Blog do Dr. Alexandre Faisal

30/06/2011

Déficit de atenção: psicoterapia ou relaxamento?

        Déficit de atenção e hiperatividade acometem até 4% dos adultos, incluindo uma (menor) porcentagem de mulheres. Um  estudo americano compara a eficácia de dois tipos de tratamentos: a psicoterapia cognitiva e o relaxamento. 

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          O déficit de atenção e hiperatividade é um sério problema que afeta muitas pessoas. Dados americanos indicam que mais de 4% dos adultos sofrem com o problema que causa nível de atenção reduzido constantemente, hiperatividade e impulsividade. O problema afeta, sobretudo, os homens, mas acomete também as mulheres e é um verdadeiro transtorno também para amigos e familiares dos portadores da doença. Uma complicação adicional é que nem sempre o uso de remédios é tolerado ou voluntariamente bem aceito pelo doente. Para alguns, mesmo o uso de medicações não controla totalmente os sintomas. Nestes casos, é necessário usar outras estratégias.

 

          Pois bem, um estudo americano procurou comparar a eficácia de dois tratamentos: a terapia cognitiva comportamental e o relaxamento associado à orientação educacional. Os 86 participantes que já estavam em uso de medicação e ainda apresentavam sintomas residuais foram sorteados para receber um dos dois tratamentos. Eles foram avaliados após 6 e 12 meses, por um observador independente que desconhecia a terapia empregada em cada caso. A conclusão mais importante do estudo é que a terapia cognitiva foi superior ao relaxamento. Os instrumentos de avaliação, tais como questionários e escalas de sintomas, mostraram resultados melhores com a terapia psicológica. Mais importante ainda, os benefícios se mantiveram ao longo do tempo, aos 6, mas, principalmente, aos 12 meses. Ou seja, um efeito sustentado, o que é uma boa notícia, já que esta modalidade de tratamento é bem aceita, não envolve grandes riscos e no caso particular da pesquisa apresentou boa aderência pelo paciente. Provavelmente isso se explica pela percepção de melhora. Em outros termos, “melhora mais, desiste menos”.

 

          Mas que ninguém entenda como uma reprovação das técnicas de relaxamento. E no caso das pessoas com déficit de atenção e hiperatividade, elas podem continuar relaxando, mas se possível fazendo também psicoterapia.  (Safren et al. Cognitive behavioral therapy VS relaxation with educational support for medication-treated adults with ADHD and persistent symptoms. JAMA,304(8):875-881,2010)  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h49

28/06/2011

Repouso para gestação gemelar funciona?

    Gestações de gêmeos são cada vez mais comuns e demandam cuidados especiais. Uma revisão de estudos avalia o efeito do repouso no leito para prevenção da prematuridade em gestações múltiplas. 

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          Algumas antigas recomendações médicas parecem estar com os dias contados. Uma delas é repouso no leito para gestantes de gêmeos. É isso aí. E a conclusão vem de uma revisão recente da Fundação Cochrane que procurou analisar o efeito do repouso no leito, em hospital, para mulheres com gravidez múltipla, para a prevenção de prematuridade e de outros resultados fetal, neonatal e materna. Para isso os autores da publicação avaliaram os estudos que compararam os resultados das gestações múltiplas, em mulheres que ficaram no leito hospitalar com aquelas que só foram internadas por ocasião de alguma complicação. No total foram incluídos sete estudos clínicos que envolveram mais de 700 mulheres e mais de 1.400 bebês.

          Principal conclusão da revisão: a rotina de repouso no leito no hospital para gravidez múltipla não reduz o risco de parto prematuro ou a mortalidade perinatal. Mas os autores fazem uma ressalva importante, a qualidade dos estudos variou muito. Mas ainda assim, eles observaram uma tendência, não significativa, de que mulheres não hospitalizadas tivessem mais bebes de baixo peso, ou seja, abaixo de 2500g. Novos estudos são necessários para esclarecer definitivamente este assunto cada vez mais importante já que com as novas técnicas de fertilização “in vitro“, as gestações de gêmeos são comuns. E as complicações destas gestações também.

          Um dado interessante é que os estudos avaliados não incluíram uma análise sobre a opinião das gestantes sobre o tratamento proposto. Em outras palavras, ficar ou não em repouso hospitalar preventivamente. E parece óbvio que a opinião delas neste caso é fundamental. Porque se é para ser submetida a um tratamento que talvez não funcione, no mínimo, elas precisam dizer o que pensam sobre ele. (Crowther & Han. Cochrane Database Syst Rev 20102010. CD000110. Hospitalization and bed rest for multiple pregnancy).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h31

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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