Blog do Dr. Alexandre Faisal

20/05/2011

Atrasar chegada na maternidade aumenta os riscos do bebê?

   O momento de ir para o hospital para o parto preocupa muitos casais. Um estudo holandês avalia o impacto da demora em chegar ao hospital sobre os riscos perinatais.

     Você se preocupa (ou se preocupou) com o momento da internação para o parto? Clique aqui para votar 

     Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

   

   

          Muitos casais, homens e mulheres gestantes, se preocupam com a chegada ao hospital, no momento do parto. Será que dá tempo?. Preicsa ir voando para o hospital?. São questões que atormentam os casais grávidos. Pois bem, um estudo holandês avaliou o efeito do tempo de viagem de casa para o hospital na mortalidade e resultados perinatais adversos. A pesquisa envolveu mais de 751 mil nascimentos, de fetos únicos, entre 2000 e 2006, o que incluiu mais de 1.100 casos de óbito intraparto e logo após o parto, além de mais de mais 4.500 casos onde o resultado obstétrico foi classificado como desfavorável. Isso incluía, por exemplo, a transferência do recém-nascido para uma unidade de terapia intensiva.

          Neste estudo, o tempo médio de viagem para o hospital a partir de casa era de 13 minutos, e a maioria das mulheres, 74%, teve um tempo de viagem de menos de 20 minutos. O resultado da pesquisa mais interessante é que cerca de 193 mil mulheres demoraram mais de 20 minutos para chegar ao hospital e elas tiveram um aumento de quase 30% no risco de complicações intra-parto e perinatais, na comparação com mulheres que levaram menos tempo para chegar ao hospital.

           Mas antes que as gestantes brasileiras se assustem é bom levar em conta as diferenças entre as realidades do Brasil e da Holanda e, mesmo, o baixo número de complicações obstétricas e perinatais, no geral. Mostrando que o parto é assim bastante seguro. De qualquer modo algumas gestantes têm pressa e se começar a ficar complicado ir para o hospital justamente na hora dar a luz, elas podem dizer como a Angélica: eu vou de táxi. Ravelli et al. BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynecology 2011;)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h10

17/05/2011

Muitas mulheres se submetem ao coito interrompido

    Coito interrompido é uma prática contraceptiva muito disseminada em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. Um estudo iraniano ajuda a explicar os motivos que levam às mulheres a usarem este inseguro método anticoncepcional.

     Você já confiou ou confia no coito interrompido como método contraceptivo? Clique aqui para votar 

     Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

    

 

 

          O coito interrompido ou a ejaculação voluntária fora da cavidade vaginal é ainda o método anticoncepcional escolhido por muitas mulheres, especialmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Apesar do coito interrompido estar associado a taxas de falha anticoncepcional que variam de 19 a 49%, ele é a opção contraceptiva de muitos casais. Mas como todos sabem, a escolha e uso correto do método anticoncepcional é um tema complexo que não se restringe à disponibilidade de informação.

          Um estudo iraniano procurou entender as razões que levam certas as mulheres a optarem pelo coito interrompido. Para isto, eles entevistaram 300 mulheres, em idade reprodutiva, maiores de 18 anos, casadas, usuárias do método. Os principais motivos alegados para o uso do coito interrompido foram: ausência de custo, o fato dele (o coito interrompido) dispensar orientação médica, poucos efeitos colaterais e facilidade na compração com outros métodos. Por outro lado, os obstáculos para o uso de métodos mais modernos e seguros esteve associado às preocupações com a saúde e os efeitos colterais, desinformação e dificuldades sexuais. Mas o dado mais curioso é que a opção pelo coito interrompido era também definida pelo parceiro, confirmando que as questões de poder e os conflitos entre os papéis masculinos e femininos estão envolvidos na escolha do método contraceptivo.

          Em outras palavras é o homem, e não a mulher, que prefere este tipo de método, impedindo-a de se manifestar. Neste caso, infelizmente, mais do que o coito é a própria comunicação e relação do casal que está interrompida. (Rahnama et al. Withdrawal users’ experiences of and attitudes to contraceptive methods: a study from Eastern district of Tehran, Iran. BMC Public Helath 2010;10:779-787)  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h05

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico