Blog do Dr. Alexandre Faisal

15/07/2011

Perder peso ajuda nos "ovários policísticos"

        A Síndrome dos ovários policísitcos afeta a vida de muitas mulheres. Uma revisão de estudos avalia se mudanças comportamentais que levam à perda de  peso ajuda no tratamento

        Por que você (não) pratica exercícios ?  Clique aqui para votar 


        Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

        

       

        

     

          Você já ouviu falar em SOP ou Síndrome dos ovários policísticos?. Se você é mulher, possivelmente já e quase com certeza conhece alguém que sofre com o problema. A síndrome dos ovários policísticos afeta de 4% a 18% das mulheres em idade reprodutiva e está associada à disfunção reprodutiva, metabólica e até psicológica. Os sintomas incluem aumento da pilificação, ciclos menstruais irregulares, dificuldade para engravidar, entre outros. A obesidade agrava o quadro clínico, ou seja, a apresentação da SOP e aceita-se que o controle de peso (perda de peso, manutenção ou prevenção do excesso de peso) seja uma boa estratégia inicial de tratamento. Ou seja, perder peso ou prevenir o ganho excessivo de peso são medidas indicadas que podem ser alcançadas por meio de mudanças do estilo de vida, incluídas aí dieta, exercícios e intervenções comportamentais.

 

          Mas será que isso funciona mesmo?. Uma revisão de estudos afins mostra que sim. Pelo menos parcialmente. Esta foi a conclusão de revisão da Cochrane em que seis estudos foram analisados conjuntamente. O foco predominante dos estudos foi atividade física, recomendações dietéticas e mudanças comportamentais, mas nenhum avaliou o impacto na fertilidade e nos padrões menstruais. Infelizmente. A conclusão dos autores é que as intervenções baseadas em mudanças do estilo de vida, em mulheres com SOP, melhoram diversos parâmetros, principalmente, a composição corporal e o hiperandrogenismo, a saber os hormônios predominantemente masculinos que causam indesejados efeitos no organismo feminino.  Melhora também a resistência à insulina que se associa à instalação do diabetes. Mas não foi confirmado nenhum benefício sobre a tolerância à glicose ou perfil lipídico.

 

          Como fica claro, faltam novos estudos desta modalidade tão natural, prática e simples de tratamento sobre os aspectos reprodutivos e sobre a qualidade de vida. E até mesmo sobre a satisfação com o tratamento. Mas meu palpite é que mudanças comportamentais, dieta e exercício que levem a perda de peso e manutenção da forma têm tudo para agradar às mulheres. E também aos seus parceiros.  (Moran et al. Lifestyle changes in women with polycystic ovary syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2011)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h46

12/07/2011

Idosas sofrem com fibromialgia

      Fibromialgia e dores crônicas atrapalham a vida de muitas mulheres. Um estudo brasileiro avalia a prevalência destes transtornos em idosas pobres

      Qual seria sua primeira opção de tratamento para dores crônicas?  Clique aqui para votar 


      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

    

     

     

 

         Fibromialgia é uma síndrome reumática não-articular de etiologia desconhecida. É caracterizada pela crônica e difusa musculoesqueléticas, dor, e sensibildade em vários pontos do corpo. Muitas vezes é acompanhada de outros sintomas, tais como fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e depressão. Mas o que vai interessar às mulheres é que estudos indicam que ela é até oito vezes mais comum nelas do que neles. Pior ainda, a fibromialgia interfere bastante na qualidade de vida da pessoa doente, tenso sido considerada como um dos mais incapacitantes distúrbios crônicos. Um estudo brasileiro procurou estimar a prevalência da fibromialgia e dor crônica generalizada em idosos, moradores de comunidades sociais, em São Paulo.

          A amostra foi constituída de 361 indivíduos, com idade média de 73 anos, sendo principalmente de mulheres. Os indivíduos foram classificados em quatro grupos de acordo com critérios consagrados para distúrbios reumatológicos. A prevalência de fibromialgia foi de 5,5% e a prevalência de dor generalizada crônica foi de 14,1%. Dores regionais acometeram mais de 50% das pessoas. A explicação para o maior acometimento em mulheres está em fatores biológicos, hormonais e sociais. Mas uma frequência assim tão alta de fibromialgia e dores pelo corpo deve-se também ao baixo nível de escolaridade da amostra do estudo. Um dado que já foi mencionado em outros estudos.

          Coitadinha das velhinhas mais pobres, que depois de tantas lutas e sofrimentos na vida, ainda tem de enfrentar mais dores.  Mas, pelo menos, se depender do estudo brasileiro, os pofissionais de saúde vão ficar mais atentos (Barsante Santos et al. Maturitas 67 (2010) 251–255)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h48

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico