Blog do Dr. Alexandre Faisal

10/06/2011

Cuidados da gestante obesa doem no bolso

     Muitas mulheres em período fértil estão acima do peso ou obesas. Um estudo australiano avalia o impacto negativo da obesidade sobre os resultados obstétricos e sobre o custo da assistência médica

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          É grande o número de mulheres em período fértil que estão obesas. E isso pode ter implicações para a assistência obstétrica. Um estudo australiano procurou avaliar a prevalência e incidência de mães com sobrepeso e obesidade no início ou em meados de gravidez sob os resultados obstétricos e perinatais. Para isso os autores fizeram uma análise secundária de dados de um estudo de coorte com mulheres que estavam na primeira gravidez e que foram classificadas em 3 grupos de acordo com o IMC (índice massa corpórea). Normal, sobrepeso ou obesas. No estudo original elas foram randomizadas para receber Vitamina C e E para prevenção da pré-eclâmpsia. Quanto aos resultados, das mais de 1600 gestantes incluídas, 43% estavam com sobrepeso ou obesos. As mulheres obesas apresentaram um aumento de 3 x no risco de pré-eclampsia e 2 x do risco de diabetes 1,8 na comparação com gestantes com IMC normal.

 

          Mais ainda, mulheres obesas e com sobrepeso foram mais susceptíveis de receberam indução do parto e cesariana. Por sua vez, os bebês de mulheres obesas tinham maior probabilidade de serem grandes para a idade gestacional e macrossômicos, ou seja bebes muito grandes, na comparação com os bebes das mulheres sem sobrepeso/obesidade. As conclusões deste estudo australiano estão de acordo com evidências de pesquisas realizadas em outros países e reforçam a necessidade de elaborar estratégias preventivas para combater a obesidade. De preferência antes da mulher engravidar, já que mulheres que estão acima do peso ou obesas têm maior risco de resultados adversos na gravidez, tais como diabetes, hipertensão induzida pela gravidez e pré-eclâmpsia. Isso sem contar o nascimento de bebês muito grandes. Hoje se admite que as crianças que são grandes para a idade gestacional ao nascimento e, portanto, foram expostas a um ambiente intra-uterino de diabetes ou obesidade materna, apresentam risco aumentado de desenvolver a síndrome metabólica, na idade adulta, perpetuando o ciclo de obesidade em gerações subseqüentes.

 

          Finalmente, os autores enfatizam que o custo da assistência pré-natal em mulheres com excesso de peso é até 16 vezes maior que o custo da assistência aos indivíduos com peso normal. Ou seja, a obesidade dói no bolso de todo cidadão que paga impostos. Homens ou mulheres. Obesos ou não . (Athukorala et al. The risk of adverse pregnancy outcomes in women who are overweight or obese. BMC Pregnancy and Childbirth 2010, 10:56)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h09

07/06/2011

Mulheres vulneráveis psicologicamente escolhem bem o contraceptivo?

    Existe grande preocupação das mulheres com os efeitos psicológicos das pílulas anticoncepcionais. Mas pouco se fala da preferência contraceptiva das mulheres que já tem problemas psicológicos. Um estudo americano avalia esta interessante questão

      Você acha que os métodos hormonais de contracepção afetam o estado emocional da mulher? Clique aqui para votar 

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          Será que existe alguma relação entre transtornos mentais e tipo de método contraceptivo usado pela mulher?. Esta intrigante questão foi avaliada por um estudo americano, que usou dados de mais de 48 mil mulheres, de 2004 a 2006 para calcular a prevalência de uso de contraceptivos em mulheres, com ou sem queixas de estresse ou problemas psicológicos. No total, mais de 13% delas apresentavam problemas mentais, mas a grande maioria usava algum tipo de contracepção. Primeira e interessante conclusão é que as mulheres que experimentam sofrimento mental freqüente são mais propensas a utilizar um método contraceptivo permanente ao invés de métodos reversíveis. Sobre os métodos reversíveis, do mesmo modo, mulheres com menor renda e problemas mentais tinham mais chance de usarem métodos menos efetivos, tais como diafragma e coito interrompido. E não de métodos seguros, tais como DIU, hormônios.

 

          Um resultado importantíssimo já que neste grupo de mulheres vulneráveis psicologicamente, uma gravidez não desejada pode ter enorme impacto, agravando o já delicado estado emocional em que vivem. .A conclusão dos autores é de que a orientação sobre o uso de métodos contraceptivos deve levar em conta o estado emocional da mulher. Coisa que habitualmente não é feita. O estudo não discute se os métodos hormonais pioram o estado psicológico das mulheres, mas mostra que em muitos casos ele já está alterado antes do uso deste método.

 

      E ao contrário do que parece e reza o conceito popular, não é usar as pílulas que "deixa a mulher louca", mas, eventualmente, o contrário. (Farr et al. Contraception 2011; 83: 127-33)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h29

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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