Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/06/2011

Vacina contra o HPV é eficaz

    O câncer do colo uterino está muito associado ao Papiloma Virus (HPV). Uma revisão de estudos avalia se a vacinação contra este problema é mesmo eficaz. . 

      Você aceitaria ser vacinada contra o HPV? Comente 

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          O câncer do colo uterino ainda é, infelizmente, umas das principais causas de mortalidade em mulheres brasileiras. Hoje se admite que não que a infecção por certas cepas do vírus HPV é condição necessária para o surgimento do câncer cervical. Para se ter uma ideia, no mundo, 70% dos casos de câncer do colo do útero são causados pelo Papilomavírus Humano (HPV) 16 ou 18, sendo que o HPV 16 é o tipo mais comum, detectado em 55% dos casos, seguido de perto pelo HPV 18, presente em 15% dos casos. Outros tipos de HPV com potencial para causar câncer, os tipos 31, 33, 35, entre outros, respondem por cerca de 18% dos casos. E hoje as mulheres podem contar as vacinações profiláticas, que podem devem ser empregadas antes mesmo do início da vida sexual.

          Mas será que os estudos comprovam a eficácia desta vacinação?. Ou dito de outro modo, será que alguns resultados favoráveis ao uso da vacinação não são explicados apenas para algumas populações e dependem das vacinas usadas?. Pois bem, estes foram os objetivos de uma revisão sistemática dos ensaios clínicos randomizados de vacinas profiláticas contra o HPV. Os autores procuraram avaliar não só a eficácia, mas também a segurança das vacinas contra o HPV. Sete ensaios clínicos que incluíram, no total, mais de 44.000 mulheres foram incluídos. Vejamos então os principais resultados que confirmam que a profilaxia com vacina é altamente eficaz na prevenção das infecções por HPV e posterior desenvolvimento do câncer cervical.

          A eficácia contra a infecção persistente pelo HPV 16 e pelo HPV 18 foi bem impressionante, alcançando entre 75 e 95%. Mais importante é que as vacinas foram também eficazes na prevenção da infecção do HPV 16 e 18 associados ao NIC1 e NIC2,  as lesões precursoras do câncer de colo uterino. Outro dado animador é que os riscos de efeitos adversos graves relacionados com a vacinação não diferiram significativamente entre os grupos vacinados e os grupos controle. De qualquer maneira, os pesquisadores sugerem que as questões da eficácia a longo prazo e de segurança deves ser abordadas em estudos futuros.

          Mas por enquanto tudo parece favorecer o uso da vacina. Porque como todas as mulheres e homens sabem, prevenir é melhor do que remediar. (Lu et al. Efficacy and Safety of Prophylactic Vaccines against Cervical HPV Infection and Diseases among Women: A Systematic Review & Meta-Analysis BMC Infectious Diseases 2011, 11:13)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h46

14/06/2011

Emoções influenciam mal estar gástrico

     Até 25% da população adulta apresenta queixas gástricas, sendo que as mulheres são particularmente sensíveis ao problema. Um estudo mexicano avalia a relação entre o estresse e a dispepsia. 

      Você acha que o estresse pode causar dor no aparelho gastrointestinal? Clique aqui para votar 

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          Você já ouviu falar em dispepsia.?. É possível que você já tenha até mesmo tido o problema. Mas você já deve ter escutado alguém, ao reclamar de mal estar gástrico ou intestinal, uma determinada coisa “não cai bem”. Pois bem, dispepsia funcional é caracterizada por dor, persistente ou recorrente, ou desconforto no abdome superior, sem evidência de úlcera péptica ou doença orgânica. Aproximadamente 25% da população adulta apresenta sintomas abdominais, frequentes ou ocasionais, que afetam a qualidade de vida. Muitas destas pessoas são mulheres. Não se sabe exatamente o que causa a dispepsia, mas os fatores psicossociais devem desempenham um papel importante.

          Pelo menos é isso que mostra um estudo caso-controle, mexicano. No estudo, 17 casos, indivíduos com idade média de 25 anos, com dispepsia foram comparados a 15 pessoas saudáveis, levando em conta aspectos biológicos, tal como tempo de esvaziamento gástrico e fatores psicosociais, incluindo aí estresse, ansiedade, depressão e modo de enfrentar os problemas. As pessoas classificadas como dispépticas tinham exames endoscópicos normais, ou seja, sofriam de dor, mas não tinham uma lesão orgânica evidente. O principal achado do estudo mostra que estresse; ansiedade e certas características da pessoa para lidar com problemas prediziam a dispepsia. Entre estas características estão os sentimentos de culpa, auto-crítica exagerada, pensamentos trágicos e foco nas piores situações, e não nas melhores.

          Os resultados reforçam achados de outros estudos que mostram que estresse pode modular o funcionamento gastrointestinal, contribuindo para o surgimento de doenças. A sugestão dos autores é incluir na investigação deste grande grupo de portadores de dispepsia a avaliação de aspectos emocionais. Quem sabe assim, ajudando - os a digerir as coisas e dificuldades da vida que não lhes caem muito bem. (Roca-Chiapas et al. Stress profile, coping style, anxiety, depression, and gastric emptying as predictors of functional dyspepsia: a case-control study Journal of Psychosomatic Research 68 (2010) 73–81)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h19

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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