Blog do Dr. Alexandre Faisal

08/07/2011

Exercícios pélvicos melhoram perda urinária

    Incontinência urinária limita a vida de muitas mulheres. Uma revisão de estudos avalia se (e como) os exercícios perineais aliviam este incômodo problema

      Qual seria sua primeira opção de tratamento para a incontinência urinária de esforço?  Clique aqui para votar 


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           A incontinência urinária é um problema comum entre os  adultos. Sua incidência aumenta com a idade e é mais freqüente em  mulheres, sendo particularmente comum entre as mulheres idosas. As  estimativas da prevalência de incontinência urinária feminina variam  de 10% até 40%. E é possível que  estes números não reflitam a  verdadeira dimensão do problema, já que à subnotificação é comum. As pessoas ficam envergonhadas de dizer que perdem xixi sem querer. Um das linhas de tratamento é a prática de exercícios. Isso inclue os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Mas será que isso funciona ?. Pois bem, um estudo recente faz uma revisão do tema, sumarizando os principais resultados de diversas pesquisas sobre os benefícios da utilização do exercício muscular do assoalho pélvico, no tratamento da incontinência urinária nas mulheres.


           E a primeira conclusão é muito boa: até 70% dos casos apresentam melhorias dos sintomas de incontinência urinária de esforço, após o tratamento com exercícios.  E esta melhoria é evidente em todas as faixas etárias. Outro dado é que há evidências de que as mulheres têm melhor desempenho com regimes de exercício supervisionado por fisioterapeutas e enfermeiros especializados em continência urinária, em oposição aos cuidados não supervisionados. Ou seja, há evidências satisfatórias para se recomendar o uso de exercício do músculo do assoalho pélvico para ajudar as mulheres com todos os tipos de incontinência urinária. 


           No entanto, o tratamento é mais benéfico em mulheres com um tipo específico de perda urinária: a de esforço, isoladamente. E mais uma ressalva, os resultados são melhores após pelo menos 3 meses de treinamento muscular. Isso mesmo, pelo menos 3 meses de exerícios. É. Vamos torcer para que as mulheres prefiram gastar energia em vez de perder xixi. (Price et al. Pelvic floor exercise for urinary incontinence: A systematic literature review. Maturitas 67 (2010) 309?315)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h44

05/07/2011

Depressão não aumenta risco de prematuridade

     Depressão é um problema para muitas grávidas. Mas o impacto da depressão sobre a gestação é tema controverso. Um  estudo brasileiro tranquiliza um pouco as gestantes que estão deprimidas.  

     Você acha que a depressão na gestação aumenta os riscos obstétricos ?  Clique aqui para votar 

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          Saíram os resultados de um estudo nosso, brasileiro, abordando o impacto da depressão no desfecho da gravidez. Mais de 800 gestantes do serviço público da zona oeste de São Paulo foram seguidas desde a metade da gravidez até o parto. Por meio de questionário, elas foram classificadas em deprimidas ou não. Estes dados foram cruzados com os dados perinatais, em particular, com a época do nascimento e o peso do recém-nascido. Os resultados do estudo podem ser lidos de duas maneiras.

          A primeira é uma ótima notícia para gestantes que estão se sentindo tristes na gravidez: estar deprimida na gravidez não aumenta os riscos da mulher vir a ter parto prematuro ou bebês cujo peso é menor do que 2.5 kg ao nascer. Ambas as situações, prematuridade e baixo peso, estão fortemente associadas com mortalidade do recém-nascido, de modo que muitos esforços, nem sempre satisfatórios são empregados para evitar que o bebê nasça antes da hora, prematuro, ou com baixo peso, ou seja, com menos de 2.500g. Dito de outra maneira, a depressão na gravidez não aumenta o risco destas complicações.

          A segunda interpretação dos dados já não é tão boa assim. Cerca de uma em cada 3 mulheres apresentava sintomas depressivos. É um número muito impressionante já que são muitas mulheres sofrendo. O estudo contradiz resultados de outras pesquisas que apontam um aumento leve a moderado do risco da gestante deprimida ter uma complicação com seu bebê. E a explicação pode estar no fato de que o impacto da depressão é pior em cenários de pobreza extrema, o que não era, afortunadamente, o caso desta nossa pesquisa brasileira. Mas ele também confirma o que já se sabia: o problema é comum e que merece ser enfrentado, já que as futuras mamães merecem ser felizes. (Faisal-Cury et al. Common Mental Disorders and adverse obstetric outcomes. JPOG, 2010)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h27

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico