escolher um método que poderia ser muito bom para ela. Muitas nem sabiam dizer se eram candidatas ao uso do DIU.

           A recomendação dos autores da pesquisa é que independemente do histórico pessoal de uso de métodos contraceptivos, as mulheres precisam aprimorar seus conhecimentos sobre esta área.  Me parece que é uma ótima recomendação para as americanas e para as brasileiras também. (Madden et al. Obstetrics & Gynecology 2011; 117: 48-54)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h21

03/05/2011

Maior risco de morte súbita infantil em gestantes fumantes

     Os malefícios do tabagismo são bem conhecidos. Uma revisão de estudos explica porque o tabagismo na gestação aumenta o risco de morte súbita do recém-nascido.  

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      Ninguém duvida dos malefícios do cigarro. Mas nem sempre os mecanismos de dano associados ao tabagismo são completamente explicados. Ou seja, como a nicotina e outros componentes do cigarro causam lesões ou mau funcionamento dos órgãos e sistemas. Pois bem, mais um destes mecanismos, felizmente, está sendo desvendado. E envolve um problema pouco comum, mas muito sério: a síndrome da morte súbita infantil.

     A síndrome acomete recém-nascidos e tem sido associada ao modo de colocar o bebê para dormir, infecção do trato aéreo superior, práticas do aleitamento e mesmo ao tabagismo. Já se sabe que este risco é de 2 a 5 vezes maior nos bebês de mães que fumam na gravidez, na comparação com as mães não fumantes. Uma revisão recente de estudos sobre a Síndrome procurou entender melhor o efeito do cigarro, durante a gestação e após o parto, no sistema respiratório das crianças. Para os autores, o efeito da nicotina sobre o controle respiratório dos bebês poderia explicar a ligação entre o fumo nesta época e a síndrome da morte súbita infantil. Eles revisaram estudos em humanos e animais. Um fato importante é que existe uma associação bem documentada entre tabagismo na gravidez e prematuridade, que é por si só um fator de risco para a Síndrome. Mas, além disso, eles observaram que os recém-nascidos de mães fumantes apresentavam uma diminuição significativa na resposta aos eventos obstrutivos e subseqüente baixa de oxigenação. Tudo isso causando maior dificuldade de autoresuscitação.

       Para eles, a nicotina é apontada como a principal culpada nestas alterações do controle respiratório. De fato, estudos em animais confirmaram uma associação entre a exposição pré-natal da nicotina e interferência neste processo de autoresuscitação. A mensagem é clara. Gestantes fumantes devem parar de fumar antes mesmo do bebê nascer.
(Sawnani et al. Pediatric Allergy, Immunology, and Pulmonology 2010; 23: 161-9)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h31

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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